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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Questões inevitáveis (37) – O monopólio do futebol

O Benfica e o FC Porto empataram sem golos em partida referente à 30.ª jornada do campeonato português. Uma repartição de pontos que provavelmente vai dar o bicampeonato às águias que partem para as últimas quatro jornadas com três pontos de vantagem. Este foi a grande notícia de ontem! Grande parte do país quase que parou para ver esta partida, o encontro foi tema de conversa número um em qualquer lugar. Como sabem sou um enorme fã de desporto, portanto eu próprio vibrei com o clássico. Confesso que vou fazer um pouco de advogado do diabo neste post até porque trabalho em... jornalismo desportivo. Mas não consigo deixar de me questionar se o futebol não tem demasiado tempo de antena na sociedade. Talvez tenha ganho uma preponderância central problemática e perigosa. Se percorrermos as grelhas dos canais noticioso somos bombardeados com inúmeros programas para discutir cada segundo de um jogo. Talvez esse tempo devesse ser melhor aproveitado com outros programas com índoles diferentes. É verdade que o futebol dá imensa audiência a um canal, mas também sou da opinião que é preciso encontrar espaços onde devem ser discutidos assuntos de maior relevo. Na minhas perspectiva, falta diversidade. Pior, não há procura por maior informação. Daí considerar ser necessário incentivar cada vez mais à produção de programas culturais, dando-lhe uma nova roupagem que incentive a visualização de todas as pessoas.   

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 O futebol domina demais a sociedade? Há demasiados programas de desporto na televisão? É preciso uma mudança de paradigma?

 

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Kelvin, o herói improvável volta a atacar

O brasileiro Kelvin voltou a vestir a pele de herói e permitiu ao FC Porto adiantar-se na luta para vencer o campeonato nacional. O extremo de 19 anos que já tinha sido decisivo no encontro com o Sp. Braga com dois golos, hoje voltou a ser decisivo nos últimos minutos da partida frente ao Benfica. Este golo pode elevar Kelvin como o jogador decisivo nesta época para os azuis-e-brancos.

Após uma época emprestado ao Rio Ave e sem ter marcado qualquer golo na liga (os dois que marcou foram na Taça de Portugal), Kelvin tem assumido uma veia goleadora nos momentos decisivos. Desta vez apenas precisou de onze minutos para fazer a diferença num jogo que parecia estar bloqueado. O remate cruzado que disparou só parou nas redes da baliza de Artur e colocou o estádio do Dragão em festa. A sua equipa foi a que lutou mais pela vitória e o seu esforço veio a ser recompensado num golo épico.

Este foi um encontro disputadíssimo entre as duas melhores equipas da actualidade no campeonato nacional. O FC Porto teve algum ascendente no encontro, exercendo um maior controle de bola, mas sem nunca conseguir criar grandes oportunidades. Já o Benfica soube sempre estancar o ímpeto dos dragões. Mas pecou em criar ataques que colocassem em sentido a defesa azul-e-branca. Na verdade foi um jogo muito táctico com poucas oportunidades de golo, até que Kelvin teve a frieza de dar um soco doloroso nas esperanças benfiquistas. Um momento que tem tudo para ser a imagem de um (possível) título conquistado.

O jogador formado no Paraná veio rotulado de esperança desde que ingressou no FC Porto em 2011 pela quantia de dois milhões de euros. Desde que chegou aos dragões, revelou sempre alguns problemas disciplinares, o que já o levou a estar sob a alçada do clube. Curiosamente, já não aparecia na equipa principal desde do início de Abril (na derrota na final da Taça da Liga frente ao Sp. Braga, no dia 13). Desta vez a sua irreverência deu frutos e provou ter sido uma aposta ganha pelo técnico Vítor Pereira.

De facto, o brasileiro regressou em força à equipa principal e mostrou personalidade. Acima de tudo assumiu o talento que já vinha a revelar nos (poucos) minutos em que jogava. Este é um momento que marca a sua curta carreira e que o pode catapultar a fazer um percurso muito interessante. Para isso é essencial manter-se focado no futebol e continuar a mostrar esta pontaria afinada nos grandes jogos. Para história, Kelvin ficará marcado como o dragão com maior pontaria no eterno clássico de 2012/13.

 

 

(Texto também publicado no Jornal Record, a 11 de Maio de 2013)

Elogio a Pinto da Costa: a sua sucessão será o maior desafio da história do desporto português

 “Continuar mais 20 anos? Não. Nem dez, nem cinco. É tempo do clube ganhar sem mim”, foi esta a declaração de Pinto da Costa sobre a sua continuidade na presidência do FC Porto. Uma declaração feita em entrevista ao jornal francês L´Equipe que promove desde logo um debate sobre quem deve substituir aquele que é o dirigente desportivo com mais títulos do futebol mundial.

A sua postura irreverente e os seus comentários irónicos tornam Pinto da Costa uma das figuras mais mediáticas do futebol nacional. É impossível ficar indiferente à sua forma de estar, desperta amor e ódio pelo país, mas é fundamentalmente competente no seu trabalho. O sucesso nacional e internacional que o FC Porto tem tido ao longo dos últimos anos deve-se muito à sua capacidade e liderança. Foi ele um dos principais obreiros para os 58 títulos que já conquistou em 30 anos de presidência da equipa azul-e-branca. Com um currículo destes atrevo-me a dizer que estamos perante o ‘Senhor Futebol’.

O FC Porto que hoje conhecemos nasceu com ele. Os números são claros! Antes de Pinto da Costa, o clube apenas dispunha de 11 troféus Hoje, a equipa domina o futebol português e dá cartas nas competições europeias. Jorge Nuno Pinto da Costa marca uma era no futebol nacional, a chama do dragão aumentou com a sua passagem. Apesar das inúmeras críticas que lhe são apontadas, entre as quais a de corrupção desportiva, o certo é que este mediático dirigente conseguiu tornar o Porto uma equipa campeã, criando uma hegemonia vitoriosa em volta do plantel.

Apesar da eliminação precoce na Taça de Portugal, o Porto volta a ser presença na luta pelos títulos mais importantes. As contratações criteriosas e um balneário blindado são a chave para muito do sucesso que os dragões tem tido nos últimos anos. Na verdade, o clube parece estar quase sempre um passo à frente dos adversários. E desde cedo demonstrou isso. Um ano após ser eleito, decidiu inserir publicidade nas camisolas do FC Porto, sendo o primeiro clube português a fazê-lo. Uma das demonstrações do olho para o negócio que cedo demonstrou na sua já longa presidência.

A verdade é que o dirigente de 74 anos deixa um fortíssimo legado que será difícil colmatar depois da sua saída. Vários títulos nacionais e internacionais, um novo estádio, um centro estágio, são alguns dos feitos do ‘Senhor Futebol’. Se é verdade que um ciclo está perto de ser fechado, é certo que enquanto Pinto da Costa estiver ao leme da equipa portista vários títulos são expectáveis. Mas também é certo que a sua sucessão será um dos maiores desafios dos actuais campeões nacionais. Quem o fizer irá carregar uma enorme herança e ficará para o melhor e para o pior na sombra de Pinto da Costa.

 

O FC Porto continuará a dominar depois de PC? Ou será impossível dar continuidade (com o mesmo sucesso) ao trabalho de Pinto da Costa? Quem seria a pessoa mais indicada para o substituir na presiência dos azuis-e-brancos?

 

 

(Texto também publicado no Visão de Mercado, a 15 de Dezembro de 2012)