Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O encontro desejado

Respiro fundo, estou numa pilha de nervos. Cheguei à porta principal do aeroporto com uma respiração ofegante. Corri para chegar o mais rápido possível, não consigo esperar mais. Faltava um minuto para a hora combinada. Vou em direcção à zona das chegadas. A pressão era enorme… As portas abrem-se mas apenas aparecem estranhos. A adrenalina estava ao máximo, apenas te queria ver. As saudades consumiam-me. Os segundos a passar eram uma tortura constante. Engulo em seco quando te vejo a aparecer, o meu coração acelerou instantaneamente. A aproximar-se de mim com passos nervosos tinha a mulher da minha vida. Os seus cabelos loiros destacam-se naquela pele de porcelana. Para mim era a perfeição na Terra! O aeroporto estava repleto de gente mas os meus olhos apenas iam uma pessoa. Soltei um sorriso nervoso. “Finalmente estás aqui”, pensei, enquanto corria ao seu encontro. Nada mais importava. A única coisa que desejava era estar nos seus braços num abraço eterno. Juntos num só, é assim que a vida vale a pena…

Imagem retirada de: http://cronicasdasurdez.com/

 

 

Segue-me em:

Sapo || Facebook || Twitter || Instagram || Youtube || Bloglovin' ||

Um encontro surpreendente

Não podia deixar de se emocionar ao ler aquilo. O voo tinha sido atrasado por mais uma hora, o que queria dizer que ainda tinha hipóteses de a encontrar. Voltou a correr deixando à sua passagem o piso molhado pela chuva que tinha apanhado pelo caminho. Ignorou o olhar reprovador de uma funcionária que estava a limpar uma zona ali perto. Não queria saber de nada, apenas queria agarrar aquela nova oportunidade que o destino lhe tinha concedido.
Percorreu rapidamente as pequenas lojas que havia no aeroporto, mas não havia sinais dela. Girou sobre si, não conseguido esconder a apreensão e frustração de não estar a conseguir encontrá-la. Parou repentinamente e permaneceu ali de olhos fechados. O desespero tinha-o tomado. Segundos após ter parado, ouviu um riso que lhe era conhecido e que lhe fez abrir instantemente os olhos.
"Gi , durante quanto tempo vais continuar a andar à roda?”, ouviu atrás de si. Aquele nome e aquela voz. Reconhecia-o em qualquer parte do mundo. Virou-se e ali estava ela com aquele sorriso que o tinha enfeitiçado. Como sempre, estava lindíssima. A pele bronzeada contrastava com os olhos claros e o cabelo loiro. Usava um vestido branco que ele lhe tinha oferecido no mais recente aniversário de namoro. O seu coração bateu mais forte, ela era um encanto para os seus olhos.
- Estive a tentar encontrar-te por todo o lado, temi que já não o conseguisse – disse-lhe, sem esconder o nervosismo. Estava a sentir aquele momento.
- Não contava ver-te, pensei que nos tivéssemos despedido ontem. Então a que devemos este belo canto de cisne? – questionou com um tom de ironia. No dia anterior tinham estado juntos durante umas horas escaldantes. Aquelas provocações não passavam de uma máscara, por dentro sentia-se pessimamente por ter de ir abandoná-lo. Amava-o verdadeiramente.
- Precisava falar contigo... Tinha que estar contigo mais uma vez – gaguejou a responder. Ontem todas as tentativas tinham-se revelado ineficazes, mas sabia que hoje ia ser diferente. Não tinha alternativa, aquela era a sua última oportunidade.
- Infelizmente não podemos ter a conversa de ontem – segredou-lhe ao ouvido, provocando-o mais uma vez. Ela adorava tirar-lhe do sério, principalmente nos momentos de maior tensão. – Ontem quando te despediste não disseste que me amavas, vieste cá dizê-lo foi?
- Amar-te igual a ontem? Não... Hoje amo-te ainda mais, não consigo parar de fazê-lo. A cada dia cresce mais. Portanto, não poder ver-te é uma tortura que não quero suportar. – após ter dito isso entregou-lhe um pequeno envelope com um sorriso nervoso.
Com o coração acelerado e repleto de curiosidade ela abriu a carta rapidamente. Dentro estava uma passagem para o local para onde ela ia, mas para o dia seguinte. Era um bilhete para ele. Ao ver aquilo, começou automaticamente a chorar. Contudo, aquele não era o único conteúdo do envelope. No interior estava um desenho de um anel.
- Mas que raio é isto Gi ? - perguntou-lhe confusa. Precisou de baixar o olhar para o ver. Ele estava de joelhos junto dela com um anel na mão.
- Por favor, casa comigo – pediu-lhe com a voz a tremer.

