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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Os homens dominam, as mulheres trabalham

Muito se tem falado das condições de trabalho dos portugueses, mas uma desigualdade continua a persistir no panorama nacional. E está para durar, pelos vistos… Ser mulher em Portugal significa, na maioria das vezes, receber menos do que os homens antes e depois do momento da reforma e ter ainda maior probabilidade de não conseguir sequer um emprego. Uma situação injusta, mas que é pouco falada na praça pública.  

A verdade é que as estatísticas mais recentes mostram que as discriminações se têm vindo a acentuar, com as mulheres a receberem, em média, menos 19% do salário base mensal dos homens (-192 euros). Assim, se um homem recebe 1024,42 euros, uma mulher ganha cerca de 831,86. Pelo mesmo trabalho, um salário diferente. Justo? Não me parece. Mas as desigualdades continuam… A percentagem de trabalhadores do sexo feminino que não ganham mais do que o Salário Mínimo Nacional é praticamente o dobro da registada pelo sexo oposto.

Há ainda a acrescentar que 21% das mulheres activas têm vínculos precários; mais de 60% das jovens entre os 15 e os 24 anos estão sem emprego; e são elas que mais ajudam a engrossar os 14,1% de desempregados ao nível nacional, em especial os desempregados de longa duração. A leitura que faço destes números é simples: os homens dominam, as mulheres trabalham. O que é quer isto dizer? Simples, grande maioria das grandes empresas tem homens nos principais cargos e são eles que ditam quem recebe o quê. É matemática e lógica simples! É um mundo de homens são eles que ditam as regras por mais injustas que sejam.  

A situação agrava-se pois que muitas têm também de criar filhos e arrumar a casa, portanto as mulheres acabam por ter dois trabalhos. Isto não é uma defesa ferrenha do feminismo, é apenas a realidade. E quando chega a hora da reforma, a discriminação continua. A pensão média de velhice das mulheres é de 304 euros (abaixo do limiar da pobreza), enquanto a dos homens é de 516 euros. Na prática, o valor da pensão de reforma delas corresponde a 58,9% da auferida por eles, uma diferença substancial.

O pior é que isso não é só um problema português, é uma questão a nível mundial. As mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial, e ganham 10% das receitas mundiais, apesar de constituírem 49% da população. É imprescindível um debate a nível global para resolver este problema, uma vez que não tem lógica em pleno século XXI continuar a ver um fosso salarial entre ambos os sexos, quando é feito o mesmo trabalho. Para contrariar esta realidade, a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens apela à luta no feminino, não apenas no Dia Europeu da Igualdade Salarial, que se assinalou nesta semana, mas em todos os outros dias.

 

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