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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Páginas Folheadas (9) – Aposta nacional

Quando vos disse que neste mês o Um Mar de Recordações ia ter bastante enfoque na literatura não estava a brincar. Hoje temos mais uma rubrica das Páginas Folheadas onde deixo algumas recomendações de livros que merecem ser lidos! Espero que estejam a gostar deste Abril de muita literatura, em caso afirmativo digam na caixa de comentários se querem que continue a produzir este tipo de posts. A nova edição desta rubrica aborda a temática dos autores nacionais. Na minha perspectiva, é importante cada vez mais preservar e elogiar aquilo que é produzido pelos escritores portugueses. A cultura é um dos pilares da sociedade e mara a história de um país. Apostar na cultura é sempre algo seguro! Assim, é essencial apoiar a arte que é produzida em Portugal seja ela na literatura, na música ou no audiovisual. Vamos então às minhas sugestões:

Os Maias – Publicado em 1888 por Eça de Queiroz, os Maias é uma obra que descreve a história de uma família ao longo de três gerações, dando especial destaque ao amor incestuoso entre Carlos da Maia e Maria Eduarda. Repleta de discrições, é um fiel retrato da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX. O importante é não ficar intimidado com as primeiras páginas!

Mensagem – A única obra de Fernando Pessoa em vida foi publicada no ano de 1934 (um ano antes da sua morte). Composto por 44 poemas, este livro retrata do glorioso passado de Portugal e a decadência existente na época em que o livro foi escrito. Uma leitura que leva a uma enorme reflexão do leitor. Destaco principalmente os versos de Mar Português.

O Cavaleiro da DinamarcaSophia de Mello Breyner editou O Cavaleiro da Dinamarca em 1964, o conto infantil que conta a viagem de um cavaleiro que pare em peregrinação à Terra Santa, para orar na gruta onde Jesus de Nazaré tinha nascido. Perfeita para quem procura dar incutir o gosto pela leitura a uma criança!

 

Qual é o vosso livro favorito de autor português? Acham que está a ser feito o suficiente para promover a nossa cultura?

 

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Imagem espontânea (36) – Um Fevereiro em cheio

Já estava mais que na hora de fazer a edição deste mês do Imagem Espontânea, a rubrica onde faço uma pequena retrospectiva daquilo que aconteceu durante o último mês na minha conta de Instagram (@miguel_alexandre7). Durante estes 28 dias concentrei-me bastante nos meus treinos na Meia-Maratona para estar totalmente em forma para o grande desafio que se avizinha. Assim sendo, muitas manhãs foram passadas a ultrapassar quilómetros. Para mim é extraordinário ver a evolução que vai acontecendo ao longo dos treinos. Confesso sou um viciado em desporto. Acima de tudo, fui aproveitando cada dia ao máximo com as oportunidades que foram aparecendo. No âmbito geral. Fevereiro foi um belíssimo mês, repleto de boas surpresas e fantásticas memórias. Sem dúvida que foi um mês para recordar!

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1 - O mês começou com uma extraordinário notícia: a Sapo convidou-me para o Meet The Bloggers, uma  pequena entrevista onde falei um pouco da minha experiência como blogger e contei um pouco da minha aventura pelas letras.

2 - Dia 3 foi um dia bastante especial para mim e para minha namorada, pois marcou o nosso quinto ano de namoro.  

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3 - Aí está a oficialização, inscrito na Meia-Maratona preparado para mais um grande desafio!

4 - Fui à minha antiga escola secundária falar sobre o meu percurso e apresentar o meu primeiro livro. Foi um dia de muitas memórias...

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5 - É de ficar com água na boca, uma sobremesa simplesmente divinal...

6 - Tentei arranjar um par para este simpático urso, ele que está mesmo a precisar da cara metade!  

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7 - Adoro ténis, é o meu desporto favorito. Sempre que estou muito longe do court, a saudade aperta...

8 - Sou um assumido fã de Fernando Pessoa, adoro totalmente a sua obra. Uma referência!

 

 

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Imagem espontânea (28) – Fortaleza de Sagres

Nas férias da Páscoa, fui passar uns dias pelo Algarve com a minha namorada. Confesso que não resisti a visitar alguns dos lugares mais emblemáticos desta bonita zona de Portugal. Um desses locais foi Sagres, uma vila do concelho de Vila do Bispo, conhecida pelos seus fortes e fortalezas. Para mim, é daquelas visitas obrigatórias a fazer!

