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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Imagem espontânea (14)

A Imagem espontânea chega à sua décima quarta edição e regressa ao distrito de Setúbal. A fotografia foi tirada na Serra da Arrábida, um local que apresentou, recentemente, a sua candidatura a Património Mundial Misto da UNESCO. A candidatura visa preservar a presença de espécies da fauna e flora raras ou únicas na cordilheira, bem como proteger os fenómenos geológicos de grande importância para o território nacional.

Debruçada sobre o Atlântico, esta serra estende-se, a cerca de 500 metros de altitude, ao longo do litoral entre Setúbal e Sesimbra. Fundado em 1976, o Parque Natural da Arrábida é uma reserva biogenética com uma área aproximada de 10 800 hectares, protegendo a vegetação de tipo mediterrânico nascida deste microclima. Na fauna, também abundante, estão registadas 213 espécies de vertebrados, um número considerável, tendo em conta que as zonas húmidas constituem uma pequena percentagem deste território.

Com o tempo fantástico dos últimos dias, é um local maravilhoso para uma bela caminhada. Para além disso, é uma óptima oportunidade de aproveitar a beleza da natureza. Uma pérola no estuário do Rio Sado!

 

 

 “A noite abre as flores em segredo e deixa que o dia receba os agradecimentos” (Rabindranath Tagore )

Dias de Verão

O plano já estava traçado – um dia de praia contigo. Apenas eu e tu, um tempo a sós para nós. Já merecíamos estar umas horas sem interrupções ou problemas. A verdade é que sabe tão bem estes dias onde deixamos tudo e onde posso deliciar-me única e exclusivamente com os teus sorrisos. Olhar para ti e continuas a deslumbrar-me todos os dias. Não há melhor que estes dias de Verão. Fomos para o sítio do costume, o nosso lugar. Aquela parte da praia está sempre vazia, como se fosse um local privativo apenas para nós. O nosso espaço. É uma sensação única, quase como um sonho. “Vai uma corrida até à água amor?”, disse entre risos. Tu dás um sorriso provocador e sem resposta começas a correr. Corro em tua perseguição e consigo agarrar-te. Olho-te nos olhos, é impossível não ficar enfeitiçado. Dou um longo e apaixonado beijo. Sabe tão bem estar assim contigo, és tudo aquilo com que sonhei. O beijo terminou e faço um sorriso dengoso. Desta vez fui eu a começar a correr sem aviso prévio. Adoro as nossas brincadeiras. Somos assim, felizes. Corro mais devagar para me apanhares e deixo que me dês um longo e precioso abraço. É impossível não estar bem contigo por perto, és a minha felicidade. Sem estares à espera, pego em ti. Dás um grito de surpresa e pedes para te por na areia, mas eu não consigo deixar de lançar uma gargalhada. Tentas conter o sorriso mas ele acaba por aparecer, há essa química entre nós. Entro na água gelada e aí sim baixo-te com segurança. Acabamos por cair os dois na água, olhamos os dois sérios um para o outro. Contudo desmanchamo-nos rapidamente a rir, são assim cheias de diversão os nossos dias de Verão.   

 

Ao som de... (14) [Metallica - Master of Puppets]

Na décima quarta edição de Ao som de…, a Master of Puppets dos norte-americanos Metallica é a música em destaque. A banda de metal, formada em 1981 na cidade de Los Angeles, já lançou nove álbuns de estúdio, quatro álbuns ao vivo e uma colectânea. Os Metallica tornaram-se um dos mais influentes grupos de heavy metal com mais de 140 milhões de registos vendidos em todo o mundo. O grupo já ganhou nove Grammy Awards, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame e teve cinco álbuns em primeiro lugar na Billboard 200.

Ao longo dos anos, a banda norte-americana ganhou uma crescente base de fãs na comunidade de música underground, e alguns críticos dizem que o lançamento de 1986 Master of Puppets é mesmo um dos álbuns de thrash metal mais influentes. Com êxitos como Enter Sandman, The Unforgiven ou Nothing Else Matters, a sua formação actual é constituída por quatro elementos: James Hetfield (vocal e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo).

