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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O encontro desejado

Respiro fundo, estou numa pilha de nervos. Cheguei à porta principal do aeroporto com uma respiração ofegante. Corri para chegar o mais rápido possível, não consigo esperar mais. Faltava um minuto para a hora combinada. Vou em direcção à zona das chegadas. A pressão era enorme… As portas abrem-se mas apenas aparecem estranhos. A adrenalina estava ao máximo, apenas te queria ver. As saudades consumiam-me. Os segundos a passar eram uma tortura constante. Engulo em seco quando te vejo a aparecer, o meu coração acelerou instantaneamente. A aproximar-se de mim com passos nervosos tinha a mulher da minha vida. Os seus cabelos loiros destacam-se naquela pele de porcelana. Para mim era a perfeição na Terra! O aeroporto estava repleto de gente mas os meus olhos apenas iam uma pessoa. Soltei um sorriso nervoso. “Finalmente estás aqui”, pensei, enquanto corria ao seu encontro. Nada mais importava. A única coisa que desejava era estar nos seus braços num abraço eterno. Juntos num só, é assim que a vida vale a pena…

Imagem retirada de: http://cronicasdasurdez.com/

 

 

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Sala de cinema (37) – Especial Óscares 2015

Na madrugada de ontem realizou-se a cerimónia dos Óscares com Birdman a sair como grande vencedor. Realizado no Dolby Theatre, em Los Angeles, premiou-se mais uma vez a excelência da indústria cinematográfica. Neil Patrick Harris, o inesquecível Barney da série How I meet your Mother, foi o apresentador da noite. O actor realizou um trabalho sólido mostrando toda a sua versatilidade e talento.

Numa passadeira vermelha de 90 metros longe de deslumbrar, parece ter havido o cuidado de não errar. A forte chuva que se fazia sentir talvez tenha sido iniibidora de looks mais arrojados. Poucos foram os que arriscaram, ainda assim o glamour e a beleza esteve mais uma vez presente em grande escala em Los Angeles. Com 9 indicações cada Birdman e The Grand Budapest Hotel foram os filmes com mais nomeações pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Este é um dos grandes fenómenos televisivos mundiais onde se estima a visualização de vários milhões de espectadores pelos quatro cantos do mundo. A octogésima sétima edição da cerimónia foi transmitida ao vivo pela emissora de televisão ABC e com o sinal que chegará a outras emissoras de mais de 225 países e territórios. Como já é tradição (ver aqui e aqui), o blogue acompanhou todo o evento em directo desde da passadeira vermelha até à entrega da última estatueta dourada.

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1 - O anfitrião da noite, Neil Patrick Harris, marcou presença no Dolby Theatre na companhia do seu marido David Burtka. Num fato cinzento, o actor de 41 anos aposta num visual mais sóbrio e elegante.

2 - Patricia Arquette foi uma das presenças mais notadas nesta noite inesquecível em Los Angeles. Elegante e num registo simples, a vencedora ao Óscar de Melhor Actriz Secundária pelo trabalho em Boyhood espalhou charme com a sua simplicidade.

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3 - Julianne Moore não arriscou na escolha da indumentária, optando por algo que combina com o seu tom de pele clara. A vencedora ao Óscar de Melhor Actriz pelo seu papel em Still Alice esteve sempre sorridente, provavelmente a prever a noite mágica que ia ter.  

4 - Emma Stone apareceu divinal como é natural, numa escolha perfeita. Apesar da cor ser algo incomum ficou bastante bem na actriz nomeada para Melhor Actriz Secundária pela performance em Birdman.   

Birdman, do mexicano Alejandro González Iñarritu, foi o grande vencedor da 87ª edição dos Óscares 2015. O filme levou para casa quatro Óscares, inclusive o de Melhor Filme, considerado o galardão mais importante do evento. Além disso, arrecadou ainda o de Melhor Realizador, de Melhor Argumento Original e de Melhor Fotografia.

Numa noite muito repartida a nível de prémios quem também acabou com quatro estatuetas douradas foi Grand Budapest Hotel de Wes Anderson. O filme anglo-alemão arrecadou prémios mais técnicos ao vencer as categorias de Melhor Banda-Sonora, Melhor Caracterização e Melhor Guarda-Roupa. Com três estatuetas douradas Whiplash foi uma das grandes surpresas da noite. Melhor Actor Secundário (J.K. Simmons), Melhor Mistura de Som e Melhor Montagem foram as categorias premiadas.