    

 [Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Perdido no aeroporto

Impossível! Não ia deixar a pessoa mais especial da sua vida partir daquela maneira. Iria lutar até ao fim, até que as suas forças acabassem. Não ia desistir tão facilmente, desta vez não. Não podia deixar sentir alguma responsabilidade por aquilo que estava a acontecer, tinha que a ver por uma última vez!
A chuva caia descontroladamente, a cada minuto a força parecia aumentar. Não se importou com isso, iniciou novamente a marcha. Desesperadamente, começou a correr o mais rápido que podia naquelas travessas semelhantes. Precisava de encontrar um táxi em algum lugar, mas as ruas estavam vazias. Só quando chegou a uma artéria principal é que conseguiu encontrar um que o pudesse levar até ao aeroporto. Aquele carro avançou pela capital numa corrida pelo amor verdadeiro. Desta vez não ia recuar. Ia dar o passo decisivo que não tinha tido coragem de dar durante meses. Sentia-se inútil por não ter sido capaz de lhe dizer tudo o que sentia, as palavras tinham ficado caprichosamente presas na garganta. Arrependia-se diariamente por aquela cobardia.
Repentinamente, acordou dos seus pensamentos quando sentiu o carro abrandar, ao olhar para a frente entrou em pânico. Não podia acreditar no azar que estava a ter! Á sua frente encontrava-se uma longa fila de carros que tornava irreal a ideia de poder chegar a tempo. Assim, não teve escolha a não ser pagar ao taxista e ir a correr até ao aeroporto. A hora estava a ficar perigosamente apertada, receava chegar demasiado tarde. O seu coração tremia quando via algum avião descolar. Podia ser ela não conseguia deixar de pensar. Completamente molhado, chegou ofegante à porta do aeroporto e dirigiu-se rapidamente ao quadro de voos. Os seus olhos percorreram rapidamente a informação e quando terminou uma lágrima caiu pela sua face.

[Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Recordar é viver

Um aeroporto é um mundo, disso não tinha quaisquer dúvidas. A sua vida era passada em diversos espaços aéreos , cada um parecia ter uma história particular. Aquele era apenas só mais um. Era um homem de negócios extremamente mediático, tinha enfrentado muitos dissabores ao longo da vida e achava-se preparado para tudo, mas o que ia sentir naquele dia estava longe de estar nos seus planos…

Estava habituado a todas as despedidas e burocracias normais de cada partida, era um costume a que se tinha habituado. Aquela era a sua vida. Naquele dia encontrava-se mais nervoso que o costume, apesar de já ter viajado centenas de vezes num avião nunca se conseguia adaptar aquela sensação. Era irónica a situação, pois era um homem que não gostava de mostrar fraqueza a ninguém, mesmo nos piores momentos da vida.

Percorrria descontraidamente a sala em que estava instalado, tentando colocar aqueles pensamentos para trás das costas. Para passar o tempo, percorria as caras que iam passando apressadas para cada voo. Fazia aquilo sem especial interessem, fixava aquelas caras durante alguns segundos, retidas no seu pensamento, acabando por as deixar esvoaçar para os seus destinos programados.

Inesperadamente, o seu olhar reteve-se numa face. Não conseguiu conter o seu olhar de desespero. Aquela cara era demasiado semelhante, trazia-lhe demasiadas recordações… Tudo deixou de ter importância aquele frio homem de negócios paralisou ao percorrer o corpo daquela mulher. Era tão familiar, mas só isso… familiar. Apenas e só familiar…

- Maria, doce Maria – balbuciou entre dentes, enquanto uma lágrima percorria a sua face. Memórias antigas trespassaram as barreiras enfraquecidas do seu ser. Alturas em que sorria para a sua falecida mulher. Recordações que todos os dias tentava esquecer estavam a inundar a sua alma.

Aquele era um momento de fraqueza total, deixou-se estar ali, desamparado, sem hipóteses de defesa, enquanto aquela mulher passava por ele sem sequer reparar nele. Por momentos sentiu tudo novamente, todos aqueles bons momentos, mas nada foi do que um intenso mar de recordações… Aquele momento, aquele olhar, aquele sentimento, foi retomar por momentos a um passado, a um livro fechado que jamais poderá voltar a viver. Ainda assim voltar a recordar-se disso fez-lhe sorrir…

[Ficção]