 

Saudade de um amigo

Prometemos que a nossa amizade ia ser eterna, que nada nem ninguém iria ser capaz de derrubá-la. Pensado nisso, foi há tanto tempo que isso aconteceu… Ainda te lembras? Foi um momento tão verdadeiro e puro, mas que agora perde cada vez mais cor e beleza. Vivemos perto um do outro, mas parece que vives noutra parte do globo. Já me esquecia quando foi a última vez que te vi. E isso é estranho porque sempre pensei que fosses o último a abandonar-me mas foste o primeiro. Irónico, não? Agora onde estão as palavras de amizade? E eu que tenho tanta coisa para te contar meu amigo, mas já nem me recordo da nossa última conversa. Eras o irmão que nunca tive, hoje já não sei o que és. Pergunto-me diariamente.  Não vou esconder, mas isso magoa. O teu silêncio dói cada vez mais. Lutei por uma aproximação, esforcei-me para que as coisas voltassem a ser como antes. Nada volta para trás e os nossos caminhos estão cada vez mais longe, apesar de estarmos aqui tão próximos. Hoje esta vida é estranha, onde não existe o teu conselho, a tua piada ou mesmo a tua provocação. Tenho ganho tantas batalhas amigo, mas todas elas são incompletas porque não tenho a tua palavra para me felicitar. Fomos inseparáveis, crescemos juntos e acompanhamos a vida um do outro. Será que isso não tem significado? Bolas, não tens reacção! Tenho mais a viver contigo, há muitas mais aventuras para passar. Hoje, escrevo estas palavras com muita saudade de uma amizade cúmplice, sincera e mágica. Amigo, quando nos voltamos a ver?

 

Sala de Cinema (13) – Os condenados de Shawshank

Os condenados de Shawshank é a pelicula em destaque na décima terceira edição da Sala de Cinema. Lançando em 1994, é um drama norte-americano dirigido por Frank Darabont e protagonizado por Tim Robbins e Morgan Freeman. Um execelente argumento e um desempenho fabuloso dos actores coloca esta película como um dos melhores trabalhos realizados na sétima arte.

Baseado na novela Rita Hayworth and Shawshank Redemption, do escritor Stephen King, o filme retrata o jovem e bem-sucedido banqueiro Andrew "Andy" Dufresne (Tim Robbins) sentenciado a duas penas consecutivas de prisão perpétua pelo assassinato da sua esposa e do seu amante, a serem cumpridas na Prisão Estadual de Shawshank. Rapidamente, ele torna-se amigo de "Red" Redding (Morgan Freeman), um influente presidiário, e começa a ser protegido pelos guardas após o director da prisão passar a utilizá-lo em operações de lavagem de dinheiro. Ao longo das quase duas décadas de Andy na prisão, ele revela-se um interno incomum que procura atingir os seus objetivos através dos seus próprios meios…

Apesar do filme ter uma fraquíssima recepção nos cinemas, arrecadando pouco mais de 28 milhões de dólares (três milhões de lucro em relação ao orçamento), recebeu diversas críticas favoráveis. O filme ocupa o 72° lugar na lista dos melhores filmes norte-americanos do American Film Institute, mas é considerado por muitos críticos como o melhor filme da história. Na lista Top 250 da The Internet Movie Database ocupa a primeira posição, com o maior número de votos. Os condenados de Shawshank receberam ainda sete nomeações para Óscar (melhor filme, melhor actor (Morgan Freeman), melhor argumento adaptado, melhor fotografia, melhor edição, melhor banda-sonora original e melhor som).

 

O que acham deste filme? Qual a explicação para tão pouco sucesso nas bilheteiras? Este é mesmo o melhor filme de sempre ou há outros títulos que merecem essa distinção?

 

 

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Toque do destino

O tempo arrefece rapidamente. O dia está estupidamente cinzento, a chuva aproxima-se. É melhor despachar-me, penso instantaneamente. Não posso chegar atrasado. Não podemos fugir do destino. A ideia provoca-me um sorriso irónico, seguida de um longo suspiro. Não há mesmo forma de evitá-lo... Nunca acreditei nestas tolices, mas agora tenho que me render às evidências. Curioso, como as coisas mudam por um mero acontecimento.