De facto, na representação não houve qualquer surpresa com os favoritos a conquistarem os Óscares. Julianne Moore (Still Allice) para Melhor Actriz e  Eddie Redmayne (The theory of everything) para Melhor Actor receberam os louros das suas fantásticas representações. O grande derrotado da noite – Boyhood – ganhou o único prémio da noite pelo trabalho de Patricia Arquette (Melhor Actriz Secundária), apesar de estar nomeado para seis categorias. Outros derrotados de uma longa cerimónia de quase quatro horas foram The Imitation Game (Melhor Argumento Adaptado) que em oito nomeações apenas venceu uma e American Sniper (Melhor Edição de Som) com seis nomeações e apenas uma vitória.

Big Hero 6, uma produção Disney/Marvel, ganha a estatueta dourada para melhor animação, naquela que para mim é uma agradável surpresa. Uma parceria que tem um início bastante auspicioso. Para melhor filme estrangeiro, a longa-metragem polaca Ida arrecadou o prémio. Por sua vez, John Legend e Lonnie Lynn ganham o Óscar para melhor canção, com Glory, e foram aplaudidos de pé num dos grandes momentos da noite no Dolby Theatre.

Veja a lista de todos os vencedores:

- Melhor Filme: «Birdman» 

- Melhor Ator Principal: Eddie Redmayne, em «The theory of everything» 

- Melhor Atriz Principal: Julianne Moore, em «Still Alice» 

- Melhor Ator Secundário: J. K. Simmons, em «Whiplash» 

- Melhor Atriz Secundária: Patricia Arquette, em «Boyhood» 

- Melhor Realizador: Alejandro González Iñárritu, com «Birdman» 

- Melhor Argumento Original: «Birdman» 

- Melhor Argumento Adaptado: «The Imitation Game» 

- Melhor Guarda-Roupa: «Grand Budapest Hotel» 

- Melhor Caracterização: «Grand Budapest Hotel» 

- Melhor Filme Estrangeiro: «Ida», da Polónia 

- Melhor Curta-Metragem: «The Phone Call», de Mat Kirkby e James Lucas 

- Melhor Curta Documental: «Crisis Hotline: Veterans Press 1», de Ellen Goosenberg Kent e Dana Perry 

- Melhor Mistura de Som: «Whiplash» 

- Melhor Montagem de Som: «American Sniper» 

- Melhores Efeitos Especiais: «Interstellar» 

- Melhor Curta de Animação: «Feast» 

- Melhor Filme de Animação: «Big Hero 6» 

- Melhor Direcção Artística: «Grand Budapest Hotel» 

- Melhor Fotografia: «Birdman» 

- Melhor Montagem: «Whiplash» 

- Melhor Documentário: «Citizenfour» 

- Melhor Música: «Glory», do filme «Selma» 

- Melhor Banda Sonora: Alexandre Desplat, de «Grand Budapest Hotel»

 

O que acharam desta noite de excelência cinematográfica? Birdman é o justo vencedor? Qual foi para vocês a maior surpresa? 

 

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Paralisado de medo

Impotente permanecia naquele corredor sombrio da escola, encontrava-se num estado lastimoso. O jovem de 16 anos era o único nas proximidades. Permanecia ali sentado completamente despedaçado e derrotado. Choramingava desesperado. Estava com os olhos fechados ainda com receio do que poderia acontecer. A sua respiração continuava ofegante. Angustiado, tremia de medo. Tinha voltado a acontecer, as lembranças ainda o atormentavam. Há poucos minutos fora espancado por aquele grupo impiedoso de alunos mais velhos. Fizera-lhes frente, mas o resultado foi mais um sem número de nódoas negras, além de ficar sem o pouco dinheiro que tinha na sua carteira gasta… Ao longe ouvia os risos e brincadeiras de outras crianças no pátio, mas ele não desejava rir nem divertir-se. Esquecera-se dos bons momentos, vivia paralisado de medo. Bloqueado e sem rumo. Estava encolhido com a cara junto as pernas para tentar esconder o estado em que a sua cara se encontrava. Envergonhado, não sabia como fugir aquele constante problema. Ao longe, começou a ouvir passos apressados, começou a tremer violentamente. Ficou em pânico, receava uma segunda ronda de pancadaria. Fechou os olhos com ainda mais força quando sentiu que alguém estava cada vez mais próximo. “Não, não, não”, murmurou. Sentiu que um corpo estava à sua frente. Ia começar tudo outra vez, a aproximação era iminente. Contudo, nada do que previa aconteceu. Uma mão passou pelo seu cabelo carinhosamente. “Tem calma, tudo vai ficar bem”, ouviu uma voz rouca de uma mulher dizer.

