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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Um dia mágico!

A manhã despertou solarenga, um calor tímido aquecia num rotineiro dia de Inverno. A temperatura tinha estado particularmente baixa nos últimos tempos, no entanto aquele jovem tinha acordado para um dia de Dezembro especial. Vestido de formal, avançava num passo apressado para o trabalho. Olhou rapidamente para o relógio, estava a ficar atrasado. Pensava que ia para mais um dia monótono e rotineiro, não podia estar mais enganado. Quando já tinha chegado à rua da empresa, o telemóvel começou a vibrar no seu bolso. "Nasceu ontem à noite", ouviu do outro lado na linha num tom de voz embriagada. Nasceu um sorriso enorme naquele jovem que começava a ficar atrasado. O tempo parou por momentos. Era aquilo que precisava de ouvir para fazer daquele dia inesquecível. Rapidamente, combinou encontrar-se naquela tarde sem conter o entusiasmo por aquela boa nova. A partir daí, o dia foi passado a contar as horas que teimavam em avançar tão lentamente. O coração batia de forma acelerada quando a hora de saída finalmente chegou. Começou a correr, apenas descansou quando passou por aqueles corredores despidos do hospital. Não precisou de muito tempo para chegar à ala de maternidade. "O padrinho chegou", ouviu mal entrou na pequena sala. 

 
 

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Toque do destino

O tempo arrefece rapidamente. O dia está estupidamente cinzento, a chuva aproxima-se. É melhor despachar-me, penso instantaneamente. Não posso chegar atrasado. Não podemos fugir do destino. A ideia provoca-me um sorriso irónico, seguida de um longo suspiro. Não há mesmo forma de evitá-lo... Nunca acreditei nestas tolices, mas agora tenho que me render às evidências. Curioso, como as coisas mudam por um mero acontecimento.

No início do dia, percorria caminhos ríspidos repletos de pessoas ruidosas e apressadas. Fazia-o despreocupadamente. Ninguém dava conta da minha presença, não passava de um fantasma nas ruas. Pensava que tudo isso iria acabar. Esse pensamento era a única razão que me fazia continuar a mover. A morte. Dolorosa, intensa e inevitável. Reconheço que pensava que ia acabar com tudo de uma vez por todas, sem qualquer tipo de dramatismo. Um simples tiro e tudo isto acabava.

A arma estava no bolso do casaco pronta para ser disparada. Dirigia-me a um campo próximo da minha casa. Nunca fui de grandes planos. Não estava à procura de uma morte majestosa , não! Queria apenas algo rápido e derradeiro. Um final seco, numa vida desapontante. A verdade é que deixei-me consumir pelo meu próprio ego e perdi tudo o que tinha. Fiquei sem trabalho, dinheiro e família e acabei sozinho nas terríveis malhas da solidão...

Admito que nestes momentos sombrios pensei que nada mais havia para lutar. Perdi o medo das consequências, talvez tenha sido presunçoso da minha parte… Mas nada me prendia aqui, resta-me acabar com tudo. Quando cheguei finalmente ao local, apontei a arma à minha boca. Queria terminar com tudo o mais rápido possível. A pistola estava brilhante, novinha em folha. Tinha sido comprada única e exclusivamente para aquele objectivo. Fechei os olhos.

Passaram várias fases da minha vida pela minha cabeça, enquanto estive com os olhos fechados. Como se tivesse a ver um álbum de fotografias que esperava pela última imagem – a minha morte. Comecei a puxar o gatilho da arma. Enfim, a liberdade. Hoje. AGORA, gritei. Triiiim . O som do telemóvel fez-me perder a força da mão e larguei a arma desengonçadamente. A pistola fica esquecida no meio da relva esverdeada. Tinha recebido uma mensagem, um toque do destino. Comecei a lê-la e deixei-me cair de joelhos com lágrimas a correrem-me descontroladamente pela face. “Tenho saudades tuas, pai. Onde estás?”, podia ler-se na mensagem.

[Ficção]

 

 
 

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A perseguição do homem sem face

A hora era tardia e ninguém estava na ruas, Diana, de 20 anos, tinha saído do escritório onde estava a ter a sua primeira experiência de trabalho e logo numa cidade que pouco conhecia. De longos cabelos negros e de olhos de avelã, a jovem espalhava uma beleza invulgar. Estava nervosa, pois desde que tinha saído do trabalho tinha sentido que estava a ser seguida. Nunca tinha conseguido ver a cara dessa pessoa que escondia-se sucessivamente nas sombras. Num momento de desespero começou a andar mais depressa e o perseguidor fez o mesmo.

O medo começou a crescer pelo seu corpo. “Não vais fugir Diana”, gritou entre as sombras a estranha figura. Após ouvir aquela ameaça, sentiu pânico. Começou a correr e a gritar por socorro, mas ninguém a veio acudir. “Como é que ele sabe o meu nome”, questionou-se, ao mesmo tempo que corria o máximo que podia. Tentou virar pelo máximo de ruas possíveis. Esquerda. Direita. Esquerda. Quando deu conta já se encontrava num local da cidade que nunca tinha visitado. Os passos continuavam próximos e mais perto do que aquilo que queria escutou um riso doentio.

A roupa que tinha era demasiado justa e dificultava os movimentos, fazendo com que se cansasse ainda mais. Ao ver uma floresta a aproximar-se decidiu entrar nela para encontrar um local para se esconder. Não podia continuar naquele ritmo. Dessa forma, acelerou o passo para entrar no trilho. “Diana, não te podes esconder. Eu vou encontrar-te, não me consegues escapar”, foram as aterradoras palavras que ouviu. O nervosismo acabou por fazê-la tropeçar e cair. As calças ficaram com um enorme rasgão no joelho. As suas forças estavam a terminar, apercebeu-se com frustração. 

