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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Capítulo 6 - A pior coisa em Londres...

Novembro de 2016... Desde que comecei a contar a minha aventura em Inglaterra no blogue que apenas tenho abordado as coisas boas que Londres me proporcionou até agora. Mas desenganem-se, esta não é a história de uma cidade perfeita. Não, Londres não é de todo uma cidade perfeita. Longe disso. Claro que como em todos os lugares, a capital britânica tem os seus aspectos negativos. 

Hoje vou falar aquele que mais me atormenta. Provavelmente acho que não vou surpreender ninguém a dizer isto, mas a pior coisa em Londres é... o tempo! A chuva e o frio são uma constante em Londres. Mas isso não foi surpresa nenhuma para mim, eu já estava preparado psicologicamente para um clima adverso. Há muitos anos conhecia a fama do tempo britânico. No entanto, uma coisa é estar preparado, outra bem diferente é viver isso diariamente...

Acordar às 6 da manhã e olhar para a janela e ver que um diluvio me espera lá fora é complicado. Principalmente nos dias de trabalho, esses são os que custam mais. Óbvio que com o tempo consegui habituar-me a isso, mas ainda assim ainda custa passar por aqueles dias cinzentos onde o sol não aparece. Não é uma situação fácil, mas bem há coisas muito piores na vida...

 
 

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Um encontro surpreendente

Não podia deixar de se emocionar ao ler aquilo. O voo tinha sido atrasado por mais uma hora, o que queria dizer que ainda tinha hipóteses de a encontrar. Voltou a correr deixando à sua passagem o piso molhado pela chuva que tinha apanhado pelo caminho. Ignorou o olhar reprovador de uma funcionária que estava a limpar uma zona ali perto. Não queria saber de nada, apenas queria agarrar aquela nova oportunidade que o destino lhe tinha concedido.
Percorreu rapidamente as pequenas lojas que havia no aeroporto, mas não havia sinais dela. Girou sobre si, não conseguido esconder a apreensão e frustração de não estar a conseguir encontrá-la. Parou repentinamente e permaneceu ali de olhos fechados. O desespero tinha-o tomado. Segundos após ter parado, ouviu um riso que lhe era conhecido e que lhe fez abrir instantemente os olhos.
"Gi , durante quanto tempo vais continuar a andar à roda?”, ouviu atrás de si. Aquele nome e aquela voz. Reconhecia-o em qualquer parte do mundo. Virou-se e ali estava ela com aquele sorriso que o tinha enfeitiçado. Como sempre, estava lindíssima. A pele bronzeada contrastava com os olhos claros e o cabelo loiro. Usava um vestido branco que ele lhe tinha oferecido no mais recente aniversário de namoro. O seu coração bateu mais forte, ela era um encanto para os seus olhos.
- Estive a tentar encontrar-te por todo o lado, temi que já não o conseguisse – disse-lhe, sem esconder o nervosismo. Estava a sentir aquele momento.
- Não contava ver-te, pensei que nos tivéssemos despedido ontem. Então a que devemos este belo canto de cisne? – questionou com um tom de ironia. No dia anterior tinham estado juntos durante umas horas escaldantes. Aquelas provocações não passavam de uma máscara, por dentro sentia-se pessimamente por ter de ir abandoná-lo. Amava-o verdadeiramente.
- Precisava falar contigo... Tinha que estar contigo mais uma vez – gaguejou a responder. Ontem todas as tentativas tinham-se revelado ineficazes, mas sabia que hoje ia ser diferente. Não tinha alternativa, aquela era a sua última oportunidade.
- Infelizmente não podemos ter a conversa de ontem – segredou-lhe ao ouvido, provocando-o mais uma vez. Ela adorava tirar-lhe do sério, principalmente nos momentos de maior tensão. – Ontem quando te despediste não disseste que me amavas, vieste cá dizê-lo foi?
- Amar-te igual a ontem? Não... Hoje amo-te ainda mais, não consigo parar de fazê-lo. A cada dia cresce mais. Portanto, não poder ver-te é uma tortura que não quero suportar. – após ter dito isso entregou-lhe um pequeno envelope com um sorriso nervoso.
Com o coração acelerado e repleto de curiosidade ela abriu a carta rapidamente. Dentro estava uma passagem para o local para onde ela ia, mas para o dia seguinte. Era um bilhete para ele. Ao ver aquilo, começou automaticamente a chorar. Contudo, aquele não era o único conteúdo do envelope. No interior estava um desenho de um anel.
- Mas que raio é isto Gi ? - perguntou-lhe confusa. Precisou de baixar o olhar para o ver. Ele estava de joelhos junto dela com um anel na mão.
- Por favor, casa comigo – pediu-lhe com a voz a tremer.

