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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Sala de cinema (12) – Amélie

Nesta edição da ‘Sala de Cinema’ voltamos a sair das longas-metragens anglófonas e damos o merecido destaque a um filme apaixonante – O fabuloso destino de Amélie Poulain, realizado Jean-Pierre Jeunet em 2001. Considerado como um das melhores películas francesas de sempre, este é um filme que marca uma geração pela sua originalidade e banda sonora extraordinária (belíssimo trabalho de Yann Tiersen!).

Esta comédia romântica dá enfoque à vida da inocente Amélie (Audrey Tautou) que muda-se para um bairro parisiense para trabalhar com empregada de café. Certo dia encontra uma caixa escondida na sua casa de banho e decide procurar o seu antigo morador. É assim que encontra Dominique Maurice (Bénichou). Ao ver que ele chora de alegria ao reaver os seus objectos, a rapariga fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Essa percepção faz com que a sua vida nunca mais seja a mesma…

É impossível não ficar encanto com este clássico do cinema gaulês que nos faz apaixonar por uma personagem com uma enorme sensibilidade. Audrey Tautou dá um toque especial à fábula de Jean-Pierre Jeunet, através das suas expressões e da sua simplicidade. A atmosfera, o enredo, a música transportam-nos para um mundo especial e singular. Nunca Paris foi tão bem retratado, a beleza da capital francesa está presente em cada cena do filme. As sequências nos parques parisienses são deliciosas!

A película recebeu excelentes críticas e tornou-se num sucesso de bilheteiras arrecadando cerca de 174 milhões de dólares (o orçamento foi de 10 milhões). O fabuloso destino de Amélie Poulain recebeu nomeação para cinco Óscares (Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direcção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Argumento Original e Melhor Som), mas não conseguiu arrecadar qualquer estatueta dourada.

 

Qual é a vossa opinião sobre o filme? O fabuloso destino de Amélie Poulain é o melhor filme francês de sempre? O cinema europeu está novamente a tornar-se uma força a ser temida por Hollywood?

 

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Uma homenagem à minha bisavó

Está quase na hora. Falta-me tempo. Corro desesperadamente ao teu encontro, a toda velocidade. O tempo escasseia cada vez mais, mas não desisto. Não posso parar, nunca me vou perdoar se o fizer. Sei que estás a minha espera, não te posso desiludir. Hoje não. Apesar das forças começarem a faltar, não deixo que as minhas pernas me atrasem. O tempo é cada vez menos e o desespero começa a apoderar-se de mim. As ruas estão apinhadas de gente e tu não vais esperar por mim. Hoje não vais deixar, fui avisado disso mesmo. As lágrimas do meu rosto confundem-se com o suor de uma corrida que já dura há mais de meia hora. Consigo ver o imponente edifício, falta pouco para nos encontrarmos minha querida. Por favor espera por mim, peço-te. Não partas, espera só mais um pouco. Está quase! Nada me vai parar agora, estou demasiado perto. Só quero chegar a ti. Cada segundo estou mais próximo, já perdi a conta dos encontrões que dei sem querer às pessoas que passaram por mim da rua. Contudo, o que importa é que cheguei ao local onde estás, volto a correr freneticamente pelo labirinto de corredores que decorei por ti. Parecem todos iguais, mas já te visei tantas vezes que é impossível enganar-me. Não há tempo a perder! Estou cada vez mais próximo do bloco C30 . Algumas enfermeiras estão à porta, ouço ao longe um “chegou a tempo”. Não tenho tempo para responder. Ignoro. Entro na sala e vejo-te. Estás tão fraca bisavó. Agarro na tua mão. “Foste amada”, disse quase sem folgo. Vi-te a sorrir e, por fim, fechaste os olhos para sempre. O mundo acabou para ti, no entanto ainda caem lágrimas minhas pela tua mão.

[Ficção]

 

 
 

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Ciência e Letras: dois pólos de conhecimentos afastados?

