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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Momento de glória

Sou teimoso, admito que sim. Quando coloco algo na cabeça é muito difícil de desistir a meio. Quase impossível , na verdade. Sofro de teimosia crónica, mas os objectivos servem para ser ultrapassados… Reconheço que o desejo já vinha de algum tempo, mas por infortúnio do destino andava a ser sucessivamente adiado. Este ano chegou finalmente a hora de treinar até atingir o objectivo. Irónico. No ano passado, tinha coberto este mesmo evento, a vida é feita destas peculiaridades.
7 km era a meta, uma distância que se tornou a minha obsessão , o meu desejo. Comecei a treinar tarde para atingir um bom tempo, mas dei tudo de mim. Tudo o que tinha. O desejo era fazer essa distância sem parar, o tempo não era importante. Chegar a meta isso sim era indispensável. O meu desafio. Durante um mês, a fazer chuva, sol ou frio corri. Corri como se aquele fosse o último dia da minha vida.
Senti que estava na melhor forma física possível , mas o meu joelho direito cedeu alguns dias antes da prova. Tive de descansar, mas nunca parei. Mantive-me na luta. Devia ter desistido, mas fazê-lo era assumir que falhei num objectivo a que me tinha proposto. Era fazer com que aquela dor tivesse sido em vão. Não o fiz, corri. Corri como um louco, quis provar algo a mim mesmo. Afastar todos os fantasmas. Nada me podia parar. Após dia 25 de Março tinha todo o tempo para descansar.
No grande dia, um cordão humano impressionante numa manhã solarenga. A festa estava montada, mas eu estava lá para competir, para lutar pelo melhor tempo. Não consegui ficar perto da partida, mas mal tive o sinal para iniciar a marcha, ataquei com tudo o que tinha para chegar mais perto do pelotão da frente. Lá fui eu no meio de 37 mil pessoas a passar por uma das construções mais emblemáticas do país. Que sensação arrebatadora poder estar a viver este momento. Uma luta impressionante para ultrapassar cada quilometro.
Durante a corrida, o meu corpo voltou a pregar-me partidas. Quis parar, mas nunca acedi. Por muitas dores que tivesse, nunca o faria. Sim sou teimoso, mas nada me faria parar. Estava numa missão: correr até à meta. Resisti às barreiras que apareceram, nunca parei de lutar. Consegui correr os 7 km de prova e fi-lo sem parar. O desejo tinha finalmente sido realizado. Uma felicidade invadiu-me, um sentimento de dever cumprido. Apesar das dificuldades, atingi este pequeno objectivo e soube bem fazê-lo. Tenho que admitir, por vezes, a teimosia é tão boa companheira… 

 

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