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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O preço das palavras

Emagrecera bastante nos últimos dias, o ópio estava cada vez mais a apoderar-se do seu corpo. Alimentava-se muito mal, a sua vida era o vício e escrever aquele livro. Restava-lhe poucas forças para escrever, sentia uma fraqueza extrema. Passava das três da tarde e ainda não tinha comido nada. Na verdade, não tinha qualquer comida em casa, todo o seu dinheiro tinha sido gasto no ópio.

Naquele momento, a sua mão tremia descontroladamente, era-lhe difícil escrever, mas não vacilou e continuo para a página seguinte. O seu bloqueio era, definitivamente , algo do passado. O esforço que fazia para continuar era quase sobre-humano e demonstrava uma força espantosa. Foi assim que pegou na restante coragem que tinha para escrever o último paragrafo, a última frase e, finalmente, a última palavra.

Conseguira terminar o livro! Numa espécie de alucinação deixou cair uma pequena lágrima que correu por toda a face. Finalmente, tinha conquistado o seu obstáculo. Poucos momentos depois, sentiu uma forte dormência Lutou estoicamente, mas caiu inanimado no escritório. Já não sentiu a dor do choque…

Só na manhã seguinte o seu corpo foi descoberto. A sua editora preocupada por ele não lhe atender o telefone foi até ao seu apartamento. Contudo, tinha sido tarde demais , apenas encontrou um corpo sem vida. Ali perto, estava o livro terminado. A editora não conseguiu dar um pequeno sorriso quando pegou nele. “Foste até ao fim com a tua palavra”, deixou escapar, após um longo suspiro. Um mês depois o livro estava nas bancas, tornando-se um sucesso instantâneo… 

[Ficção]
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Ao som de… (23) [Frank Sinatra – Fly me to the Moon]

Um cantor que é apelidado como ‘A Voz’, é uma demonstração de um talento fascinante. Frank Sinatra está um patamar acima dos restantes, arrecadando um sucesso impar que faz dele um absoluto génio. Um predestinado, para ser mais correcto. Assim sendo, parece-me que não há melhor escolha para compensar esta ausência do que trazer-vos um dos maiores talentos musicais de sempre. O espectáculo passou a ser diferente depois deste homem pisar os palcos!  

Filho de imigrantes italianos, o então Francis Sinatra nasce a 12 de Dezembro de 1915 em Hoboken, New Jersey. Viveu uma adolescência complicada, onde chegou mesmo a ser preso. Num ambiente nefasto, acabou por não conseguir concluir o secundário, sendo expulso no 47.º dia (!) por conduta agressiva. Para se sustentar começou a distribuir os jornais, mas a música foi sempre o seu grande objectivo, a sua paixão. Nunca teve educação vocal, aquilo que ele aprendia era a escutar os grandes clássicos da música jazz.

Foi aos 20 anos que conseguiu a sua oportunidade ao vencer um prémio que o catapultou a um sucesso sem precedentes. Sem treino formal, o agora ‘Frank’ Sinatra conseguiu desenvolver um estilo altamente sofisticado. A sua habilidade em criar uma longa e fluente linha musical sem pausas para respiração e a sua manipulação de frases tornaram-se lendárias. "Fly me to the moon", "My Way" ou "New York, New York" foram alguns dos exitos que pautaram uma carreira recheada de sucesso que contabilizou onze Grammy Awards (entre os quais o Grammy Legend Award e o Grammy Lifetime Achievement Award). O cantor norte-americano foi ainda homenageado no Prémio Kennedy em 1983 e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade de Ronald Reagan em 1985, bem como a Medalha de Ouro do Congresso em 1997. Com a saúde debilitada, o ‘Blue Eyes’ parou de fazer shows em 1995. Três anos depois acabaria por sucumbir com um ataque cardíaco em Los Angeles. 

Além da música, Sinatra também teve sucesso no cinema, vencendo mesmo um Óscar de melhor actor secundário (From Here to Eternity, em 1953). Obteve ainda uma nomeação para o Óscar de melhor actor pela sua performance em The Man with the Golden Arm (1955). O seu trabalho na sétima arte valeu-lhe um Óscar Humanitário, em 1972. 

É justa a alcunha d' 'A Voz'? Qual é a vossa música preferida de Sinatra? É possível atingir o nível de excelência deste cantor? 

