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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Sala de cinema (24)- A Gaiola Dourada

O Um Mar de Recordações não podia ficar alheio ao filme que nos últimos dias tem sido repetidamente abordado em Portugal. Falo d’A Gaiola Dourada, uma comédia de costumes com realização do luso-descendente Ruben Alves. Em apenas um mês o filme ultrapassou os 438 mil espectadores, tornando-se no filme mais visto este ano em Portugal. A obra de Ruben Alves já obteve receitas superiores a 10 milhões de euros (só no nosso país foram arrecadados cerca de 2 milhões).

A longa-metragem aborda a vida de Maria e José Ribeiro, um casal de portugueses emigrados em França há mais de três décadas. Ela sempre trabalhou como porteira de um prédio e ele na construção civil. Todos gostam deles, quer pela sua simpatia, quer pela sua incansável boa vontade para ajudar. Quando o casal recebe a notícia de uma herança em Portugal que lhes concretiza o velho sonho do regresso às raízes, tudo parece perfeito. No entanto, a sua família, os seus vizinhos e os patrões não os querem deixar partir. Até onde serão capazes de ir para os tentar mudar de opinião?

Não estamos a falar de um obra-prima, mas de uma longa-metragem que dá aquilo que promete – uma visão da vida de alguns emigrantes em França. Mesmo partindo de alguns lugares-comuns consegue integrar bem a ideia da emigração numa comédia divertida e respeitosa. Destaco principalmente a cena em que Catarina Wallenstein canta o fado. Um momento arrepiante, numa performance que rouba todo o protagonismo. Ficou bem presente uma grande mensagem do melhor que se faz em Portugal.

As fantásticas imagens que o filme passa do Douro são um excelente cartão de visita para todos os que assistem à Gaiola Dourada. É a exposição mediática de um local extraordinariamente belo que faz as delícias de quem o visita. A longa-metragem é um dos nomeados para os Prémios de Cinema Europeu na categoria de 'prémio do público' , prémios esses que serão entregues a 7 de Dezembro em Berlim (Alemanha). O sucesso foi tão grande que uma  produtora norte-americana já entrou em contacto com Ruben Alves sobre a possibilidade de um remake.


Quais são as razões para esta corrida aos cinemas para ver ‘A Gaiola Dourada’? É uma demonstração de como os filmes que passam no cinema em Portugal não agradam à maioria da população ou há outros motivos para o sucesso deste filme? Concordam com as notícias que dão como possibilidade um remake feito pelos EUA?

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Um encontro surpreendente

Não podia deixar de se emocionar ao ler aquilo. O voo tinha sido atrasado por mais uma hora, o que queria dizer que ainda tinha hipóteses de a encontrar. Voltou a correr deixando à sua passagem o piso molhado pela chuva que tinha apanhado pelo caminho. Ignorou o olhar reprovador de uma funcionária que estava a limpar uma zona ali perto. Não queria saber de nada, apenas queria agarrar aquela nova oportunidade que o destino lhe tinha concedido.
Percorreu rapidamente as pequenas lojas que havia no aeroporto, mas não havia sinais dela. Girou sobre si, não conseguido esconder a apreensão e frustração de não estar a conseguir encontrá-la. Parou repentinamente e permaneceu ali de olhos fechados. O desespero tinha-o tomado. Segundos após ter parado, ouviu um riso que lhe era conhecido e que lhe fez abrir instantemente os olhos.
"Gi , durante quanto tempo vais continuar a andar à roda?”, ouviu atrás de si. Aquele nome e aquela voz. Reconhecia-o em qualquer parte do mundo. Virou-se e ali estava ela com aquele sorriso que o tinha enfeitiçado. Como sempre, estava lindíssima. A pele bronzeada contrastava com os olhos claros e o cabelo loiro. Usava um vestido branco que ele lhe tinha oferecido no mais recente aniversário de namoro. O seu coração bateu mais forte, ela era um encanto para os seus olhos.
- Estive a tentar encontrar-te por todo o lado, temi que já não o conseguisse – disse-lhe, sem esconder o nervosismo. Estava a sentir aquele momento.
- Não contava ver-te, pensei que nos tivéssemos despedido ontem. Então a que devemos este belo canto de cisne? – questionou com um tom de ironia. No dia anterior tinham estado juntos durante umas horas escaldantes. Aquelas provocações não passavam de uma máscara, por dentro sentia-se pessimamente por ter de ir abandoná-lo. Amava-o verdadeiramente.
- Precisava falar contigo... Tinha que estar contigo mais uma vez – gaguejou a responder. Ontem todas as tentativas tinham-se revelado ineficazes, mas sabia que hoje ia ser diferente. Não tinha alternativa, aquela era a sua última oportunidade.
- Infelizmente não podemos ter a conversa de ontem – segredou-lhe ao ouvido, provocando-o mais uma vez. Ela adorava tirar-lhe do sério, principalmente nos momentos de maior tensão. – Ontem quando te despediste não disseste que me amavas, vieste cá dizê-lo foi?
- Amar-te igual a ontem? Não... Hoje amo-te ainda mais, não consigo parar de fazê-lo. A cada dia cresce mais. Portanto, não poder ver-te é uma tortura que não quero suportar. – após ter dito isso entregou-lhe um pequeno envelope com um sorriso nervoso.
Com o coração acelerado e repleto de curiosidade ela abriu a carta rapidamente. Dentro estava uma passagem para o local para onde ela ia, mas para o dia seguinte. Era um bilhete para ele. Ao ver aquilo, começou automaticamente a chorar. Contudo, aquele não era o único conteúdo do envelope. No interior estava um desenho de um anel.
- Mas que raio é isto Gi ? - perguntou-lhe confusa. Precisou de baixar o olhar para o ver. Ele estava de joelhos junto dela com um anel na mão.
- Por favor, casa comigo – pediu-lhe com a voz a tremer.

