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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Um encontro surpreendente

Não podia deixar de se emocionar ao ler aquilo. O voo tinha sido atrasado por mais uma hora, o que queria dizer que ainda tinha hipóteses de a encontrar. Voltou a correr deixando à sua passagem o piso molhado pela chuva que tinha apanhado pelo caminho. Ignorou o olhar reprovador de uma funcionária que estava a limpar uma zona ali perto. Não queria saber de nada, apenas queria agarrar aquela nova oportunidade que o destino lhe tinha concedido.
Percorreu rapidamente as pequenas lojas que havia no aeroporto, mas não havia sinais dela. Girou sobre si, não conseguido esconder a apreensão e frustração de não estar a conseguir encontrá-la. Parou repentinamente e permaneceu ali de olhos fechados. O desespero tinha-o tomado. Segundos após ter parado, ouviu um riso que lhe era conhecido e que lhe fez abrir instantemente os olhos.
"Gi , durante quanto tempo vais continuar a andar à roda?”, ouviu atrás de si. Aquele nome e aquela voz. Reconhecia-o em qualquer parte do mundo. Virou-se e ali estava ela com aquele sorriso que o tinha enfeitiçado. Como sempre, estava lindíssima. A pele bronzeada contrastava com os olhos claros e o cabelo loiro. Usava um vestido branco que ele lhe tinha oferecido no mais recente aniversário de namoro. O seu coração bateu mais forte, ela era um encanto para os seus olhos.
- Estive a tentar encontrar-te por todo o lado, temi que já não o conseguisse – disse-lhe, sem esconder o nervosismo. Estava a sentir aquele momento.
- Não contava ver-te, pensei que nos tivéssemos despedido ontem. Então a que devemos este belo canto de cisne? – questionou com um tom de ironia. No dia anterior tinham estado juntos durante umas horas escaldantes. Aquelas provocações não passavam de uma máscara, por dentro sentia-se pessimamente por ter de ir abandoná-lo. Amava-o verdadeiramente.
- Precisava falar contigo... Tinha que estar contigo mais uma vez – gaguejou a responder. Ontem todas as tentativas tinham-se revelado ineficazes, mas sabia que hoje ia ser diferente. Não tinha alternativa, aquela era a sua última oportunidade.
- Infelizmente não podemos ter a conversa de ontem – segredou-lhe ao ouvido, provocando-o mais uma vez. Ela adorava tirar-lhe do sério, principalmente nos momentos de maior tensão. – Ontem quando te despediste não disseste que me amavas, vieste cá dizê-lo foi?
- Amar-te igual a ontem? Não... Hoje amo-te ainda mais, não consigo parar de fazê-lo. A cada dia cresce mais. Portanto, não poder ver-te é uma tortura que não quero suportar. – após ter dito isso entregou-lhe um pequeno envelope com um sorriso nervoso.
Com o coração acelerado e repleto de curiosidade ela abriu a carta rapidamente. Dentro estava uma passagem para o local para onde ela ia, mas para o dia seguinte. Era um bilhete para ele. Ao ver aquilo, começou automaticamente a chorar. Contudo, aquele não era o único conteúdo do envelope. No interior estava um desenho de um anel.
- Mas que raio é isto Gi ? - perguntou-lhe confusa. Precisou de baixar o olhar para o ver. Ele estava de joelhos junto dela com um anel na mão.
- Por favor, casa comigo – pediu-lhe com a voz a tremer.

    

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Sala de Cinema (22) – Toy Story 3

Regressamos aos filmes de animação com o Toy Story 3, uma das mais aclamadas longas-metragens nesta área. Distribuído pela Disney e produzido pela Pixar, esta película de 2010 é a animação mais rentável da história do cinema com o fantástico resultado de 1,063 mil milhões de dólares. Em 2011, foi mesmo considerado pela revista TIME como um das 25 melhores animações de sempre. Com vários prémios conquistados, destaque para a vitória no óscar de melhor filme de animação e no óscar de melhor canção original (We Belong Togheter).

O filme aborda o momento em que Andy (John Morris), de 17 anos, está prestes a ir para a faculdade. Assim, precisa de arrumar o quarto e definir o que irá para o lixo e o que será guardado no sótão. A maior parte dos seus brinquedos, entre eles Buzz Lightyear (Tim Allen), Jessie (Joan Cusack) e o Sr. Cabeça de Batata (Don Rickles), são separados para serem guardados no sótão. Entretanto, uma confusão faz com que a mãe de Andy os coloque no lixo. Woody (Tom Hanks), que será levado por Andy para a faculdade, decide salvá-los. O que dá início a mais uma grande e emocionante aventura dos mediáticos bonecos!

Não é muito comum as sequelas resultarem, mas esta é uma das poucas excepções. Mesmo com as expectativas bastante altas, este é um daqueles clássicos instantâneos de que não há dúvidas que vão permanecer marcados na história. De facto, Toy Story 3 tem tudo o que o grande filme deve ter: divertido, comovente, entusiasmante e inteligente. As passagens de comédia são memoráveis e são extraordinariamente englobadas com momentos de emoções fortes. Além disso, os momentos finais da película são extremamente comoventes, é quase impossível não ficar ligado emocionalmente com tudo o que se está a passar… Sem dúvida, um filme que merece ser visto e revisto! 

