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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Páginas Folheadas (5) – Amor de Perdição

Um dos clássicos da literatura portuguesa é o grande destaque do 'Páginas Folheadas' deste mês. A referência é feita a Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, um romance publicado em 1862. A obra é um dos expoentes do período do Romantismo em Portugal. A obra foi alvo de várias adaptações cinematográficas, a que teve mais importância foi o filme realizado por Manoel de Oliveira em 1979.

A redacção dessa obra foi inspirada em fatos reais, vividos pelo tio de Camilo Castelo Branco, Simão António Botelho, preso por homicídio na Cadeia da Relação do Porto. O romance aborda duas famílias nobres – os Botelho e os Albuquerque – vêem o ódio mútuo ameaçado pelo amor entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque. O amor este casal improvável é contrariado pelo mundo exterior que vai levantado inúmeros obstáculos. Há uma clara batalha entre duas gerações completamente distintas. Será que o sentimento vai sobreviver ou vão ser consumidos pela perdição?

Um livro com um forte traço shakespeareano, Amor de Perdição é uma obra muito equilibrada e com um enredo forte e directo. Durante a obra, Camilo Castelo Branco escreve de forma primordial uma luta entre o amor e o ódio. Ao longo das páginas, não nos deparamos com um número excessivo de personagens, na verdade são as suficientes para que a acção se desenrole. O espaço caracterizado pelo ambiente social, numa sociedade provinciana na região da Beira Alta. É importante referir também a linguagem adequada presente ao longo da história, com um tom de ironia fortemente utilizado. 

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Já leram ou tem curiosidade de ler este livro? Tem interesse pela literatura portuguesa? Eram capazes de ir contra a vossa família por um verdadeiro amor?

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Um desafio literário

Fazia hoje uma semana desde que a tinha encontrado. Tinha sentido uma ligação instantânea com aquela mulher, como se tivessem sido feitos um para o outro. Pouco sabia daquela perdição que o tinha desafiado a voltar a encontrá-la. Durante a conversa, não lhe deu qualquer informação pessoal. Não sabia o seu nome, a sua idade, nem tão pouco a sua localização. Não teve outra opção senão aceitar aquele jogo. “Procura no coração dos livros, aí saberás onde me encontrar”, disse-lhe a mulher enquanto lhe deu um beijo demorado na face. Sorriu provocatoriamente e desapareceu sem deixar rasto.
O crítico literário começou a ir todos os dias à antiga livraria que ficava no final da sua rua. Vagueava pelas ruas sem destino, mas não voltou a encontrar aquela estonteante mulher. Temia não voltar a ver aquelas bochechas rosadas e aquela pele clara como neve. O desespero apoderou-se dele, a cada dia ficava mais frustrado. Sabia que tinha conhecido a mulher dos seus sonhos mas perdeu-a instantes depois. Que partida tão cruel que o destino lhe tinha reservado.
Não conseguia parar de pensar naquele encontro, estava presente em todas as alturas. Sentia-se preso aquele momento. Lia as páginas do livro de que tinham falado. Tornou-se o seu pequeno hábito. Fazia-lhe sentir um pouco mais perto do seu sonho. Já tinha passado uma semana daquele encontro e estava também nas últimas páginas daquele clássico. Nas últimas frases, teve uma epifania.
- Oh mas claro, que inteligente! Como fui tão tolo em não perceber logo! – deixou escapar, enquanto se vestia para sair naquela tarde solarenga. Vestiu a sua melhor roupa, queria de alguma forma surpreender.
Correu o mais rápido que conseguiu para o Convento de Monchique. Estava entusiasmado, sabia que tinha percebido a mensagem da misteriosa mulher que tinha roubado o seu coração. Á beira-mar, aquele tinha sido o local trágico do final do livro, a magia e a beleza ainda estavam presentes mesmo depois de tantos anos. Não conseguiu deixar de ficar maravilhado com aquele convento, já lá tinha ido muitas vezes, mas agora parecia ter algo diferente. Começou a vaguear pelo local com o coração aos pulos, sentia que estava perto e um largo sorriso cresceu assim que viu uma figura conhecida.
Ali estava aquela mulher que o tinha quase levado à loucura, não quis esperar mais e correu em sua direcção . Ela também avançou para ele com um brilho estonteante naqueles olhos esverdeados. Abraçaram-se durante vários minutos. “Vieste”, ela disse-lhe ao ouvido. Ele sorriu e deu-lhe um longo e apaixonado beijo. Alexandre e Isabel tinham começado o seu namoro, no local onde no livro todas as esperanças de um final feliz tinham terminado. A partir daí aquele casal apaixonado nunca mais se separou…


[Ficção]

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