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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Solidão

Não é só sentir, é estar com o mundo. Só e desgastado, farto de olhar em meu redor e não ver nada. Estar acompanhado e não sentir a presença, a real presença, talvez a tua presença. Uma conversa quase desumana, sem capacidade carnal, censurada e entranhada num gesto de auto-repreensão. Conversa essa infiltrada num diálogo monólogo porque ninguém o está a ver, nem ninguém o quer ouvir. Sorrir? Estás a sorrir para mim? Estás verdadeiramente a sorrir para mim? Não passa apenas de um fugaz toque de encenação, num falso sentimento que tentas demonstrar e fazer passar, não passa de apenas circunstância do momento. Agora estás a fazê-lo, amanhã já nem te lembras. É essa a minha importância num doce correr de segundos. Orgulhosamente só, numa solidão que me toca, que me agrada e que mexe comigo. Um sincero e discreto prazer pelo simples facto de me sentir compreendido não pelos outros, mas por mim. É como estar preso a uma multidão que não reconheço e identifico, num caminho trágico e avassalador que traz um valor disforme e arrebatador. Um caminho que chega perigosamente a um desfiladeiro unipessoal, uma queda avassaladora e estridente que ascende até ao objectivo final. Num quarto, estou mais uma vez sozinho, onde jorra drástica e sistematicamente uma fonte insaciável de sangue. Será que agora já te lembras de mim?

 

[Ficção]

  

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