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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Momento de liberdade

Tinha acabado de sair do trabalho e chovia torrencialmente lá fora. Ele não quis esperar que o temporal ficasse mais calmo. Não tinha guarda-chuva. Nunca o trazia, para ele era um utensílio dispensável. Começou a correr pela rua molhada, onde ninguém passava. Estava sozinho, apenas ele tinha decidido sair. Nunca tinha sido audaz para estas atitudes intempestivas mas hoje escolheu sair da rotina. Quis soltar-se. No fundo, quis ser livre por momentos e aproveitar esse tempo como se fosse o último que aquela patética vida lhe permitia. Sem nenhuma justificação, parou e reparou que todo o seu corpo estava completamente encharcado. Não conseguiu deixar de sorrir. Algo tão simples provocou-lhe uma segurança e calma que não sentia há muito tempo. Onde se tinha perdido? Não conseguiu deixar de se perguntar. Era curioso como nos esquecemos com tanta facilidade do prazer que a verdadeira facilidade nos provoca. É algo tão básico que nos esquecemos de lhe dar valor e sem nos apercebermos afastamo-nos perigosamente dela. Desta vez ia ser diferente. Ele não ia permitir que se perdesse de novo. Ergueu os braços e fechou os olhos, sentiu-se quase abençoado por aquela chuva que não parava de cair. Sabia tão bem voltar a encontrar a felicidade. Foi nesse dia que aprendeu novamente o valor de um sorriso sincero. 

[Ficção]


 


Uma aventura que já dura há dois anos

O primeiro dia de 2011 foi uma data especial para mim. Provavelmente pouca gente se lembra do que fez há dois anos, mas eu recordo-me como se tivesse sido ontem. Esse dia marcou o nascimento deste espaço. Foi o começo de uma aventura que tenho o maior prazer em partilhar com todas as pessoas que passam por cá seja para comentar, ler ou apenas bisbilhotar. Esse foi o dia que abri um pouco da minha vida ao mundo!

A partir daí o ‘Um Mar de Recordações’ foi um local onde escrevi algumas das vitórias e derrotas que tive desde então. Na verdade, coloquei um pedaço da minha vida aqui e houve tanta coisa que aconteceu durante estes dois anos! O que mais tenho gostado são as palavras amigas que tenho recebido desde então, tive oportunidade de conhecer pessoas fantásticas e bastante talentosas. O meu obrigado pelo apoio que me tem dado seja ele recente ou longo. Acreditem que tem sido bastante importante para continuar a escrever o melhor possível.

Longe vai o dia em que decidi começar a publicar aquilo que guardava para mim. Sei que hoje sou uma pessoa diferente. Cresci a escrever neste lugar. Reconheço que muitas vezes já me perguntei se vale a pena continuar a escrever aqui. No entanto, é nesses momentos em que vejo a importância que este blogue tem para mim. Nunca tive coragem de fechar a porta. Acho que devo alguma coisa às quase 70 mil pessoas que passaram por aqui. É por mim, mas também por vocês que escrevo. Não tenham dúvidas!  

Dois anos depois quero continuar a partilhar muitas mais aventuras com vocês de um ano que espero que seja repleto de emoção e de alegria. Então, vamos a isso!

 

 

 

Vou deixar os meus cinco textos preferidos nestes dois anos de existência:

Há dias assim...

Neva lá fora

Toque do destino

Amor, esta é por ti…

A força de acreditar

Ciência e Letras: dois pólos de conhecimentos afastados?