Ao longo dos anos existe a eterna divisão entre os dois maiores pólos de conhecimento – as letras e a ciência. O afastamento destes dois sectores de conhecimento já se alarga num grande período temporal o que leva assim a pensar-se na incapacidade social de uma junção entre ambas. Carlos Fiolhais, no livro Curiosidades Apaixonantes, explica mesmo que esta é a “barreira mais alta” nas divisões das disciplinas. No entanto, nos dias de hoje esse afastamento (ainda) faz sentido? Julgo que não…
Na verdade, existe ao longo da história, personalidades de ambos os ramos que contrariam esta lógica. Se tomarmos como exemplo o grande génio do ocidente, Leonardo da Vinci podemos analisar a sua qualidade tanto a nível literário como científico. Calvino, na literatura, e Galileu, na ciência, são também bons exemplos que provam que pode ser possível uma junção entre ambas as áreas. Já a nível nacional, temos também alguns exemplos desta possibilidade, como é o caso de Carlos Fiolhais um cientista com aptidões a nível literário, sendo que no outro lado da barricada, António Gedeão destaca nos seus poemas alguns conceitos científicos.
Na minha prespectiva, julgo que isto acontece devido a haver uma necessidade de projectar estes dois grandes pólos de conhecimento para uma junção que iria intelectualmente ser bastante proveitosa e que acredito piamente trará aspectos bastante positivos para ambas as áreas evoluírem. O certo é que tanto a ciência como as letras precisam uma da outra! A ciência necessita das letras para divulgação das descobertas e das publicações dos estudos e no que diz respeito às letras existe a necessidade de abranger esta área tanto a nível literário como noticioso. São opostos que, inevitavelmente, se atraem.
Assim sendo, não dar valor a uma destas áreas é um erro elementar. Existe cada vez uma ligação e junção de vários meios a nível mundial e está é cada vez mais pertinente. Há assim uma necessidade de criar uma sociedade que se preocupe com ambas as questões, não desprezando uma em detrimento de outra. De facto, é indepensável um rompimento à ideia retrógrada de divisão de prateleiras das diversas competências. Algo que não faz qualquer sentido! É certo que há muito a evoluir nesse prisma, mas a mudança é possível, até porque “nada se perde, tudo se transforma”.

 

Sozinhos na praia

Decidimos encontrarmo-nos na praia. Num fim de tarde com um calor intenso e arrasador não havia melhor local. Marcamos uma hora, mas como sempre cheguei atrasado. Sabes que faz parte de mim, nunca me preocupei em ser pontual. Quando me aproximei de ti já mostravas alguma impaciência, sempre detestaste os meus atrasos. A praia estava deserta, foi como se tivesse sido reservada apenas para nós dois.
Sorri quando me olhaste de forma a desculpar-me pelo atraso. Corri ao teu encontro e abracei-te, como é bom ter-te novamente nos meus braços. Voltar a sentir-te sabe demasiado bem. Já não te via à dias e tu estavas melhor que nunca, um espanto. Caprichaste. Deu para reparar que preparaste esta saída minuciosamente. Fiquei feliz por te provocar essa necessidade.
Percorremos um pouco da praia de mãos dadas, mas rapidamente sentamo-nos perto da água para juntos vermos o pôr de sol. É um clichê fazê-lo, mas contigo tudo vale a pena ser vivido. Na verdade, tive imensas saudades. Partiste sem te despedires, o trabalho chamava-te e o meu coração teve que suportar essa tua ausência. Foi tão difícil estar longe da pessoa que amamos. Falta-nos um pedaço. Agora junto a ti estou completo.
Dou-te um terno beijo, é tão bom estar apaixonado. Mesmo com duas vidas completamente diferentes conseguimos amarmo-nos cada vez mais. Podem dizer que temos uma forma esquisita de amar, mas discordo. Se todas as pessoas são diferentes, terá de haver diversas formas diferentes de amar. Nunca há uma forma absoluta. Falamos durante longos minutos, conversamos sobre tudo. És a minha conselheira, confio em ti completamente. Assim é o amor, cheio de confianças e crenças.
Prometeste-me que esta saída iria ser inesquecível, presumi que fosse pelo nosso reencontro. Adoras que eu fique curioso e eu não te sei resistir. Começas a ficar agitada e rosada, sinto que estás a preparar alguma. O teu olhar mudou e esboçaste um sorriso atrevido. Aproximaste a tua boca ao meu ouvido e disseste: “Hoje vamos fazer algo diferente”. Dito isto deitaste-me na areia e ficaste em cima de mim. De facto, foi mesmo uma tarde inesquecível.  

Imagem retirada de: http://melhoresamigas.ig.com.br/

 
 

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Questões inevitáveis (12)

Com a proximidade do Europeu de 2012, a edição deste mês das Questões Inevitáveis propõe-se a aborda as expectativas de Portugal para esta grande competição. A equipa nacional encontra-se no Grupo B com Alemanha, Holanda e Dinamarca, naquele que é considerado o grupo mais difícil da competição que decorre na Ucrânia e na Polónia. Apenas duas equipas seguem para próxima ronda, o que vaticina duras batalhas para a nossa selecção.
A confiança na equipa parece ter diminuído, após maus ensaios com a Macedónia e com a Turquia, mas uma boa competição está ao nosso alcance.  Aliás, a equipa das quinas já mostrou por diversas vezes que se supera quando os desafios são mais complicados. Será que Cristiano Ronaldo e companhia tem capacidade de ultrapassar a fase de grupos (objectivo traçado por Paulo Bento)? Se sim, até onde Portugal pode ir? E tu, qual é a tua opinião?

 

Quais são as expectativas para a campanha de Portugal para o Europeu? Porquê?

 

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo?

