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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Fernando Pessoa, um ídolo

Fernando Pessoa será para sempre lembrado como um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura. Além do mais, este poeta do Modernismo é também um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos (traduzido em trinta e sete línguas) e com inúmeros fãs em todas as partes do globo. É, assim, um poeta universal, que inovou ao ponto de ter criado três célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

Mas, afinal, quem foi Fernando Pessoa? Fernando António Nogueira Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888, no Largo de São Carlos, em Lisboa. De famílias da pequena aristocracia, pelo lado paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do Diário de Notícias. A mãe, D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira Pessoa, era natural dos Açores (Ilha Terceira).

Com cinco anos, o pai morreu a 24 de Julho de 1893, com 43 anos, vítima de tuberculose. No ano seguinte, o irmão Jorge viria também a falecer, sem completar um ano. É nesta sucessão de acontecimentos, que a sua mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e mudar-se para uma casa mais modesta. Em 1895, Maria Pessoa casa-se pela segunda vez por procuração com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul). Fernando Pessoa parte com a sua mãe para África do Sul, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa conseguindo resultados brilhantes.

Em 1905, regressa sozinho a Portugal e matricula-se no ano seguinte no Curso Superior de Letras, em Lisboa, que abandona sem sequer completar o primeiro ano. Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança, com a qual monta uma pequena tipografia, sob o nome de Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor, que rapidamente faliu. A partir de 1908, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro, num escritório da Baixa, aquele que iria ser o seu trabalho ao longo da sua vida. Inicia a sua actividade de ensaísta e crítico literário em 1912 e colabora em diversas revistas como: “Águia”, “Orpheu”, “Portugal Futurista” e “Athena”.

Muitos afirmam que 1914 é o ano triunfal de Fernando Pessoa, o momento da criação dos três heterónimos mais ilustres (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis). A morte do seu amigo Mário de Sá Carneiro e o assassinato de Sidónio Pais foram dois acontecimentos que marcaram o poeta. Além disso, é também conhecido um relacionamento amoroso com Ofélia Queiroz, com quem mantêm uma longa correspondência amorosa. É no ano de 1935, que escreve uma famosa carta a Adolfo Casais Monteiro, onde explica a existência dos mediáticos heterónimos. Nesse mesmo ano acaba por falecer a 30 de Novembro de cólica hepática sendo sepultado no Cemitério dos Prazeres. A sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, um dia antes de falecer: "I know not what tomorrow will bring" (em português: Não sei o que o amanhã trará). No cinquentenário da sua morte (1985) o seu corpo foi transladado para o claustro do Mosteiro dos Jerónimos.

No que diz respeito à sua obra ortónima, a Mensagem (1934) foi o único livro publicado em vida, deixando uma arca recheada de textos inéditos. Escreveu poemas como “Autopsicografia”; “Isto”; “O menino de sua Mãe”; que vão ficar marcados na história da nossa literatura. A sua obra ficou também conhecida pelos seus heterónimos, o seu “mestre” Alberto Caeiro (1889-1915), o “guardador de rebanhos”, que não possuía qualquer instrução académica. Ficou conhecido por ser o poeta bucólico e do olhar, mas também por ser o “poeta do não pensar”. O “Guardador de Rebanhos” foi a sua obra mais notabilizada. Um dos discípulos de Caeiro era Ricardo Reis (1887-1935); era médico e monárquico, foi educado num colégio de Jesuítas, é o poeta pagão cujas odes tinham duas filosofias de vida: o estoicismo e o epicurismo. Foram da sua criação poemas como: “Vem sentar-te comigo”, “Segue o teu destino” e “Não tenhas nada nas mãos”. Finalmente, o discípulo futurista de Caeiro, Álvaro de Campos que era engenheiro naval formado em Glasgow, mas permaneceu inactivo em Portugal. Foi o heterónimo mais arrojado, tornou-se mediático por querer sentir tudo de todas as maneiras. A “Ode Triunfal”, “Todas as cartas de amor”; e “Opiário” foram alguns dos poemas mais marcantes deste heterónimo.

A complexidade da vida de Fernando Pessoa permite um trabalho biográfico fabuloso, seja qual for o espaço que esteja a ser trabalhado. Daí o imenso fascínio que existe por este autor luso. Independente de qualquer diferença na forma de apresenta-lo, em qualquer discurso uma ideia parece certa: Fernando Pessoa é, de facto, um dos maiores génios português. Ao longo da sua obra demonstrou sempre medo da morte, mas com tanto talento e numa obra tão vasta, pode-se dizer que Fernando Pessoa nunca morreu pois conseguiu chegar à imortalidade através da escrita. 

 

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