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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

‘Público’ dá início à queda dos jornais em Portugal

A Sonaecom, detentora do jornal Público anunciou ontem que vai dispensar 48 funcionários, 36 dos quais jornalistas. Esses profissionais representam mais de 25% da redacção, que conta com cerca de 130 redactores. O objectivo, segundo anunciou em comunicado a empresa dona do jornal, é conseguir poupanças de 3,5 milhões de euros por ano.

O grupo Soane justifica a decisão com o facto “de a imprensa escrita estar desde há anos a atravessar uma mudança estrutural profunda, à escala mundial, que se tem traduzido numa forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online”. Ainda assim, a administração do diário espera continuar a “preservar os valores de qualidade e rigor da marca Público” pese embora a diminuição do número de jornalistas.

Entretanto, os trabalhadores da publicação diária decidiram, em plenário, mandatar os sindicatos para iniciar um processo de greve em resposta ao despedimento colectivo acordado entre a direcção editorial e a administração. "Este despedimento inviabiliza a continuidade do Público enquanto órgão de comunicação social de referência", lê-se num comunicado assinado pelo Conselho de Redacção e pela Comissão de Trabalhadores.

Desta forma, o Público, um dos jornais referência em Portugal, deu início ao que se prevê ser a queda dos jornais em Portugal. A grande diminuição nas vendas e o domínio da Internet apenas aceleraram aquele que vai ser o descalabro dos órgãos de comunicação nacional. Esta medida dá o mote para o desaparecimento de outras marcas tanto nesta como em outras empresas. Na imprensa escrita, o Diário de Notícias e o jornal I podem ser as próximas vítimas da redução de custos ou mesmo da sua extinção…

Esta situação coloca ainda mais difícil encontrar emprego nesta área. Actualmente, seguir a profissão de jornalista em Portugal é uma tarefa quase impossível. Simplesmente não há saída! A verdade é que o desaparecimento dos jornais em Portugal é sinónimo de um grande enfraquecimento da informação de qualidade no nosso país. Naturalmente, vai ser mais difícil encontrar os factos indispensáveis e as questões necessárias. Estar (bem) informado no nosso país torna-se cada vez mais uma miragem...

 

O fim anunciado da RTP2

António Borges, consultor do Governo para as privatizações confirmou nesta quinta-feira a Judite de Sousa, no ‘Jornal das 8’, na TVI, que “provavelmente a RTP2 vai fechar porque é um serviço caro para a audiência que tem”. O anuncio não causa nenhuma surpresa, até porque há muito se esperava esta medida. O mais estranho nisto tudo é ter sido um funcionário do Governo a anunciar os planos para a estação pública…

O canal que iniciou as suas emissões a 25 de Dezembro de 1968 deu sempre um enorme destaque à componente cultural. Curiosamente, a 14 de Maio de 2012, a RTP2 tornou-se no primeiro canal generalista português a emitir em 16:9. O que demonstra que foi uma estação parada no tempo e que tentou sempre evoluir e estar mais próximo dos seus telespectadores.

No meu ponto de vista, este sempre foi um projecto com pouca audiência mas de reconhecida qualidade. E, atenção, porque esta estação não tem que se preocupar com o número de telespectadores, mas sim com a qualidade informação que divulga. Não se pode negar. A RTP2 é um canal de minorias, claro que sim. Contudo, o Estado também tem de se preocupar com essas minorias e não só com o grande público. Não basta só satisfazer o público com programação comercial e o segundo canal tem provado isso ao longo dos anos.

De facto, é de lamentar o fecho desta estação televisiva, mas até agora parece ser a solução possível numa altura em que o Governo tenta cortar no orçamento. No entanto, desde há muito tempo, que é na RTP2 que passam os melhores programas quer a nível de desporto (e não só de futebol), cultura, ciências, séries, informação e desenhos animados. Caso se confirme (e não tenho nenhumas dúvidas que isso vai acontecer), é uma grande perda na formação e divulgação de qualidade no nosso país. 

Irrita-me particularmente que os conteúdos na televisão portuguesa são tudo a nivelar para baixo. Isso não acontece no segundo canal. Realmente, é de louvar a forma como este projecto tem sabido gerir a sua grelha e atrair novos públicos mesmo com um orçamento mais baixo que a casa mãe. Na verdade, é injusto que o canal mais transversal de Portugal seja aquele que está próximo de fechar.