    

 [Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Perdido no aeroporto

Impossível! Não ia deixar a pessoa mais especial da sua vida partir daquela maneira. Iria lutar até ao fim, até que as suas forças acabassem. Não ia desistir tão facilmente, desta vez não. Não podia deixar sentir alguma responsabilidade por aquilo que estava a acontecer, tinha que a ver por uma última vez!
A chuva caia descontroladamente, a cada minuto a força parecia aumentar. Não se importou com isso, iniciou novamente a marcha. Desesperadamente, começou a correr o mais rápido que podia naquelas travessas semelhantes. Precisava de encontrar um táxi em algum lugar, mas as ruas estavam vazias. Só quando chegou a uma artéria principal é que conseguiu encontrar um que o pudesse levar até ao aeroporto. Aquele carro avançou pela capital numa corrida pelo amor verdadeiro. Desta vez não ia recuar. Ia dar o passo decisivo que não tinha tido coragem de dar durante meses. Sentia-se inútil por não ter sido capaz de lhe dizer tudo o que sentia, as palavras tinham ficado caprichosamente presas na garganta. Arrependia-se diariamente por aquela cobardia.
Repentinamente, acordou dos seus pensamentos quando sentiu o carro abrandar, ao olhar para a frente entrou em pânico. Não podia acreditar no azar que estava a ter! Á sua frente encontrava-se uma longa fila de carros que tornava irreal a ideia de poder chegar a tempo. Assim, não teve escolha a não ser pagar ao taxista e ir a correr até ao aeroporto. A hora estava a ficar perigosamente apertada, receava chegar demasiado tarde. O seu coração tremia quando via algum avião descolar. Podia ser ela não conseguia deixar de pensar. Completamente molhado, chegou ofegante à porta do aeroporto e dirigiu-se rapidamente ao quadro de voos. Os seus olhos percorreram rapidamente a informação e quando terminou uma lágrima caiu pela sua face.

[Ficção]

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Uma corrida contra o tempo

Faltavam poucos dias para começar o verão mas inexplicavelmente chovia. Isso não o impediu de sair de casa extremamente apressado. Nem o tempo tinha pena daquele pobre coitado. O dia estava longe de correr bem, na verdade corria pessimamente. Hoje, a mulher que sempre amou ia partir para outro país. Uma viagem só de ida, sem prazo de regresso. A saudade já se tinha apoderado dele. A pessoa que mais amou ia desaparecer da sua vida, nada lhe fazia mais triste que perceber a inevitabilidade da situação. Contudo, mão podia deixar isso acontecer. Ia lutar para que aquele amor não se perdesse no caos do tempo e da distância. Não ia desistir, não se podia permitir a isso.

Correu rua fora, ainda estava a tempo de a encontrar e de demovê-la daquela decisão. Não era dado a loucuras, mas a situação era demasiado intensa para não fazer nada. O momento revelava-se problemático teria que fazer tudo para lutar por aquele amor intenso e sincero. Estava encharcado quando chegou à rua dela. Viu que estava um táxi à frente da sua casa que começou a andar segundos depois de ter virado a esquina. Tinha-a perdido para sempre? 

 [Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Momento de liberdade

Tinha acabado de sair do trabalho e chovia torrencialmente lá fora. Ele não quis esperar que o temporal ficasse mais calmo. Não tinha guarda-chuva. Nunca o trazia, para ele era um utensílio dispensável. Começou a correr pela rua molhada, onde ninguém passava. Estava sozinho, apenas ele tinha decidido sair. Nunca tinha sido audaz para estas atitudes intempestivas mas hoje escolheu sair da rotina. Quis soltar-se. No fundo, quis ser livre por momentos e aproveitar esse tempo como se fosse o último que aquela patética vida lhe permitia. Sem nenhuma justificação, parou e reparou que todo o seu corpo estava completamente encharcado. Não conseguiu deixar de sorrir. Algo tão simples provocou-lhe uma segurança e calma que não sentia há muito tempo. Onde se tinha perdido? Não conseguiu deixar de se perguntar. Era curioso como nos esquecemos com tanta facilidade do prazer que a verdadeira facilidade nos provoca. É algo tão básico que nos esquecemos de lhe dar valor e sem nos apercebermos afastamo-nos perigosamente dela. Desta vez ia ser diferente. Ele não ia permitir que se perdesse de novo. Ergueu os braços e fechou os olhos, sentiu-se quase abençoado por aquela chuva que não parava de cair. Sabia tão bem voltar a encontrar a felicidade. Foi nesse dia que aprendeu novamente o valor de um sorriso sincero. 

[Ficção]