Naturalmente que um dos sítios que visitamos foi a Fortaleza de Sagres, um espaço magnífico e cheio de história. A política da Expansão portuguesa nos séculos XV e XVI levou à fundação da Vila do Infante. A partir de então as designações Vila do Infante - Sagres - Fortaleza de Sagres confundem-se na passagem dos séculos… Ao longo dos anos revelou-se um lugar estratégico no panorama nacional. Enquanto visitamos esta edificação é impossível não ficar envolvido com o espaço.

Para quem gosta de uma visita cultural e natural, este é um local a visitar decididamente. Integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, apresenta ainda uma interessante biodiversidade faunística e florística e endemismos únicos que todos os visitantes podem observar. A imponente fortificação oferece a possibilidade de um olhar próximo ao património natural da costa. A vista é completamente deslumbrante, a panorâmica é extraordinária! 

 

 

"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto." (Fernando Pessoa)

 

Algum de vocês já visitou a Fortaleza de Sagres? O que mais vos impressionou nesta fortificação? Gostam de ir a estes sítios emblemáticos do país?

Não há nada melhor do que atingir objectivos, onte foi o dia de ultrapassar uma nova barreira. A página do Facebook do blogue atingiu os 1000 likes! O meu sincero obrigado a cada um de vocês que tem apoiado este projecto com tanto afinco. Agora é continuar a crescer! Entretanto, se gostas do Um Mar de Recordações, continua a ajudar a fazê-lo crescer em:

     

"Os Grandes Portugueses" (24) - Fernando Pessoa

Nome: FERNANDO António Nogueira PESSOA

Data e Local de nascimento:13 de Junho de 1888, em Lisboa

Data e Local da sua morte: 30 de Novembro de 1935, em Lisboa

Profissão que se notabilizou: Escritor

 

Feitos importantes:

  • Passa a maior parte da sua juventude na África do Sul, onde recebe uma educação inglesa. Os bons resultados escolares valem-lhe o Queen Victoria Memorial Prize. Interessa-se desde muito jovem pela literatura e acaba por regressar a Portugal (1905) matriculando-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa.
  • No entanto, abandona sem sequer completar o primeiro ano. Pouco tempo depois, começa  a trabalhar como correspondente estrangeiro, num escritório da Baixa. Colabora, periodicamente com algumas revistas, tais como  “Águia”, “Orpheu”, “Portugal Futurista” e “Atena”.
  • Escreve poesia e prosa em português, inglês e francês. Dizem que 1914 é o ano triunfal da sua vida, o ano da criação dos três heterónimos mais ilustres (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos). Nesse mesmo ano, escreve os poemas de O Guardador de Rebanhos e também o Livro do Desassossego (assinado pelo semi-heterónimo Bernardo Soares).
  • Publica em 1934 Mensagem, o único livro de Fernando Pessoa em Língua Portuguesa editado em vida. Deixa uma famosa arca recheada de milhares de textos inéditos. Esse tesouro literário, foi vendido em leilão por 60 mil euros a um comprador particular.
  • Morreu a 1935, com 47 anos de idade, vítima de uma cólica hepática. Um dia antes de morrer escreve a sua última frase na cama do hospital, em inglês – I know not what tomorrow will bring (Não sei o que o amanhã trará). Na comemoração do centenário do nascimento de Pessoa, em 1988, o seu corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jerónimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.

Ligações externas: http://www.umfernandopessoa.com/

Fernando Pessoa é o melhor escritor português de sempre? Quais são as caracteristicas que mais admiram na sua escrita? Qual consideram ter sido o seu melhor trabalho? 

Fernando Pessoa, um ídolo

Fernando Pessoa será para sempre lembrado como um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura. Além do mais, este poeta do Modernismo é também um dos poucos escritores portugueses mundialmente conhecidos (traduzido em trinta e sete línguas) e com inúmeros fãs em todas as partes do globo. É, assim, um poeta universal, que inovou ao ponto de ter criado três célebres heterónimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

Mas, afinal, quem foi Fernando Pessoa? Fernando António Nogueira Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888, no Largo de São Carlos, em Lisboa. De famílias da pequena aristocracia, pelo lado paterno e materno, o pai, Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do Diário de Notícias. A mãe, D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira Pessoa, era natural dos Açores (Ilha Terceira).