A solução para menorizar os danos do desaparecimento deste emblemático canal passa por colocar os melhores programas no primeiro canal. É a melhor forma de manter o cartaz cultural defendido na RTP2. Reduzia-se os custos, mas os programas de maior qualidade resistiam a esta extinção… No meio disto tudo, é triste ver que a cultura em Portugal continua vulnerável e sem um verdadeiro apoio.   

 

Ciência e Letras: dois pólos de conhecimentos afastados?

Ao longo dos anos existe a eterna divisão entre os dois maiores pólos de conhecimento – as letras e a ciência. O afastamento destes dois sectores de conhecimento já se alarga num grande período temporal o que leva assim a pensar-se na incapacidade social de uma junção entre ambas. Carlos Fiolhais, no livro Curiosidades Apaixonantes, explica mesmo que esta é a “barreira mais alta” nas divisões das disciplinas. No entanto, nos dias de hoje esse afastamento (ainda) faz sentido? Julgo que não…
Na verdade, existe ao longo da história, personalidades de ambos os ramos que contrariam esta lógica. Se tomarmos como exemplo o grande génio do ocidente, Leonardo da Vinci podemos analisar a sua qualidade tanto a nível literário como científico. Calvino, na literatura, e Galileu, na ciência, são também bons exemplos que provam que pode ser possível uma junção entre ambas as áreas. Já a nível nacional, temos também alguns exemplos desta possibilidade, como é o caso de Carlos Fiolhais um cientista com aptidões a nível literário, sendo que no outro lado da barricada, António Gedeão destaca nos seus poemas alguns conceitos científicos.
Na minha prespectiva, julgo que isto acontece devido a haver uma necessidade de projectar estes dois grandes pólos de conhecimento para uma junção que iria intelectualmente ser bastante proveitosa e que acredito piamente trará aspectos bastante positivos para ambas as áreas evoluírem. O certo é que tanto a ciência como as letras precisam uma da outra! A ciência necessita das letras para divulgação das descobertas e das publicações dos estudos e no que diz respeito às letras existe a necessidade de abranger esta área tanto a nível literário como noticioso. São opostos que, inevitavelmente, se atraem.
Assim sendo, não dar valor a uma destas áreas é um erro elementar. Existe cada vez uma ligação e junção de vários meios a nível mundial e está é cada vez mais pertinente. Há assim uma necessidade de criar uma sociedade que se preocupe com ambas as questões, não desprezando uma em detrimento de outra. De facto, é indepensável um rompimento à ideia retrógrada de divisão de prateleiras das diversas competências. Algo que não faz qualquer sentido! É certo que há muito a evoluir nesse prisma, mas a mudança é possível, até porque “nada se perde, tudo se transforma”.

 

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo?

Cristiano Ronaldo é inevitavelmente a bandeira do desporto português além-fronteiras. Uma história de sucesso desportivo, de perseverança, de talento e de, principalmente, muito trabalho. Como em temporadas passadas, carregou nas suas costas a sua equipa: marcou, deu a marcar, fintou e correu. Foi uma máquina de jogar e fazer futebol. Apesar de algumas atitudes irreflectidas, é impossível colocar-lhe falhas ao seu despenho desportivo e profissionalismo.
A extraordinária técnica e a sua imprevisibilidade fazem dele uma ameaça constante à defesa adversária. Durante toda a época, Ronaldo foi o Real Madrid. É um rei na capital espanhola e os adeptos tem muito que agradecer a dedicação deste português para a conquista do título da liga espanhola. Os números do avançado do são de outro planeta: 52 jogos e 58 golos marcados. Um assombro! Não haveria dúvidas em proclamá-lo o melhor do mundo caso Leo Messi não existisse.
Além de ter de jogar contra os adversários em campo, Ronaldo enfrenta a sombra de Messi em todos as partidas. Os adeptos de futebol são mesmo uns privilegiados em ter dois jogadores deste nível a jogarem na mesma altura. Nesta época, o português até leva vantagem no confronto contra o argentino, mas complicou a sua situação com a eliminação das meias-finais da Liga dos Campeões (o Barcelona de Messi também caiu nesta mesma fase). Se Ronaldo tivesse vencido a distância entre os dois seria enorme, mas não o conseguiu e paira uma grande incerteza sobre quem vai ser o melhor do mundo neste ano.
No meu ponto de vista, vencer a liga espanhola pode ser curto para que Ronaldo vença a Bola de Ouro. Pelas enormes exibições que tem feito, acredito que CR7 ainda está em vantagem, mas terá que continuar neste nível de excelência.  E isso significa protagonizar um Europeu em grande, pois um mau desempenho pode levar a que seja classificado como um jogador que falha nas grandes decisões. Estou certo que a prestação nesta competição terá um peso decisivo na decisão final sobre quem será coroado o melhor jogador do mundo. Uma prova em que Messi não poderá participar por ser… argentino.
Se é justo dizer que nesta época Ronaldo esteve um patamar acima dos demais, é necessário que ele continue com exibições desta qualidade nos próximos desafios. Não pode permitir que os adversários se aproximem. Contudo, independentemente de vencer ou não este título, Ronaldo devia ser um orgulho no desporto nacional. Nunca nenhum português venceu duas Bolas de Ouro e este está muito próximo de consegui-lo. Pode-se gostar ou não da pessoa em causa, mas CR7 merece respeito pelo excelente trabalho que tem protagonizado ao longo da sua carreira.