Ao longo dos anos existe a eterna divisão entre os dois maiores pólos de conhecimento – as letras e a ciência. O afastamento destes dois sectores de conhecimento já se alarga num grande período temporal o que leva assim a pensar-se na incapacidade social de uma junção entre ambas. Carlos Fiolhais, no livro Curiosidades Apaixonantes, explica mesmo que esta é a “barreira mais alta” nas divisões das disciplinas. No entanto, nos dias de hoje esse afastamento (ainda) faz sentido? Julgo que não…
Na verdade, existe ao longo da história, personalidades de ambos os ramos que contrariam esta lógica. Se tomarmos como exemplo o grande génio do ocidente, Leonardo da Vinci podemos analisar a sua qualidade tanto a nível literário como científico. Calvino, na literatura, e Galileu, na ciência, são também bons exemplos que provam que pode ser possível uma junção entre ambas as áreas. Já a nível nacional, temos também alguns exemplos desta possibilidade, como é o caso de Carlos Fiolhais um cientista com aptidões a nível literário, sendo que no outro lado da barricada, António Gedeão destaca nos seus poemas alguns conceitos científicos.
Na minha prespectiva, julgo que isto acontece devido a haver uma necessidade de projectar estes dois grandes pólos de conhecimento para uma junção que iria intelectualmente ser bastante proveitosa e que acredito piamente trará aspectos bastante positivos para ambas as áreas evoluírem. O certo é que tanto a ciência como as letras precisam uma da outra! A ciência necessita das letras para divulgação das descobertas e das publicações dos estudos e no que diz respeito às letras existe a necessidade de abranger esta área tanto a nível literário como noticioso. São opostos que, inevitavelmente, se atraem.
Assim sendo, não dar valor a uma destas áreas é um erro elementar. Existe cada vez uma ligação e junção de vários meios a nível mundial e está é cada vez mais pertinente. Há assim uma necessidade de criar uma sociedade que se preocupe com ambas as questões, não desprezando uma em detrimento de outra. De facto, é indepensável um rompimento à ideia retrógrada de divisão de prateleiras das diversas competências. Algo que não faz qualquer sentido! É certo que há muito a evoluir nesse prisma, mas a mudança é possível, até porque “nada se perde, tudo se transforma”.

 

Ricardomania invade a rádio

Ricardo Araújo Pereira é o homem do momento, um nome que está na moda! A sua irreverência faz com que seja impossível ficar indiferente a esta figura. Após um regresso pontual à televisão em Janeiro com o ‘Conversas Improváveis’ da SIC Notícias, tornou-se a grande estrela das manhãs da Rádio Comercial. Está mais que visto que as ‘Mixórdia de Temáticas’ vai tomar de assalto as manhãs radiofónicas portuguesas!

O formato, inserido nas manhãs apresentadas por Nuno Markl, Pedro Ribeiro, Vanda Miranda e Vasco Palmeirim, é patrocinado pela PT, empresa com a qual os Gato Fedorento têm um contrato de publicidade, para darem a cara pela MEO. Ricardo Araújo Pereira continua ainda com a sua participação no ‘Governo Sombra’, da TSF, ao lado de Pedro Mexia e João Miguel Tavares. A versatilidade é imensa o que comprova as crónicas semanais no jornal A Bola e na revista Visão.

Foi aluno de colégios de freiras Vicentinas, Franciscanos e Jesuítas até se licenciar em Comunicação Social e Cultural, na Universidade Católica Portuguesa. Seguiu-se depois o trabalho como jornalista, na redacção do Jornal de Letras, Artes e Ideias, até tornou-se argumentista da agência de criadores Produções Fictícias, tendo sido co-autor de vários programas de sucesso do humor português.

Por volta de 2003, depois das primeiras aparições na televisão no programa de humor stand-up comedy, Levanta-te e ri, na SIC, criou os Gato Fedorento juntamente com José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores. Um grupo que tornou-se uma referência do humor português contemporâneo. Os programas eram feitos de várias cenas que englobavam temas diversos, ridicularizando-os até ao máximo possível. Com temas actuais e fazendo inúmeras referências ao governo são inesquecíveis as imitações de Alberto João Jardim, Paulo Bento ou Marcelo Rebelo Sousa. Todas feitas, inevitavelmente, pelo Ricardo.

A verdade é que sempre se conseguiu destacar do grupo e afirmou-se como líder de um projecto com um sucesso estonteante. A inteligência, o carisma e a forma muito peculiar tornam-no num dos maiores nomes do humor em Portugal de sempre. Tem uma graça natural. Só de olhar para ele, dá vontade de dar uma enorme gargalhada! Para além disso, tudo o que toca é êxito garantido. Caiu em graça ao povo português, está mais que provado. Até porque já participou em todas as áreas da comunicação e está mais que visto que Ricardo Araújo Pereira é sinónimo de audiências e… de humor de qualidade!