Com cinco anos, o pai morreu a 24 de Julho de 1893, com 43 anos, vítima de tuberculose. No ano seguinte, o irmão Jorge viria também a falecer, sem completar um ano. É nesta sucessão de acontecimentos, que a sua mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e mudar-se para uma casa mais modesta. Em 1895, Maria Pessoa casa-se pela segunda vez por procuração com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul). Fernando Pessoa parte com a sua mãe para África do Sul, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa conseguindo resultados brilhantes.

Em 1905, regressa sozinho a Portugal e matricula-se no ano seguinte no Curso Superior de Letras, em Lisboa, que abandona sem sequer completar o primeiro ano. Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança, com a qual monta uma pequena tipografia, sob o nome de Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor, que rapidamente faliu. A partir de 1908, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro, num escritório da Baixa, aquele que iria ser o seu trabalho ao longo da sua vida. Inicia a sua actividade de ensaísta e crítico literário em 1912 e colabora em diversas revistas como: “Águia”, “Orpheu”, “Portugal Futurista” e “Athena”.

Muitos afirmam que 1914 é o ano triunfal de Fernando Pessoa, o momento da criação dos três heterónimos mais ilustres (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis). A morte do seu amigo Mário de Sá Carneiro e o assassinato de Sidónio Pais foram dois acontecimentos que marcaram o poeta. Além disso, é também conhecido um relacionamento amoroso com Ofélia Queiroz, com quem mantêm uma longa correspondência amorosa. É no ano de 1935, que escreve uma famosa carta a Adolfo Casais Monteiro, onde explica a existência dos mediáticos heterónimos. Nesse mesmo ano acaba por falecer a 30 de Novembro de cólica hepática sendo sepultado no Cemitério dos Prazeres. A sua última frase foi escrita na cama do hospital, em inglês, um dia antes de falecer: "I know not what tomorrow will bring" (em português: Não sei o que o amanhã trará). No cinquentenário da sua morte (1985) o seu corpo foi transladado para o claustro do Mosteiro dos Jerónimos.

No que diz respeito à sua obra ortónima, a Mensagem (1934) foi o único livro publicado em vida, deixando uma arca recheada de textos inéditos. Escreveu poemas como “Autopsicografia”; “Isto”; “O menino de sua Mãe”; que vão ficar marcados na história da nossa literatura. A sua obra ficou também conhecida pelos seus heterónimos, o seu “mestre” Alberto Caeiro (1889-1915), o “guardador de rebanhos”, que não possuía qualquer instrução académica. Ficou conhecido por ser o poeta bucólico e do olhar, mas também por ser o “poeta do não pensar”. O “Guardador de Rebanhos” foi a sua obra mais notabilizada. Um dos discípulos de Caeiro era Ricardo Reis (1887-1935); era médico e monárquico, foi educado num colégio de Jesuítas, é o poeta pagão cujas odes tinham duas filosofias de vida: o estoicismo e o epicurismo. Foram da sua criação poemas como: “Vem sentar-te comigo”, “Segue o teu destino” e “Não tenhas nada nas mãos”. Finalmente, o discípulo futurista de Caeiro, Álvaro de Campos que era engenheiro naval formado em Glasgow, mas permaneceu inactivo em Portugal. Foi o heterónimo mais arrojado, tornou-se mediático por querer sentir tudo de todas as maneiras. A “Ode Triunfal”, “Todas as cartas de amor”; e “Opiário” foram alguns dos poemas mais marcantes deste heterónimo.

A complexidade da vida de Fernando Pessoa permite um trabalho biográfico fabuloso, seja qual for o espaço que esteja a ser trabalhado. Daí o imenso fascínio que existe por este autor luso. Independente de qualquer diferença na forma de apresenta-lo, em qualquer discurso uma ideia parece certa: Fernando Pessoa é, de facto, um dos maiores génios português. Ao longo da sua obra demonstrou sempre medo da morte, mas com tanto talento e numa obra tão vasta, pode-se dizer que Fernando Pessoa nunca morreu pois conseguiu chegar à imortalidade através da escrita.