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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Uma noite no escritório

Aquela bela mulher estava há pouco tempo na empresa, mas a sua ascensão estava a ser meteórica. Tudo o que fazia era perfeito, não cometia qualquer espécie de imprecisão. Passavam cada vez mais tempo juntos, o que os tornava mais cúmplices e próximos. A sua coordenação era absolutamente fantástica. O presidente estava cada vez mais encantado como se estivesse em qualquer tipo de feitiço. Para ele, a cada dia que passava aquela jovem parecia ficar mais bonita.

O seu feitio agressivo parecia ter adormecido, quase nem parecia a mesma pessoa. Aquela mulher tinha encontrado algum jeito para mudar aquele coração de pedra, fazendo daquele presidente alguém mais paciente e moderado. Tornaram-se raras as típicas explosões de ira no seu gabinete e o ambiente da empresa deixou de ser de tensão.

Ainda assim, ele estava agora mais nervoso que nunca. Desde que tinha sido contratado, ela tinha encontrado formas subtis de o provocar de maneiras que ele nem sequer pensou serem possíveis. Para o presidente, aquela era uma predição constante. Até porque sempre que ele tentava avançar, aquela mulher era sempre capaz de evitar o saboroso toque. Era uma espécie de jogo que era cada vez mais difícil de suportar…

Mas naquela noite tudo seria diferente. Os dois iam ter que ficar a fazer horas extraordinárias para ultimar um novo projecto da empresa. Estava extremamente entusiasmado pelas horas a sós, ainda que as horas custassem a passar. Impacientemente olhou para o seu relógio por diversas vezes. O seu coração acelerou quando a viu chegar. Usava um vestido preto bastante justo que enfatizava as curvas fantásticas que possuía. Engoliu em seco. Essa tenção só desvaneceu quando o edifício, finalmente, começou a ficar vazio. Enfim, estavam sozinhos.

Para sua surpresa, foi ela a tomar a iniciativa. Avançou para o gabinete olhando-o provocatoriamente. Quando chegou junto à porta, virou a cabeça e suavemente mordeu o lábio de forma lasciva. O presidente seguiu-a instintivamente, aquilo era demais para conseguir resistir. Lançou-se ao seu corpo e beijou-a fogosamente. A tentação tinha passado a realidade. Enquanto a beijava apaixonadamente, as suas mãos começaram a percorrer o corpo suave daquela mulher. A noite foi uma intensa volúpia de prazer, algo diferente que alguma vez tivesse ousado experimentar. Pela primeira vez, em muitos anos, aquele presidente tinha escolhido algo que não fosse o seu trabalho.   

 

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Uma entrevista que muda uma vida

Diante de si estava uma jovem com um encanto extraordinário. Loira de olhos azuis com uma beleza digna de poder desfilar nas mais mediáticas passerelles de todo o mundo. Ficou sem reação por uns momentos. Não conseguiu tirar os olhos dela, arrebatado com aquela extraordinária mulher. “Sente-se por favor” acabou por lhe dizer, ainda meio atordoado. Ela deu um pequeno e sedutor sorriso e avançou decidida, sem qualquer tipo de hesitação.

Devia ser vinte anos mais nova que ele, tinha entrado para o seu gabinete para uma entrevista de trabalho. Ninguém era admitido naquela empresa, sem antes ser inquirido pelo presidente. Era uma espécie de teste final, precisavam convencer aquele imponente homem com as palavras. Algo extraordinariamente difícil de fazer, já tinha recusado um número infindável de pessoas. Contudo, hoje estava a viver um momento diferente. Aquela mulher ainda não tinha dito uma única palavra e ele já estava totalmente convencido. Sorriu e não deixou de pensar o quão pouco profissional estava a ser. Percebeu com rapidez que com aquela mulher estava disposto a quebrar todas as regras que tinha imposto ao longo da sua vida.

Tentou o melhor que podia parecer natural e fez um pequeno gesto para que ela começasse a falar. Para sua surpresa, ela tinha um discurso implacável e cativante. Se ele tinha ficado maravilhado pelo seu aspecto, aquele diálogo tinha-o feito ficar completamente nas nuvens. Podia estar horas a ouvi-la que não se iria cansar. A sua voz era melodiosa e doce, o que tornava aquela conversa ainda mais irresistível.

Deixou cair as suas barreiras. Não era capaz de negar que se sentia atraído por aquele charme natural. O seu coração tremia de entusiasmo, sem desejar voltou a sentir algo de uma forma intensa. A entrevista terminou, mas a sua decisão já tinha sido tomada há muito. Não pensou duas vezes em contratá-la, a notícia foi recebida com um largo sorriso provocador. Sem saber ainda, a sua vida tinha começado, de facto, a mudar…

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Prazer em altura de crise

Apesar de para muitos ser um luxo, há cada vez mais interessados nos spas. Há uma grande subida no número de portugueses que procuram estes serviços. É um prazer saudável (mas dispendioso) em tempo de crise. Uma moda que parece estar para ficar e que é que sintoma de uma vida cada vez mais stressante. Aromaterapia, hidro­terapia ou massagens são tratamentos cada vez mais familiares para os por­tugueses, sinónimo de um alívio merecido para um cor­po cada vez mais castigado pelo trabalho e uma mente cansada do ritmo intenso do dia-a-dia.

A palavra spa é uma abreviação do vocábulo latino que se designa como “solus per aqua”, e que na língua portuguesa pode traduzir-se como saúde através da água. Esta invenção criada pelos romanos está a receber uma aceitação explosiva em Portugal. E o que faz algo que já foi descoberto há vários séculos ter tal aumento nos últimos tempos? A meu ver dois factores terão sido essenciais. Em primeiro lugar, a enorme publicidade que dispôs com cartazes, spots publicitários e um enorme acompanhamento por parte dos media. Houve uma altura em que não se falou de outra coisa sem ser spas. Em segundo, devido a estar na moda estes espaços de prazer/lazer. E como país de modas que somos deu-se a massificação, mesmo apesar da crise que afecta grande parte da população…

Na realidade, de há quatros anos para cá tem havido um crescimento enorme neste mercado. Se existem pessoas que acabam por viver de modas e utilizar este produto por causa disso, também não nos podemos esquecer da existência de pessoas preocupadas com o seu corpo e com o seu bem-estar. É sinal de uma vida cada vez mais desgastante e atarefada, existindo realmente um desejo por se sentir melhor. Dessa forma, os spas tem vindo a conseguir cada vez mais seguidores e os números das empresas que trabalham neste ramo lucram imenso.

Em Portugal, durante a maior parte do século XX, apenas existiram as Termas, spas termais históricos, onde se privilegia a tradicional ingestão de água e os tratamentos à base de imersão ou duches. Contudo, só no final do século XX, assistiu-se ao aparecimento de spas de hotel, iniciando-se este movimento no Algarve e rapidamente alargando-se a todo o país. O serviço prestado baseia-se em infra-estruturas termais mais ligeiras e privilegia as massagens e serviços complementares de um hotel. Assim, a evolução rápida e forte deste meio foi inevitável.

Recentemente, surgiram os spas urbanos, espaços de menor dimensão, situados nas cidades e orientados para massagens, tratamentos de estética e medicina não invasiva, fornecendo pacotes de serviços de duração inferior a um dia. O bem-estar é o principal objectivo de um serviço que tem como tipo de clientes definidos maiores de 35 anos e de classe mé­dia alta. Contudo, o leque de interessados tem vindo a aumentar de forma esclarecedora, numa moda que parece estar para durar em território nacional.