 

O (des)acordo ortográfico

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, garantiu que não haverá qualquer revisão do acordo ortográfico, mas adiantou a hipótese de acertos no Vocabulário Ortográfico Comum, que deverá ficar concluído em 2014. “Será apresentada uma versão beta ainda este ano e até 2014 será encerrado. Ainda nem sequer foram incluídas no Vocabulário Ortográfico Comum as contribuições de Angola e Moçambique”, reforçou à agência Lusa.
Por sua vez, o escritor Vasco Graça Moura, um dos mais acérrimos opositores do actual acordo ortográfico, defende “a supressão das asneiras que lá estão [no documento]”. “O acordo é uma pura manifestação neocolonialista negociada entre Portugal e o Brasil com o mero corpo presente dos outros países participantes e isso é uma ofensa a culturas que se produzem na nossa língua, em África, por exemplo”, enalteceu.
O acordo ortográfico está a tornar-se cada vez mais um desacordo ortográfico, tendo em conta a controvérsia que tem gerado em muitos quadrantes da sociedade. Antes de mais, questiono-me o porquê desta alteração, quais são os benefícios que advém desta mudança. Sinceramente não consigo encontrar uma razão forte para esta medida, até porque acredito que não são estas ideias que vão unificar a língua portuguesa. Assim sendo, o que fica de benéfico neste acordo? Pouco ou quase nada.
Para quem não sabe este é uma temática que já anda a ser discutida há 22 anos, ou seja, desde 1990(!). É inconcebível estar tanto tempo a discutir sobre algo sem ainda se ter chegado a uma conclusão palpável. Digna de ser apresentada à população. No meu ponto de vista, é inqualificável os anos que são necessários para se tomada uma decisão que vai influenciar cerca de cento e oitenta milhões de pessoas! Por alguma razão esta demora acontece: porque este acordo ortográfico, realmente, não faz sentido nenhum…
Num acordo que contém dezassete páginas e vinte e um tópicos são defendidas que as alterações são mínimas nos dois países de maior importância: Brasil e Portugal (0,5% e 1,5%, respectivamente). Contudo, a supressão das consoantes mudas é fortemente criticada em Portugal. Algo natural, até porque isto é uma modificação demasiado radical  e que levanta problemas básicos.  De um momento para outro a grande maioria das pessoas no nosso país deixou de saber escrever ‘correctamente’.
Existem inúmeros países com a mesma língua, mas com diferenciações que são derivadas à sua história, cultura e sociedade. Inglaterra e Estados Unidos da América são os melhores exemplos. É natural que isto aconteça, até porque promove uma diversidade linguística que permite uma constante evolução da língua. A tentativa de unificar o português é uma medida desnecessária, despropositada e desenquadrada. Reflecte uma visão limitada e pouco virada para um futuro que aposta cada vez mais na diversidade e não na união.
Apesar de ainda faltarem dois anos, a implementação deste acordo a 2014 continua a parecer pouco viável. Longínqua, mesmo! Ainda se vê poucas preparações para uma alteração deste tipo, o que me leva a defender que este é um assunto que vai voltar a ser adiado. Se não se consegue chegar a um consenso nesta medida, isso só significa que não existe uma preparação real para uma modificação deste tipo…