Imagem retirada de: http://abismoinfinito.wordpress.com

 

 

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Questões inevitáveis (35) – Vício dos Jogos

Numa altura em que as evoluções tecnológicas crescem a cada dia, as aplicações e os jogos começaram a ganhar cada vez mais preponderância no quotidiano da sociedade. A verdade é que a sua acessibilidade e a forma como promovem algum lazer permitem ultrapassar um pouco do stress e confusão dos problemas diários. É o escape perfeito para muita gente. Talvez seja o teu…

Usando um pequeno exemplo, vou falar-vos dos números mais recentes do mediático Candy Crush Saga. Em apenas um ano e meio, os jogadores gastaram cerca de dois mil milhões de euros nesta aplicação. As contas foram feitas pelo jornal britânico The Guardian, que indicam que só no ano passado o valor já chegava aos 1,6 mil milhões. A King, empresa responsável pelo jogo e que detém outras aplicações móveis de sucesso, tem neste momento 356 milhões de jogadores activos numa base mensal. O que permite a que o estúdio tenha aumentado as receitas em 136%!

Por vezes, o envolvimento é grande levando a uma dependência extrema de várias horas. Isso acaba por prejudicar muitas pessoas a nível profissional e social. Muitos dessas aplicações fazem-se valer da frustração dos seus utilizadores para conseguirem que haja sempre o desejo/interesse em continuar a usá-las. É sempre criado conteúdo novo para aliciar a participação assídua. Além do mais muitas das aplicações pedem algum dinheiro para desbloquear certos níveis. Isso pode valer somas avultadas, caso não haja um controlo. Não há problema em jogar um ou outro jogo, o importante é fazê-lo sempre com moderação…

Imagem retirada de: http://blog.games.com/

Vocês gostam de jogar? Consideram estar viciados em alguma destas aplicações? Já alguma vez gastaram dinheiro num jogo?

 

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O inesquecível dia de São Valentim de Diogo Santos [One-shot*]

Era Dia de São Valentim e Diogo Santos preparava-se para o seu encontro. O mediático professor de Literatura da Universidade Nova tinha optado por um fato azul marinho da Giovanni Galli. Esboçou um pequeno sorriso triunfante ao olhar-se ao espelho. Reflectido nele estava um homem com traços bonitos acompanhados de uma estrutura física imponente. Sentia que estava no seu melhor, queria surpreender a sua namorada Cláudia Martins, uma ambiciosa gestora de quem estava loucamente apaixonado. Era o primeiro Dia dos Namorados que iam passar como casal daí estar empolgado com a data, queria tornar tudo inesquecível.

Antes de sair, o docente de 26 anos colocou um gravata preta, o toque final para o seu visual ficar perfeito. O relógio marcava sete e trinta quando saiu para uma Rua Castilho bastante fria. Ainda assim continuava com um enorme sorriso estampado no rosto, estava genuinamente feliz. Parou numa florista perto da sua casa para comprar as flores que tinha reservado no dia anterior. Um ramo de rosas de um vermelho bem intenso. Seguiu caminho para uma Avenida da Liberdade caótica com filas de carros por todo o lado, os seus olhos verdes mergulhavam na beleza característica daquela artéria principal da capital. Largou um esgar, tinha feito bem em deixar o seu BMW 320i na garagem. Era costume andar a pé por aquela cidade, a verdade é que muito raramente usava o carro para se deslocar em Lisboa.

Num passo acelerado, chegou rapidamente ao restaurante combinado. Quando entrou ficou surpreendido pela namorada ainda não ter chegado. Mas não deu muita importância ao assunto, era tão típico as mulheres demorarem mais algum tempo a arranjarem-se. Sentou-se na mesa do costume e poisou o ramo. No entanto, com o tempo a passar, o nervosismo começou a apoderar-se daquele carismático homem. Começou a mexer no cabelo negro num claro sinal de nervosismo. Ligou-lhe, mas ela não atendia o telemóvel. Algo de estranho se estava a passar, começou a beber o vinho do Porto que estava na mesa esperando que não fosse nada de grave.

Só uma hora depois recebeu uma mensagem. Preocupado, foi ao bolso e viu que era de Cláudia. O conteúdo era curto e directo. “Acabou.”, dizia simplesmente. Aquela pequena palavra quebrou o seu coração, não queria acreditar naquilo que estava no visor do telemóvel. Bebeu o pouco vinho que tinha no copo. Abanou freneticamente a cabeça, completamente atordoado. Não teve outra opção senão pagar a choruda bebida e ir embora. Enquanto passava pela mesa olhou desgostoso para o ramo que tinha comprado. Agarrou nele e deitou-o no lixo perto da saída. Ferido no orgulho, abandonou aquele restaurante e nunca mais lá voltou…

*One-shot inspirada no meu livro ‘A Analogia da Morte’

Imagem retirada de: http://www.cuscorestaurants.com/

 

 

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