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Perdido no aeroporto

Impossível! Não ia deixar a pessoa mais especial da sua vida partir daquela maneira. Iria lutar até ao fim, até que as suas forças acabassem. Não ia desistir tão facilmente, desta vez não. Não podia deixar sentir alguma responsabilidade por aquilo que estava a acontecer, tinha que a ver por uma última vez!
A chuva caia descontroladamente, a cada minuto a força parecia aumentar. Não se importou com isso, iniciou novamente a marcha. Desesperadamente, começou a correr o mais rápido que podia naquelas travessas semelhantes. Precisava de encontrar um táxi em algum lugar, mas as ruas estavam vazias. Só quando chegou a uma artéria principal é que conseguiu encontrar um que o pudesse levar até ao aeroporto. Aquele carro avançou pela capital numa corrida pelo amor verdadeiro. Desta vez não ia recuar. Ia dar o passo decisivo que não tinha tido coragem de dar durante meses. Sentia-se inútil por não ter sido capaz de lhe dizer tudo o que sentia, as palavras tinham ficado caprichosamente presas na garganta. Arrependia-se diariamente por aquela cobardia.
Repentinamente, acordou dos seus pensamentos quando sentiu o carro abrandar, ao olhar para a frente entrou em pânico. Não podia acreditar no azar que estava a ter! Á sua frente encontrava-se uma longa fila de carros que tornava irreal a ideia de poder chegar a tempo. Assim, não teve escolha a não ser pagar ao taxista e ir a correr até ao aeroporto. A hora estava a ficar perigosamente apertada, receava chegar demasiado tarde. O seu coração tremia quando via algum avião descolar. Podia ser ela não conseguia deixar de pensar. Completamente molhado, chegou ofegante à porta do aeroporto e dirigiu-se rapidamente ao quadro de voos. Os seus olhos percorreram rapidamente a informação e quando terminou uma lágrima caiu pela sua face.

[Ficção]

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"Os Grandes Portugueses" (21) - António Variações

Nome: António Joaquim Rodrigues Ribeiro "ANTÓNIO VARIAÇÕES"

Data e Local de Nascimento: Lugar de Pilar (Braga), 3 de Dezembro de 1944

Data e Local da sua morte: Lisboa, 13 de Junho de 1984

Profissão que se notabilizou: Musico e Compositor

 

Feitos importantes:

  • Cedo procurou a sua independência e foi aí que com 12 anos partiu para Lisboa, onde trabalhou como escriturário, barbeiro, balconista e caixeiro. Depois de cumprir o serviço militar em Angola, António Variações partiu para o estrangeiro (Londres e Amesterdão), onde descobriu um novo mundo, querendo trazer para Portugal uma nova maneira de viver.
  • Com a ajuda do amigo e colega Fernando Ataíde, Variações foi admitido no Ayer, o primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal. Ataíde era igualmente seu amante e Variações assumiu dessa forma a sua orientação sexual. Depois do Ayer, passou ainda por um salão no Centro Comercial Alvalade e só mais tarde abriu uma barbearia na baixa lisboeta.
  • Entretanto, deu igualmente início aos espectáculos com o grupo Variações, atraindo rapidamente as atenções. Em 1981, sem ter até aí editado qualquer música, participa no programa de televisão de Júlio Isidro, O Passeio dos Alegres. A sua música e o seu estilo próprio inconfundível fizeram com que depressa alcançasse uma fama razoável.
  • Em 1983, gravou o seu primeiro LP, Anjo da Guarda com dez faixas, todas de sua autoria, onde se destacaram os êxitos É p´ra Amanhã e O Corpo É que Paga. Um ano mais tarde, lançou o seu segundo trabalho, intitulado Dar e receber. Nesse mesmo ano teve esse último concerto que foi dado a 22 de Abril em Viatodos, aldeia do concelho de Barcelos.
  • Quando Canção de Engate invadiu as rádios, já António Variações se encontrava internado no hospital. Morre, a 13 de Junho, vítima de uma broncopneumonia, provavelmente causada pela SIDA. Especula-se que terá sido a primeira figura pública portuguesa a morrer vítima dessa doença. Vinte anos após a sua morte, em Dezembro de 2004, é lançado um álbum em sua homenagem, com canções da sua autoria que nunca tinham sido editadas.

 

Álbuns

1983 - Anjo da guarda

1984 - Dar & Receber

1998 - Anjo da guarda [Póstumo]

2000 - Dar & receber [Póstumo]

 

Uma corrida contra o tempo

Faltavam poucos dias para começar o verão mas inexplicavelmente chovia. Isso não o impediu de sair de casa extremamente apressado. Nem o tempo tinha pena daquele pobre coitado. O dia estava longe de correr bem, na verdade corria pessimamente. Hoje, a mulher que sempre amou ia partir para outro país. Uma viagem só de ida, sem prazo de regresso. A saudade já se tinha apoderado dele. A pessoa que mais amou ia desaparecer da sua vida, nada lhe fazia mais triste que perceber a inevitabilidade da situação. Contudo, mão podia deixar isso acontecer. Ia lutar para que aquele amor não se perdesse no caos do tempo e da distância. Não ia desistir, não se podia permitir a isso.

Correu rua fora, ainda estava a tempo de a encontrar e de demovê-la daquela decisão. Não era dado a loucuras, mas a situação era demasiado intensa para não fazer nada. O momento revelava-se problemático teria que fazer tudo para lutar por aquele amor intenso e sincero. Estava encharcado quando chegou à rua dela. Viu que estava um táxi à frente da sua casa que começou a andar segundos depois de ter virado a esquina. Tinha-a perdido para sempre? 

 [Ficção]

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