Nos meandros do vício

Deixou escapar um pequeno trago, numa sensação que tinha-lhe um prazer imenso. Não podia negar que sentia saudades de tudo daquilo. Tinha-se mantido sóbrio durante três anos, publicara um livro de sucesso, mas aos poucos tudo se começava a desmoronar . Estava bloqueado há meses e acabou por regressar ao ópio há uns dias. Tinha encontrado novamente a sua escuridão …

Esforçou-se para não desejar aquela vida de novo, mas a sua força de vontade foi demasiado ténue. Sabia que era demasiado fraco e que precisava de voltar a fumar. A sua luta contra o vício tinha terminado, decidiu que não iria fugir mais daquele desejo. Na primeira vez que voltou a ficar pedrado, usou  a pilha de papeis brancos que não tinha utilizado nos últimos meses. Primeiro escrevia coisas sem qualquer sentido. Palavras soltas, mas com o tempo foi conseguido fazer delas frases.

A sua inspiração tinha regressado com o seu vício. Em pouco tempo, encontrou o tema do seu livro. Iria escrever sobre aquela solidão e escuridão que sentia, a antítese perfeita do livro repleto de esperança que o tinha levado ao estrelato. Sabia que aquela era a sua única solução aceitar a escuridão da sua mente, não podia fingir que não era aquela pessoa. Sentia-se fraco, mas conseguia-se obrigar a continuar. Em menos do mês, o livro estava quase completo. Aquele livro tornou-se o seu tónico para fugir ao estado de depressão em que começou a sentir. Enquanto acolhia em absoluto a escuridão, só conseguia sorrir enquanto escrevia…

[Ficção]

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Imagem espontânea (23) – Dia Mundial da Fotografia

Amanhã celebra-se o Dia Mundial da Fotografia, evento proclamado em 1839 pelo governo francês. Poucos anos antes, em 1826, tinha sido feita a primeira fotografia reconhecida pelo gaulês Joseph Nicéphore Niépce. Uma fotografia não é mais do que uma técnica de gravação por meios químicos, mecânicos ou digitais, de uma imagem numa camada de material sensível à exposição luminosa. Num mundo digital, a fotografia mantém-se popular, tornando-se uma área bastante desejada seja para lazer ou por profissionalismo.

Neste dia especial, não há melhor do que fazer uma menção numa rubrica que já faz parte deste blogue. Esta fotografia foi tirada na Quinta da Fidalga, um monumento histórico localizado na cidade do Seixal. A fundação desta quinta remonta ao século XV, estando associada a Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, que se fixou no Seixal para assistir à construção das caravelas que supostamente o levariam à Índia. Desde 2001, este local passou a ser propriedade da Câmara Municipal do Seixal.

Desde a sua construção funções agrícolas ou de lazer, ainda hoje a Quinta da Fidalga conserva algumas árvores dessa época. Este ex-libris seixalense, distingue-se também pelo magnífico Lago de Maré, que constitui um monumento raro ou quase único na arquitectura hidráulica portuguesa. Os jardins são magníficos e merecem uma visita obrigatória para quem passa pela baía do Seixal. É um bom local para relaxar e aproveitar a beleza estonteante, além do mais a entrada é gratuita!  

“Quanto mais você glorifica e celebra sua vida, mais você tem na vida para celebrar.” - Oprah Winfrey


A fotografia é algo que tem importância na vossa vida? Qual é a área da fotografia que mais vos desperta curiosidade? Se pudessem tirar uma fotografia em qualquer sítio do mundo, qual seria? 

Perdido num bloqueio literário

“Não consigo escrever nada”, gritou desesperado sem conseguir reter as lágrimas que lhe caíram da face. Era um jovem escritor que há dois anos tinha lançado um livro com um sucesso tremendo que o tinha catapultado aos holofotes da fama. Agora, encontrava-se num enorme impasse, num bloqueio literário que o tornava incapaz de escrever três frases com sentido. A frustração estava a tornar tudo ainda mais difícil de suportar. Os dias iam passando e ele mantinha-se preso naquele labirinto sem saída. Mesmo com os telefonemas periódicos da sua dedicada editora continuava preso, sem conseguir ultrapassar aquela montanha que se tinha formado diante dele. Ela perguntava-lhe semanalmente como as coisas estavam a ir com o novo projecto. A sua resposta era sempre a mesma: “há cada vez mais progressos”. Dizia aquilo há quase um ano e, apesar, de se arrepender de lhe estar a mentir não conseguia suportar dizer-lhe a verdade. Era demasiado doloroso afirmar que não passava de um falhado. Sentia-se em baixo e absolutamente só. Não queria ver familiares ou amigos. Tinha-se isolado em sua casa, na bolha que era o seu desespero. Sem esperanças, sem expectativas …

[Ficção]

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