 

Justiça à portuguesa

Em menos de 24 horas a justiça portuguesa conseguiu dar dois tiros nos pés. Foi com enorme estupefacção que conheci as decisões que foram tomadas no caso Rui Pedro e no da Casa Pia, em ambas as situações com crianças ao barulho. Inacreditáveis a meu ver! Assim vai a justiça portuguesa com uma enorme dificuldade em tomar decisões mediáticas…

Primeiro, em Lousada, o colectivo de juízes absolveu o camionista Afonso Dias do crime do rapto de Rui Pedro, não dando como provado que o arguido levou a criança a uma prostituta. O depoimento da prostituta Alcina também não foi valorizado pelo tribunal. Recorde-se que esta era uma das testemunhas da acusação sobre o envolvimento de Afonso Dias no desaparecimento de Rui Pedro, em 1998. Já não bastava o sofrimento de ter um filho desaparecido há catorze anos, Filomena Teixeira ainda tem que suportar a dor desta decisão. Como é possível aguentar tanto? Mais, após ter ficado em silêncio em todas as sessões em tribunal, Afonso Dias vai no dia seguinte a televisão ser entrevistado. Se isto não é gozar, o que é que pode ser?

Segundo, o interminável processo da Casa Pia (começou em 2002), com o Tribunal da Relação de Lisboa a considerar que os crimes alegadamente cometidos na casa de Elvas por Carlos Cruz, Hugo Marçal e Carlos Silvino são nulos, devido a uma questão processual, e mandou esta parte do processo regressar à primeira instância, mas em processo autónomo. Isto equivale dizer que as penas dos arguidos foram todas diminuídas. O acórdão divulgado já tem mais de três mil páginas e não vai ficar por aqui… Infindável! É a imagem de um país, é no fundo uma justiça à portuguesa.

A tarefa dos juízes teve um grau de dificuldade muito acentuado, a pressão mediática foi imensa. É difícil poder dar uma sentença a casos tão complexos como este, é certo. No entanto, o resultado é de todo inesperado… Estas duas decisões demonstram que existe diversos problemas na justiça nacional. Primeiro que tudo existe uma elevada quantidade de processos e a falta de recursos infra-estruturais e humanos, acarretam o arrastamento dos processos nos tribunais.

Estes processos já se enrolam há mais de dez anos! Traz custos e descredibiliza o sistema judicial. É necessária uma justiça mais rápida e consistente. Acima de tudo é necessário acabar com as “manobras” que levam sempre à impunidade judicial, ou seja, os arrastamentos processuais eternos. As prescrições são hoje um fenómeno vulgar que leva à impunidade de muitos dos que têm possibilidades de suportar processos indefinidamente, provocando um sentimento generalizado de injustiça. O caso do Isaltino Morais é um exemplo gritante. Pede-se mais justiça à justiça nacional!  

 

Uma homenagem à rádio

Amanhã, comemora-se, pela primeira vez, o Dia Mundial da Rádio, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Uma das maiores evoluções do século XIX foi o aparecimento da rádio. Tornou possível uma maior divulgação, além de uma capacidade de chegar mais rápido a um maior número de pessoas.

A data tem como objectivo consciencializar o público e os meios de comunicação acerca da importância da rádio, alertar para a criação e acesso à informação, bem como melhorar a cooperação internacional entre os organismos de rádio-difusão.

Este aparelho receptor de radiofonia foi inventado pelo norte-americano D. Hughes, em 1879, que construiu um emissor-receptor rudimentar. Este acabaria por ser o primeiro antepassado da rádio que conhecemos. Após muita evolução foi mesmo nos Estados Unidos da América que apareceu a primeira emissora de rádio decorria o ano de 1920. Tinha nascido o movimento da voz.  