Cristiano Ronaldo é inevitavelmente a bandeira do desporto português além-fronteiras. Uma história de sucesso desportivo, de perseverança, de talento e de, principalmente, muito trabalho. Como em temporadas passadas, carregou nas suas costas a sua equipa: marcou, deu a marcar, fintou e correu. Foi uma máquina de jogar e fazer futebol. Apesar de algumas atitudes irreflectidas, é impossível colocar-lhe falhas ao seu despenho desportivo e profissionalismo.
A extraordinária técnica e a sua imprevisibilidade fazem dele uma ameaça constante à defesa adversária. Durante toda a época, Ronaldo foi o Real Madrid. É um rei na capital espanhola e os adeptos tem muito que agradecer a dedicação deste português para a conquista do título da liga espanhola. Os números do avançado do são de outro planeta: 52 jogos e 58 golos marcados. Um assombro! Não haveria dúvidas em proclamá-lo o melhor do mundo caso Leo Messi não existisse.
Além de ter de jogar contra os adversários em campo, Ronaldo enfrenta a sombra de Messi em todos as partidas. Os adeptos de futebol são mesmo uns privilegiados em ter dois jogadores deste nível a jogarem na mesma altura. Nesta época, o português até leva vantagem no confronto contra o argentino, mas complicou a sua situação com a eliminação das meias-finais da Liga dos Campeões (o Barcelona de Messi também caiu nesta mesma fase). Se Ronaldo tivesse vencido a distância entre os dois seria enorme, mas não o conseguiu e paira uma grande incerteza sobre quem vai ser o melhor do mundo neste ano.
No meu ponto de vista, vencer a liga espanhola pode ser curto para que Ronaldo vença a Bola de Ouro. Pelas enormes exibições que tem feito, acredito que CR7 ainda está em vantagem, mas terá que continuar neste nível de excelência.  E isso significa protagonizar um Europeu em grande, pois um mau desempenho pode levar a que seja classificado como um jogador que falha nas grandes decisões. Estou certo que a prestação nesta competição terá um peso decisivo na decisão final sobre quem será coroado o melhor jogador do mundo. Uma prova em que Messi não poderá participar por ser… argentino.
Se é justo dizer que nesta época Ronaldo esteve um patamar acima dos demais, é necessário que ele continue com exibições desta qualidade nos próximos desafios. Não pode permitir que os adversários se aproximem. Contudo, independentemente de vencer ou não este título, Ronaldo devia ser um orgulho no desporto nacional. Nunca nenhum português venceu duas Bolas de Ouro e este está muito próximo de consegui-lo. Pode-se gostar ou não da pessoa em causa, mas CR7 merece respeito pelo excelente trabalho que tem protagonizado ao longo da sua carreira.

 

"Os Grandes Portugueses" (12) - Carlos Lopes

Nome: CARLOS Alberto de Sousa LOPES

Data e Local de Nascimento: VildeMoinhos (Viseu), 18 de Fevereiro de 1947

Profissão que se notabilizou: Atletismo

 

Feitos importantes:

  • De origens modestas, Carlos Lopes começou a trabalhar como servente de pedreiro com apenas onze anos para ajudar a sua família. Foi ainda empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Quando em adolescente o clube de futebol da terra o recusou por ser demasiado magro, decidiu envergar por outro desporto – o atletismo.
  • Aos dezasseis anos compete na sua primeira prova oficial numa corrida de São Silvestre em que fica no segundo lugar, mesmo competindo com atletas mais experientes. Pouco tempo depois, ganha o campeonato distrital de Viseu de crosse e fica em terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para juniores. Com esse resultado qualifica-se para o Cross das Nações em Rabat (Marrocos), onde é o melhor português (25.º lugar).
  • Em 1967, vai para Lisboa para trabalhar como serralheiro, mas acaba recrutado para equipa de atletismo do Sporting.  É lá que encontra o treinador da sua vida Mário Moniz Pereira, mentor de várias gerações de atletas portugueses. Treina duas vezes por dia em sintonia com outros trabalhos. Em 1976, ganha pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-mato, que se realizou em Chepstown (País de Gales). Voltaria a vencer esta competição por mais duas vezes em Nova Iorque (1984) e em Lisboa (1985).
  • Nos Jogos Olímpicos de 1976, em Montreal (Canadá), conquista uma medalha de prata nos 10 000 metros, sendo apenas batido pelo finlandês Lasse Viren. Era a primeira medalha olímpica para Portugal no atletismo. Em Los Angeles (1984) torna-se o primeiro português a ser medalhado com o ouro nos Jogos Olímpicos! Com 37 anos, vence a mítica Maratona com um recorde olímpico (2h9m21s) que apenas seria batido em Pequim (2008).
  • Carlos Lopes torna-se o atleta mais velho a vencer uma Maratona, algo que até foi mencionado na icónica série Simpsons (ver aqui), apesar de erradamente terem dito que ele tinha 38 anos. Em 1984, Carlos Lopes foi condecorado pelo então Primeiro Ministro Mário Soares, com a Medalha de Honra de Mérito Desportivo, o Colar de Mérito Desportivo e a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Em 2013, Carlos Lopes foi nomeado director do departamento de atletismo do Sporting Clube de Portugal.

Consideram Carlos Lopes um dos maiores atletas portugueses? Qual pensam ter sido o momento mais marcante da sua carreira?

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