    

 [Ficção]

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Perdido no aeroporto

Impossível! Não ia deixar a pessoa mais especial da sua vida partir daquela maneira. Iria lutar até ao fim, até que as suas forças acabassem. Não ia desistir tão facilmente, desta vez não. Não podia deixar sentir alguma responsabilidade por aquilo que estava a acontecer, tinha que a ver por uma última vez!
A chuva caia descontroladamente, a cada minuto a força parecia aumentar. Não se importou com isso, iniciou novamente a marcha. Desesperadamente, começou a correr o mais rápido que podia naquelas travessas semelhantes. Precisava de encontrar um táxi em algum lugar, mas as ruas estavam vazias. Só quando chegou a uma artéria principal é que conseguiu encontrar um que o pudesse levar até ao aeroporto. Aquele carro avançou pela capital numa corrida pelo amor verdadeiro. Desta vez não ia recuar. Ia dar o passo decisivo que não tinha tido coragem de dar durante meses. Sentia-se inútil por não ter sido capaz de lhe dizer tudo o que sentia, as palavras tinham ficado caprichosamente presas na garganta. Arrependia-se diariamente por aquela cobardia.
Repentinamente, acordou dos seus pensamentos quando sentiu o carro abrandar, ao olhar para a frente entrou em pânico. Não podia acreditar no azar que estava a ter! Á sua frente encontrava-se uma longa fila de carros que tornava irreal a ideia de poder chegar a tempo. Assim, não teve escolha a não ser pagar ao taxista e ir a correr até ao aeroporto. A hora estava a ficar perigosamente apertada, receava chegar demasiado tarde. O seu coração tremia quando via algum avião descolar. Podia ser ela não conseguia deixar de pensar. Completamente molhado, chegou ofegante à porta do aeroporto e dirigiu-se rapidamente ao quadro de voos. Os seus olhos percorreram rapidamente a informação e quando terminou uma lágrima caiu pela sua face.

[Ficção]

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Uma corrida contra o tempo

Faltavam poucos dias para começar o verão mas inexplicavelmente chovia. Isso não o impediu de sair de casa extremamente apressado. Nem o tempo tinha pena daquele pobre coitado. O dia estava longe de correr bem, na verdade corria pessimamente. Hoje, a mulher que sempre amou ia partir para outro país. Uma viagem só de ida, sem prazo de regresso. A saudade já se tinha apoderado dele. A pessoa que mais amou ia desaparecer da sua vida, nada lhe fazia mais triste que perceber a inevitabilidade da situação. Contudo, mão podia deixar isso acontecer. Ia lutar para que aquele amor não se perdesse no caos do tempo e da distância. Não ia desistir, não se podia permitir a isso.

Correu rua fora, ainda estava a tempo de a encontrar e de demovê-la daquela decisão. Não era dado a loucuras, mas a situação era demasiado intensa para não fazer nada. O momento revelava-se problemático teria que fazer tudo para lutar por aquele amor intenso e sincero. Estava encharcado quando chegou à rua dela. Viu que estava um táxi à frente da sua casa que começou a andar segundos depois de ter virado a esquina. Tinha-a perdido para sempre? 

 [Ficção]

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Lutar pelos sonhos… lá fora

Com o acentuar da crise económica, é cada vez mais frequente ver jovens a abandonar o país. Em Portugal, parece ser uma missão impossível encontrar emprego. Torna-se difícil lutar pelos sonhos aqui (será que ainda é possível?), visto que as hipóteses são cada vez menos. Enquanto isso, os sinais de melhoria são inexistentes e os obstáculos cada vez mais numerosos. Será que ainda vale a pena ter alguma esperança e lutar pelos nossos sonhos neste país? Cada vez é mais difícil acreditar que sim isso é possível…

Quase metade dos jovens portugueses está afastada do mercado de trabalho. Segundo números do Instituto Nacional de Estatística (INE) para o segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego real para os menores de 25 anos é de 48,7%, ou seja, afecta mais de 234 mil jovens. Estes números demonstram a situação crítica que Portugal atravessa e os problemas sociais que isso pode motivar. A verdade é que neste momento o nosso país é um local a evitar para quem quer ter futuro.

A economia não consegue gerar empregos suficientes para absorver a mão-de-obra jovem, mas isso não pode ser usado como desculpa para não se fazer nada para resolver esta questão. A verdade é que os jovens neste país estão totalmente estagnados! Naquela que é a geração com maior formação académica, é absurdo a forma como nós somos tratados! Parece que andamos a tirar cursos para absolutamente nada. Aposta-se na educação, mas depois disso o que temos é zero. Trabalho zero, perspectivas zero e sonhos zero.

Os anos passam e não há melhorias. Ninguém gosta de se sentir a mais e ver o seu futuro esfumarem-se. Num país que cada vez acredita menos nos jovens, a solução passa por ir embora. Sair daqui, ir para um sítio onde sejamos realmente valorizados! Ir à procura de uma vida melhor. Chega de sermos esmagados! Basta de nos sentirmos uns fracassados! Para nós não há um verdadeiro lugar na sociedade, um espaço onde seja possível aproveitar a energia, inteligência e entusiasmo desta nova geração.  O melhor a fazer? Desaparecer daqui!