Já estava a correr há vários minutos e mesmo assim nunca tinha conseguido estar fora de perigo. O medo era cada vez mais e tinha a certeza que não podia continuar a correr para sempre. Levantou-se e acabou por esconder-se entre os arbustos. As mãos tremiam e começou a rezar mentalmente para que não fosse encontrada. Ouviu os passos a aproximar-se. Sabia que muito em breve ele estaria ali, isso era inevitável. Entretanto, começou a sentir um cheiro intenso que lhe dava vómitos. “Era ele! Há quanto tempo é que este animal não se lava?”, pensou desesperada. Não era só difícil escapar-lhe, também era impossível suportar estar perto dele. No entanto, para sua satisfação aquela figura aterradora estava a afastar-se. Não conseguia ouvir nada e crescia esperança daquele pesadelo ter terminado.

Aquele cheiro horrível parecia ter ficado infiltrado nas suas narinas, mas aquele silêncio deu-lhe coragem para se mexer um pouco. O silêncio continuava. Suspirou. Começou a levantar-se e viu o estado do joelho. Um arranhão. Virou-se para sair dali e… gritou! Ali estava ele, mesmo à sua frente. Olhou para a sua cara e a visão deixou-a horrorizada. Não tinha face, tudo nele era branco. Não teve tempo para reagir, apenas ouviu ‘brogh’ e sentiu uma enorme dor. Tinha uma faca espetada na barriga. Tentou gritar novamente, mas saiu uma jorrada de sangue da sua boca. Fechou os olhos e sentiu o seu corpo cair.

Abriu os olhos e o seu corpo estava totalmente soado e respirava ofegante. Estava deitada na sua cama com o coração a mil à hora. Não podia acreditar! “Um pesadelo, um estúpido pesadelo”, pensou. Levantou-se mas sentiu uma dor enorme na barriga. Levantou a camisa e viu uma enorme ferida…     

[Ficção]

 

 
 

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Aversão à imprevisibilidade

Admito que gosto de saber o que vem a seguir, nunca lidei bem com a imprevisibilidade. Na verdade, é algo que não consigo suportar, até porque nunca me importei em ter uma vida chata, previsível e estrategicamente organizada… Isso acontece porque sempre gostei de controlar tudo o que se passava à minha volta. Talvez seja somente eu a ficar velho, mas eu anseio pela previsibilidade. No entanto, a minha vida mantém-se imprevisível , deve ser por isso que nunca lidei bem com ela. Todos acabamos por querer sossego e paz, mas o mundo vive numa constante loucura diária que não nos deixa chegar a esse desejo. Nessas alturas sinto uma uma instabilidade enorme. Qual o passo devo dar? Não sei como reagir, é algo intolerável que me causa uma ansiedade enorme. Não há maior prisão do que a imprevisibilidade. Sim, sinto uma aversão total a ela! Ainda assim não consigo deixar de viver nela…

 

[Ficção]

 
 

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Perdição...

- Está uma noite amena amor – afirmei, sem esconder um sorriso provocador.

- Sim, sabe tão bem ter saído para poder estar aqui – respondeste, fingindo não perceber a mensagem, mas os teus olhos mostravam o contrário. Adoras provocar-me.

Saímos do meu carro, deste-me a mão e começamos a caminhar. Apesar de ser Outono, a noite estava inexplicavelmente quente e muito convidativa. Nada podia ser mais perfeito, parece que tudo se tinha enquadrado para correr bem. 

Enquanto andávamos não resisti a devorar-te com os olhos. O teu corpo é uma perdição. Uma eterna volúpia para todos os meus sentidos. Não me contive, abracei-te de forma calorosa. És e serás o meu abrigo! Durante o abraço, passei as mãos pelo teu corpo doce e perfeito e delicio-me com a tua pele. Senti que hoje não ia haver nada que pudesse parar aquele momento.

Os nossos olhos cruzaram-se e era possível ver a chama da nossa paixão a aumentar. Sorriste-me daquela forma especial que apenas fazes para mim. Chegaste perto do meu ouvido e num sussurro provocador pediste-me:

- Beija-me, por favor.

Segundos depois e os nossos lábios tocavam-se apaixonadamente. Não me canso de beijar-te. Adoro saborear-te! O teu toque deixa-me louco, as tuas carícias dão cabo de mim, fazem com o meu desejo por ti cresça ainda mais. Torna-se impossível resistir aos teus encantos. És tudo aquilo que sonhei!

Estava um silêncio acolhedor e a única coisa que se via eram árvores. Mas tudo isso deixou de ter significado, aquilo que importava eram os nossos beijos e carícias intermináveis. Eu e tu estávamos sozinhos e famintos de desejo. Aquela seria a nossa noite, um momento especial. Reconheço que não me canso destas nossos momentos de paixão que parecem eternas. São inigualáveis, meu amor!

É uma loucura a forma como me fazes feliz seja com uma palavra ou com um gesto. É mesmo assim o amor. Feito de simplicidades, mas que em conjunto fazem todo o sentido. A cada momento que passava os nossos corpos ficavam cada vez mais quentes, o desejo aumentava descontroladamente, mas tu não desistias de me provocar só mais um pouco.

- Amor, não aguento mais com essas provocações, vais ter que sofrer as consequências – disse com uma respiração ofegante, enquanto crescia um sorriso provocador nos meus lábios.

Coloquei-te cuidadosamente contra a árvore mais próxima, a noite tinha verdadeiramente começado agora…

[Ficção]

 
 

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