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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Um abraço mágico

Dirige-se para sua casa cabisbaixo, o dia tinha-lhe corrido francamente mal. Voltara a falhar, não queria acreditar naquilo que lhe estava a acontecer. A entrevista de trabalho que tinha feito não tinha corrido como pretendia, sabia que não iria ser chamado. Completava quarenta anos daqui a umas semanas e as oportunidades eram cada vez menos, não lhe era permitido continuar a desperdiçar oportunidades. Já não tinha as ilusões da juventude, sabia que aquelas dificuldades eram problemáticas. Estava destroçado por não conseguir ajudar em casa, passava os dias frustrado numa espiral de derrota sem conseguir dar um passo em frente. Ia caminhando sem erguer a cabeça, estava com pena de si próprio. Mesmo tendo uma carreira de prestigio e ser um trabalhador competente e cumpridor, a crise fez com que vivesse um autêntico pesadelo. A sua confiança nunca mais foi a mesma, simplesmente despareceu. Sentia-se perdido, sem rumo. Entrou em casa completamente derrotado, a sua mulher veio rapidamente ter com ele ansiosa por novidades. Não precisou de dizer absolutamente nada, ela abraçou-o instintivamente. Aquele gesto fez com que tudo ficasse melhor. Ela era a sua rocha, possuía a capacidade de tornar todos os seus dias melhores, de afasta-lo daquele abismo negro. Aquela era a força do verdadeiro amor!

[Ficção]

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Imagem espontânea (17)

Uma rubrica que já um habitué neste blogue regressa para a décima sétima edição. Com o final do ano muito próximo, decidi trazer uma imagem de algo cada vez mais preocupante na sociedade: o emprego. Os números de desemprego não param de aumentar o que cria cada vez mais uma dificuldade social. Em Outubro, a taxa de desemprego em Portugal subiu para os 16,3%, a terceira maior dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Pior só a Espanha e a Grécia. Esta é, assim, uma situação mais crítica e urge tomar medidas para combater este flagelo. Dessa forma, espero que neste próximo ano seja possível trazer melhores notícias neste capítulo… Esta é a situação mais preocupante do país? Quais são as soluções para acabar com o desemprego? 

 

“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra” (Aristóteles)

‘Público’ dá início à queda dos jornais em Portugal

A Sonaecom, detentora do jornal Público anunciou ontem que vai dispensar 48 funcionários, 36 dos quais jornalistas. Esses profissionais representam mais de 25% da redacção, que conta com cerca de 130 redactores. O objectivo, segundo anunciou em comunicado a empresa dona do jornal, é conseguir poupanças de 3,5 milhões de euros por ano.

O grupo Soane justifica a decisão com o facto “de a imprensa escrita estar desde há anos a atravessar uma mudança estrutural profunda, à escala mundial, que se tem traduzido numa forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online”. Ainda assim, a administração do diário espera continuar a “preservar os valores de qualidade e rigor da marca Público” pese embora a diminuição do número de jornalistas.

Entretanto, os trabalhadores da publicação diária decidiram, em plenário, mandatar os sindicatos para iniciar um processo de greve em resposta ao despedimento colectivo acordado entre a direcção editorial e a administração. "Este despedimento inviabiliza a continuidade do Público enquanto órgão de comunicação social de referência", lê-se num comunicado assinado pelo Conselho de Redacção e pela Comissão de Trabalhadores.

Desta forma, o Público, um dos jornais referência em Portugal, deu início ao que se prevê ser a queda dos jornais em Portugal. A grande diminuição nas vendas e o domínio da Internet apenas aceleraram aquele que vai ser o descalabro dos órgãos de comunicação nacional. Esta medida dá o mote para o desaparecimento de outras marcas tanto nesta como em outras empresas. Na imprensa escrita, o Diário de Notícias e o jornal I podem ser as próximas vítimas da redução de custos ou mesmo da sua extinção…

Esta situação coloca ainda mais difícil encontrar emprego nesta área. Actualmente, seguir a profissão de jornalista em Portugal é uma tarefa quase impossível. Simplesmente não há saída! A verdade é que o desaparecimento dos jornais em Portugal é sinónimo de um grande enfraquecimento da informação de qualidade no nosso país. Naturalmente, vai ser mais difícil encontrar os factos indispensáveis e as questões necessárias. Estar (bem) informado no nosso país torna-se cada vez mais uma miragem...

 

Lutar pelos sonhos… lá fora

Com o acentuar da crise económica, é cada vez mais frequente ver jovens a abandonar o país. Em Portugal, parece ser uma missão impossível encontrar emprego. Torna-se difícil lutar pelos sonhos aqui (será que ainda é possível?), visto que as hipóteses são cada vez menos. Enquanto isso, os sinais de melhoria são inexistentes e os obstáculos cada vez mais numerosos. Será que ainda vale a pena ter alguma esperança e lutar pelos nossos sonhos neste país? Cada vez é mais difícil acreditar que sim isso é possível…

Quase metade dos jovens portugueses está afastada do mercado de trabalho. Segundo números do Instituto Nacional de Estatística (INE) para o segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego real para os menores de 25 anos é de 48,7%, ou seja, afecta mais de 234 mil jovens. Estes números demonstram a situação crítica que Portugal atravessa e os problemas sociais que isso pode motivar. A verdade é que neste momento o nosso país é um local a evitar para quem quer ter futuro.

A economia não consegue gerar empregos suficientes para absorver a mão-de-obra jovem, mas isso não pode ser usado como desculpa para não se fazer nada para resolver esta questão. A verdade é que os jovens neste país estão totalmente estagnados! Naquela que é a geração com maior formação académica, é absurdo a forma como nós somos tratados! Parece que andamos a tirar cursos para absolutamente nada. Aposta-se na educação, mas depois disso o que temos é zero. Trabalho zero, perspectivas zero e sonhos zero.

Os anos passam e não há melhorias. Ninguém gosta de se sentir a mais e ver o seu futuro esfumarem-se. Num país que cada vez acredita menos nos jovens, a solução passa por ir embora. Sair daqui, ir para um sítio onde sejamos realmente valorizados! Ir à procura de uma vida melhor. Chega de sermos esmagados! Basta de nos sentirmos uns fracassados! Para nós não há um verdadeiro lugar na sociedade, um espaço onde seja possível aproveitar a energia, inteligência e entusiasmo desta nova geração.  O melhor a fazer? Desaparecer daqui!