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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Um abraço mágico

Dirige-se para sua casa cabisbaixo, o dia tinha-lhe corrido francamente mal. Voltara a falhar, não queria acreditar naquilo que lhe estava a acontecer. A entrevista de trabalho que tinha feito não tinha corrido como pretendia, sabia que não iria ser chamado. Completava quarenta anos daqui a umas semanas e as oportunidades eram cada vez menos, não lhe era permitido continuar a desperdiçar oportunidades. Já não tinha as ilusões da juventude, sabia que aquelas dificuldades eram problemáticas. Estava destroçado por não conseguir ajudar em casa, passava os dias frustrado numa espiral de derrota sem conseguir dar um passo em frente. Ia caminhando sem erguer a cabeça, estava com pena de si próprio. Mesmo tendo uma carreira de prestigio e ser um trabalhador competente e cumpridor, a crise fez com que vivesse um autêntico pesadelo. A sua confiança nunca mais foi a mesma, simplesmente despareceu. Sentia-se perdido, sem rumo. Entrou em casa completamente derrotado, a sua mulher veio rapidamente ter com ele ansiosa por novidades. Não precisou de dizer absolutamente nada, ela abraçou-o instintivamente. Aquele gesto fez com que tudo ficasse melhor. Ela era a sua rocha, possuía a capacidade de tornar todos os seus dias melhores, de afasta-lo daquele abismo negro. Aquela era a força do verdadeiro amor!

[Ficção]

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Há sempre uma luz…

Passaram-se seis meses desde que tinha recebido a carta a confirmar o divórcio. Desde aí tinha ficado descuidado, não se preocupava consigo. Esquecia-se de cortar a barba não tinha qualquer cuidado em arranjar-se e passava os dias a embebedar-se. Perdera o emprego. Vivia numa constante solidão, na verdade tinha-se afastado de todas as pessoas que conhecia. A vida tinha deixado de fazer sentido, vivia nas sombras, caminhando cegamente para uma espiral de destruição.

Naquela tarde, estava um calor abrasador, mas aquele homem arrastava-se penosamente nas ruas. Tinha tido uma nova discussão no bar local. Estava cansado, as forças estavam a abandona-lo. Sentiu uma forte tontura e perdeu o equilíbrio. Colapsou quase instantaneamente caindo estrondosamente no chão frio. Não se importou, fechou os olhos e ficou ali deitado no meio da estrada durante vários minutos. Ouvia passos perto que ignoravam o seu estado, mas isso não o importava.

Por momentos quase que apreciou aquele momento de solidão total. Contudo, de repente surgiram passos apressados que se aproximavam cada vez mais. Iam na sua direcção, percebeu isso. No instante seguinte, sentiu uma mão esforçar-se por levantá-lo. Esforçou-se por abrir os olhos, mesmo com o sol de frente. No meio de toda aquela claridade conseguiu ver a face de uma jovem. Aquela luz dava-lhe uma aura divinal. Mesmo nos lugares mais sombrios, há sempre uma luz, pensou. Só teve tempo para sorrir e desmaiar. Para ele, o seu milagre tinha acontecido…

[Ficção]

Parte 1 || Parte 2

A dor da separação

Passados três meses, tinha recebido a carta que lhe partiu o coração. Em cima da secretária, estava o pedido de divorcio. Um casamento de uma década desfeito através de umas simples e frias palavras. Não recebera aquela notícia com surpresa, já a esperava há algum tempo, mas perceber que não havia saída daquele pesadelo era uma realidade dura de suportar. Aceitar aquela separação era reconhecer que os últimos dez anos da sua vida não passaram de um fracasso. Desde cedo que tinha tentado agradar aquela mulher de todas as formas possíveis, dando-lhe todo o amor que tinha e concretizando todos os seus caprichos. Tinha vivido para aquele amor. Dedicou-se intensamente aquela relação, mas o único agradecimento que tinha recebido era vários gestos de ingratidão culminados com aquela carta. “O que tinha falhado?”, não deixou de pensar enquanto lia pela centésima vez aquele papel. Acreditava piamente naquele amor e aquele acto tinha sido um golpe demasiado duro para ultrapassar. Não podia acreditar o quão iludido tinha estado durante tanto tempo. Não conseguiu conter que uma lágrima caísse na sua pele já com algumas rugas, estava demasiado fraco para conseguir manter-se afastado daquela tristeza e desilusão. Agora, para que tudo aquilo ficasse selado, apenas precisavam de uma assinatura dele, um pedido para assumir que todos os seus sonhos tinham sido abatidos com aquela separação. Levantou-se da cadeira e foi encher um copo de whisky. Deu um longo trago repentinamente. “Que assim seja!”, afirmou numa voz intensa de desespero, enquanto começava a rubricar aquele papel. O seu casamento tinha terminado oficialmente naquele momento, tal como a sua vontade de sonhar…

[Ficção] 

Parte 1 || Parte 2