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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Conversa de bocas

A: Pareces-me familiar, como se te conhecesse antes…

V: Mas tu nunca me viste e eu nunca te vi…

A: Mesmo assim, tenho a sensação que te conheço de algum lado…

V: Garanto-te que tu nunca me viste, mesmo estando sempre aqui.

A: Então quem és tu?

V: Já fui o teu passado, sou agora o teu presente e serei um pouco do teu futuro…

A: Mas se não nos conhecemos, como é que representas tudo isso para mim?

V: Sou um turbilhão daquilo que queres, daquilo que desejas, daquilo que sentes…

A: És assim tão importante para mim?

V: É a primeira vez que te vejo, mas sei tudo sobre ti!

(Silêncio)

A: Cativas-me, sabes. Não sei explicar o porquê das tuas palavras me preencher tanto…

V: Apenas disse o que tinha para te dizer. Não estás cativado, apenas admirado. Não te provoquei mais do que uma simples surpresa.

A: Eu gostei, queria encontrar-te mais vezes! Podemos?

V: Só quando ambos quisermos realmente, só quando houver uma real união.

A: Então queres que sejamos um só?

V: Sempre o fomos, mas tu nunca quiseste ver, nunca quiseste parar para sentir…

(Novo silêncio)

A: Então sempre me acompanhaste e eu nunca reparei. Mas agora que te vejo, quero-te comigo!

V: Querer é uma palavra complicada, olho-te e não vejo o que queres, porque não estás a querê-lo realmente. Não sabes nada daquilo que eu sou!

A: Julgo que te começo a conhecer um pouco…

V: Não é o sufeciente. Basta um desafio e tu recuas! Isso só demonstra que não estás seguro e não sabes aquilo que queres!

A: Mas estou! Como te posso provar?

V: Não com palavras, mas com acções, com sentimentos. Será que realmente consegues isso?

A: Posso tentar?

V: Sempre que queiras, mas não te prometo que alguma vez atinjas o sucesso.

A: Desafias-me então para um objectivo impossível?

V: Impossível não, mas difícil. Um desafio no qual terás de lutar diariamente, só assim conseguirás vencer.

A: Ou seja, estás-me a pedir o mundo…

V: Não, só parte dele, aquele que representas, aquele que faz parte de ti…

A: Irei fazê-lo! Onde é que estamos? Este local também me parece familiar…

V: É o local que sempre sonhaste, o teu paraíso, aquele sítio que sempre quiseste estar…

A: É muito bonito, gostava de viver aqui, ter uma casa…

V: Pára! Os teus desejos não são verdadeiros, porque falas sem pensar, sem reflectir, não sentes realmente o que dizes…

(Silêncio prolongado)

A: Desculpa. Pareces-me tão sábia, mas tão destrutiva. Como se me quisesses amar e destruir ao mesmo tempo…

V: Amar, nunca amaste como podes dizer que alguém ama ou não. Como podes falar de palavras que apenas ouves e nunca sentiste.

A: É o que eu penso sentir…

V: Tu não sentes absolutamente nada, vives, mas não sabes o que é sentir, não sabes o que é estar preso…

[Ficção]

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