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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Pensamentos descontrolados

Sempre tive pensamentos descontrolados. Vivo num turbilhão de ideias que correm sempre a velocidades estrondosas. Num segundo sou capaz de percorrer o mundo. Deve ser por isso que passo a vida a questionar tudo à minha volta. Mantenho-me um inconformado, reconheço que sou difícil de convencer. Enquanto isso, continuo à procura de respostas que tendem em fugir-me. O desconhecimento leva a que a impaciência e a ansiedade acompanhem-me a cada dia que passa numa constante crueldade. É tão difícil de suportar esta situação! Na verdade, apenas quero que chegue o meu momento, a altura para poder voltar a brilhar.
Risco os dias no calendário com o único desejo que eles passem mais depressa. Lá fora, o mundo corre à velocidade dos meus pensamentos. Isso revoltava-me imenso, pois queria que o mundo caminhasse à velocidade das minhas acções! Sei que isso não passa de um desejo ingénuo, um querer não conseguido. E assim sendo sinto receio das minhas decisões, as dúvidas alastram-se cada vez mais. No fundo, sei que são estas perguntas que nos fazem viver. Estas preocupações mesquinhas que pintam o nosso caminho. Sinceramente, gostava de viver uma vida simples e sem preocupações. Mas não consigo! Já o tentei fazer, mas penso demais! Não consigo esquecer todos os tormentos diários, simplesmente não consigo…

[Ficção]

Saudade de um amigo

Prometemos que a nossa amizade ia ser eterna, que nada nem ninguém iria ser capaz de derrubá-la. Pensado nisso, foi há tanto tempo que isso aconteceu… Ainda te lembras? Foi um momento tão verdadeiro e puro, mas que agora perde cada vez mais cor e beleza. Vivemos perto um do outro, mas parece que vives noutra parte do globo. Já me esquecia quando foi a última vez que te vi. E isso é estranho porque sempre pensei que fosses o último a abandonar-me mas foste o primeiro. Irónico, não? Agora onde estão as palavras de amizade? E eu que tenho tanta coisa para te contar meu amigo, mas já nem me recordo da nossa última conversa. Eras o irmão que nunca tive, hoje já não sei o que és. Pergunto-me diariamente.  Não vou esconder, mas isso magoa. O teu silêncio dói cada vez mais. Lutei por uma aproximação, esforcei-me para que as coisas voltassem a ser como antes. Nada volta para trás e os nossos caminhos estão cada vez mais longe, apesar de estarmos aqui tão próximos. Hoje esta vida é estranha, onde não existe o teu conselho, a tua piada ou mesmo a tua provocação. Tenho ganho tantas batalhas amigo, mas todas elas são incompletas porque não tenho a tua palavra para me felicitar. Fomos inseparáveis, crescemos juntos e acompanhamos a vida um do outro. Será que isso não tem significado? Bolas, não tens reacção! Tenho mais a viver contigo, há muitas mais aventuras para passar. Hoje, escrevo estas palavras com muita saudade de uma amizade cúmplice, sincera e mágica. Amigo, quando nos voltamos a ver?

 

Neva lá fora

Uma estranha manhã traz com ela um sentimento peculiar distinto de todos os outros dias. Um novo desafio ergue-se como um infindável número de obstáculos, um novo caminho desponta em longas e intermináveis dúvidas e perseguições. Estarei preparado para combatê-los? Aumenta uma cruel dúvida sobre as minhas capacidades em garantir que tudo vai correr bem. Estranhamente, neva lá fora. As ruas ficam amontoadas de uma passadeira branca, uma extrema e intensa beleza persegue-me enquanto olho através da janela. Essa perfeição faz com que me recorde de ti, a neve é da cor da tua maravilhosa pele. Lembro-me do teu sorriso e essa sensação dá-me força para continuar, respiro fundo e regresso à minha indecisão. De uma forma enérgica procuro um momento de clareza, em que algo torne esta decisão mais autêntica e consistente. No fundo, uma razão que faça com que tudo valha a pena. Não a encontro. Num instante tudo é posto em causa, estarei a proceder bem? Lá fora, a neve cai como nunca, parece não ter fim. As minhas dúvidas também não. Enquanto olho para aquele magnifico espectáculo penso: será que realmente é preciso tomar esta decisão? Sei que o tenho de fazer. O desafio pelo qual lutei e me esforcei toda a minha vida está hoje ao meu alcance, apenas precisa da minha aprovação e irei iniciar uma jornada que ficará marcada para sempre na minha vida. Está na altura de escolher dar o passo determinante para que o sonho finalmente se torne realidade. Independente das dúvidas que tendem a possuir-me sei que só há um caminho a tomar. De um momento para o outro, começo a sentir uma força interior, algo divergente ao que alguma vez senti. Os meus olhos começam a brilhar apenas e só com um objectivo: vencer. Solto um grito e com um gesto peculiar sinto-me ascender a uma vitória imensa e sublinhe. Tudo muda em mim. Olho de novo para a janela. Finalmente, a neve pára, deixando o espaço repleto duma renovada decoração…

 

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Dependência

Sentido. As palavras não têm sentido, falta-lhes lógica. Nós damos essa lógica. O mundo carece dessa componente. Falta-lhes tudo, mas principalmente sentido. Na realidade, não há certo nem errado, nós é que lhe damos essa avaliação. Não existe falhas, pois é o Homem que lhes dá essa condição…

E se esse pensamento estiver enganado? No fundo, se o certo for errado e o errado for certo. Isso pode muito estar a acontecer. Se não passarmos de seres ilógicos que procuram a coerência, mas que nunca conseguem atingi-la, nem sequer aproximar-se a ela. Passamos a ser apenas e só animais? Mas nós continuamos a sê-lo! Queremos guerras, conquistas e mortes. Não evoluímos, só perdemos a cada dia que passa.

No entanto, a sociedade actual diz que progredimos que estamos numa nova era. A da tecnologia. Que o mundo vai mudar, que tudo vai ficar e ser melhor. E nós acreditamos. Prestamos vassalagem às máquinas, como se elas fossem a nossa salvação, mas são a nossa perdição! Estamos iguais, apenas mais mortíferos e sozinhos. Está tudo fora do controlo. Com a tecnologia perdemos o outro, perdemo-lo e só ganhamos o EU. Eu posso, eu faço, eu mando, eu isto e aquilo! E o nós? E tu, onde andas? Desapareceste, escondeste-te, deixaste-te apenas consumir…

Desaproveitamos a mobilidade, o amor e a vida. Tudo se transfigura numa deflagração de solidão e isolamento, na qual sistematicamente é utilizado o mesmo registo: o esquecimento. É esse o preço do egoísmo e o egocentrismo cada vez mais patente na sociedade actual.

 

 

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