Segundo a UNESCO, é necessário considerar a rádio como um meio de comunicação de baixo custo, apropriado para chegar às comunidades longínquas e às pessoas vulneráveis. A rádio é um meio de comunicação de massa, mais prevalente no mundo, com capacidade de atingir 95 porcento da população do planeta, assegura o organismo mundial.

Em Portugal, a primeira emissora da rádio surgiu em 1925, onde Abílio Santos Jr. foi o grande impulsionador. Eram rádios amadoras, também conhecidas como Rádios Minhocas, ou seja, emissoras com poucos recursos que muitas vezes faziam rádio como passatempo. Nessa altura, a música, as palestras e programas infantis eram os três sectores que a rádio aposta. O desejo passava por chegar ao maior número de pessoas possíveis, desde do público mais idoso ao mais novo, desde do público mais intelectual até às pessoas com menos formação. Tornou-se um meio de massas por excelência.  

Actualmente, a rádio já não tem a mesma força, para isso muito contribuiu a expansão da televisão e, mais recentemente, da Internet. Ainda assim continua no quotidiano da maioria das pessoas, a verdade é que a rádio ainda reflecte uma enorme importância para a nossa sociedade. Dessa forma, a criação desta data é legítima e pode ajudar este meio de comunicação a crescer.

Pessoalmente, julgo que a rádio é bastante útil pois tanto serve para ouvir música como para saber as noticias do dia. Existe uma dupla função de lazer e trabalho bastante importante para uma boa dinâmica. Este é um meio que serve para relaxar e nos abstrairmos do mundo lá fora, tornando-se num tónico perfeito para recarregar baterias.   

 

A vitória do jornalismo on-line em Portugal

O aparecimento da Internet revolucionou a vida em sociedade, passou a ser vital em qualquer tipo de actividade em todo o mundo. Com uma taxa de penetração inacreditável, é muito provavelmente uma das ferramentas mais utilizadas durante o dia-a-dia. Houve uma propagação em grande escala e o jornalismo não foi excepção no uso (e abuso) das novas redes de informação.

Nesta profissão em específico tornou-se indispensável a sua utilização, aliás agora é quase impossível trabalhar sem ela. Apesar da sua curta história, o jornalismo (em qualquer registo) nunca mais foi o mesmo desde implementação da Internet. O primeiro jornal on-line no mundo foi o norte-americano The New York Times, em 1970. Contudo, só na década de 90 é que a o jornalismo on-line chega a Portugal. Os jornalistas lusos começavam então a descoberta pelo mundo digital…

O jornalismo on-line em Portugal tornou-se uma realidade em 1995, através do lançamento do site do Jornal de Notícias, a 26 de Junho, mas a RTP foi a grande pioneira com o site a ser registado oficialmente como domínio a 28 de Maio de 1993. Em Janeiro de 1998, novo avanço… O semanário Setúbal na Rede entra para história do ciberjonalismo português como o primeiro jornal exclusivamente on-line em Portugal.

De facto, a Internet teve uma enorme importância para a evolução do jornalismo a nível mundial, disponibilizando várias funções que outrora eram impossíveis de conseguir. A rapidez da disponibilização da notícia é um exemplo gritante. Há uma maior capacidade de informar em momento real, ou seja, existe uma enorme distribuição instantânea. A verdade é que com este fenómeno mundial tornou-se possível a qualquer pessoa poder estar informada de uma forma corrente, mas também mais rápida. E isso tomou grandes proporções, revolucionando toda uma indústria…  

Hoje, o on-line em Portugal é uma aposta ganha, ninguém tem dúvidas que é o presente e o futuro do jornalismo. O número de visitas nos sites cresce de ano para ano e são batidos novos recordes. Este é um negócio bastante rentável para um meio de comunicação social, uma vez que exige um baixo custo de produção. O jornalismo tornou-se mais versátil e consistente, foi dada uma ideia de uma actualização constante, o que mostra um meio de comunicação atento 24 horas de dia e acima do acontecimento. O on-line foi, claramente, uma lufada de ar fresco num nicho de mercado estagnado, tornando-o mais global e próximo do cidadão.