No início do dia, percorria caminhos ríspidos repletos de pessoas ruidosas e apressadas. Fazia-o despreocupadamente. Ninguém dava conta da minha presença, não passava de um fantasma nas ruas. Pensava que tudo isso iria acabar. Esse pensamento era a única razão que me fazia continuar a mover. A morte. Dolorosa, intensa e inevitável. Reconheço que pensava que ia acabar com tudo de uma vez por todas, sem qualquer tipo de dramatismo. Um simples tiro e tudo isto acabava.

A arma estava no bolso do casaco pronta para ser disparada. Dirigia-me a um campo próximo da minha casa. Nunca fui de grandes planos. Não estava à procura de uma morte majestosa , não! Queria apenas algo rápido e derradeiro. Um final seco, numa vida desapontante. A verdade é que deixei-me consumir pelo meu próprio ego e perdi tudo o que tinha. Fiquei sem trabalho, dinheiro e família e acabei sozinho nas terríveis malhas da solidão...

Admito que nestes momentos sombrios pensei que nada mais havia para lutar. Perdi o medo das consequências, talvez tenha sido presunçoso da minha parte… Mas nada me prendia aqui, resta-me acabar com tudo. Quando cheguei finalmente ao local, apontei a arma à minha boca. Queria terminar com tudo o mais rápido possível. A pistola estava brilhante, novinha em folha. Tinha sido comprada única e exclusivamente para aquele objectivo. Fechei os olhos.

Passaram várias fases da minha vida pela minha cabeça, enquanto estive com os olhos fechados. Como se tivesse a ver um álbum de fotografias que esperava pela última imagem – a minha morte. Comecei a puxar o gatilho da arma. Enfim, a liberdade. Hoje. AGORA, gritei. Triiiim . O som do telemóvel fez-me perder a força da mão e larguei a arma desengonçadamente. A pistola fica esquecida no meio da relva esverdeada. Tinha recebido uma mensagem, um toque do destino. Comecei a lê-la e deixei-me cair de joelhos com lágrimas a correrem-me descontroladamente pela face. “Tenho saudades tuas, pai. Onde estás?”, podia ler-se na mensagem.

 

[Ficção]

 

"Os Grandes Portugueses" (13) - Humberto Delgado

Nome: HUMBERTO da Silva DELGADO
Data e Local de nascimento: Torres Novas, 15 de Maio de 1906
Data e Local da sua morte: Villanueva del Fresno, 13 de fevereiro de 1965
Profissão que se notabilizou: Militar e Politico
 
Feitos importantes:

  • Termina o Colégio Militar em 1922 e entra na Escola do Exército onde consegue o primeiro lugar no final do curso de Artilharia em 1925. No posto de tenente frequenta o curso de piloto aviador e segue a carreira aeronáutica.
  • Participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926 e desempenhou cargos na Legião Portuguesa e faz parte do Conselho Técnico da Mocidade Portuguesa. Aos 47 anos é o mais novo general das Forças Armadas Portuguesas. Um ano antes ocupara o lugar de Adido Militar em Washington. Condecorado por ingleses e norte-americanos pelo apoio que dá à causa dos Aliados e pelo contributo para o bom relacionamento com Portugal.
  • Liderou o principal movimento de tentativa de derrube da ditadura salazarista através de eleições. Participou nas eleições presidenciais de 1958, contra o almirante Américo Tomás, reunindo em torno da sua candidatura toda a oposição ao regime. Devido à coragem que manifestou ao longo da campanha perante a repressão policial foi cognominado ‘General sem Medo’.
  • O resultado eleitoral não lhe foi favorável graças à gigantesca fraude eleitoral montada pelo regime. Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelos meios pacíficos procura atrair as chefias militares para um golpe de Estado, que decorreu em 1962, mas que também acabou por ser fracassado.
  • Desiludido com os sucessivos fracassos procura reconciliar-se com Salazar, mas acaba por cair numa armadilha, na fronteira Espanhola em Villanueva del Fresno é enviado um comando da PIDE, que o assassinou a tiro. Morre assim na fronteira, sem ter conseguido regressar a Portugal, no dia 13 de Fevereiro de 1965. Em 1990 foi nomeado, a título póstumo, Marechal da Força Aérea. O seu corpo está no Panteão Nacional.

Ligações externas :

http://www.vidaslusofonas.pt/humberto_delgado.htm