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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Recordar é viver

Um aeroporto é um mundo, disso não tinha quaisquer dúvidas. A sua vida era passada em diversos espaços aéreos , cada um parecia ter uma história particular. Aquele era apenas só mais um. Era um homem de negócios extremamente mediático, tinha enfrentado muitos dissabores ao longo da vida e achava-se preparado para tudo, mas o que ia sentir naquele dia estava longe de estar nos seus planos…

Estava habituado a todas as despedidas e burocracias normais de cada partida, era um costume a que se tinha habituado. Aquela era a sua vida. Naquele dia encontrava-se mais nervoso que o costume, apesar de já ter viajado centenas de vezes num avião nunca se conseguia adaptar aquela sensação. Era irónica a situação, pois era um homem que não gostava de mostrar fraqueza a ninguém, mesmo nos piores momentos da vida.

Percorrria descontraidamente a sala em que estava instalado, tentando colocar aqueles pensamentos para trás das costas. Para passar o tempo, percorria as caras que iam passando apressadas para cada voo. Fazia aquilo sem especial interessem, fixava aquelas caras durante alguns segundos, retidas no seu pensamento, acabando por as deixar esvoaçar para os seus destinos programados.

Inesperadamente, o seu olhar reteve-se numa face. Não conseguiu conter o seu olhar de desespero. Aquela cara era demasiado semelhante, trazia-lhe demasiadas recordações… Tudo deixou de ter importância aquele frio homem de negócios paralisou ao percorrer o corpo daquela mulher. Era tão familiar, mas só isso… familiar. Apenas e só familiar…

- Maria, doce Maria – balbuciou entre dentes, enquanto uma lágrima percorria a sua face. Memórias antigas trespassaram as barreiras enfraquecidas do seu ser. Alturas em que sorria para a sua falecida mulher. Recordações que todos os dias tentava esquecer estavam a inundar a sua alma.

Aquele era um momento de fraqueza total, deixou-se estar ali, desamparado, sem hipóteses de defesa, enquanto aquela mulher passava por ele sem sequer reparar nele. Por momentos sentiu tudo novamente, todos aqueles bons momentos, mas nada foi do que um intenso mar de recordações… Aquele momento, aquele olhar, aquele sentimento, foi retomar por momentos a um passado, a um livro fechado que jamais poderá voltar a viver. Ainda assim voltar a recordar-se disso fez-lhe sorrir…

[Ficção]

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