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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Aversão à imprevisibilidade

Admito que gosto de saber o que vem a seguir, nunca lidei bem com a imprevisibilidade. Na verdade, é algo que não consigo suportar, até porque nunca me importei em ter uma vida chata, previsível e estrategicamente organizada… Isso acontece porque sempre gostei de controlar tudo o que se passava à minha volta. Talvez seja somente eu a ficar velho, mas eu anseio pela previsibilidade. No entanto, a minha vida mantém-se imprevisível , deve ser por isso que nunca lidei bem com ela. Todos acabamos por querer sossego e paz, mas o mundo vive numa constante loucura diária que não nos deixa chegar a esse desejo. Nessas alturas sinto uma uma instabilidade enorme. Qual o passo devo dar? Não sei como reagir, é algo intolerável que me causa uma ansiedade enorme. Não há maior prisão do que a imprevisibilidade. Sim, sinto uma aversão total a ela! Ainda assim não consigo deixar de viver nela…

 

[Ficção]

 
 

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Quando a esperança acaba…

Despertou repentinamente quando a sua cara bateu na água, a respiração ofegante pelo susto. Permaneceu ali preso a um destino fatal. O seu corpo escorregou vagarosamente pela banheira, estava sem força para reagir. Tinha chegado ao seu limite físico, a água já lhe chegava perigosamente ao queixo. “Socorro”, gemeu demasiado baixo. Aquele ténue pedido não lhe valia de nada, ninguém estava a em casa para o acudir. A esperança estava a eclipsar-se a uma velocidade alucinante. Entendeu que aqueles eram os seus últimos momentos de vida, a sua morte aproximava-se rapidamente. Naquele momento de fraqueza ainda deu um fraco suspiro. O seu destino era inevitável, o seu corpo escorregou mais um pouco, estava a centímetros do nariz. Perdeu novamente os sentidos. A água apoderou-se do seu corpo, consumindo-o aos poucos. A sua vida estava no seu fim…

“Argh!!!!”, gritou desalmadamente. Estava completamente soado na sua cama e com o coração a bater acelerado. Rapidamante, a sua mulher acordou com a gritaria, abraçou-o suavemente para atenuar aquele nervosismo. “É só um pesadelo, está tudo bem meu amor”, consolou-o. Ainda nervoso, aquele sexagenário sentiu-se mais vivo do que nunca. 

Parte 1 || Parte 2

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Submerso em águas perigosas

Não queria acreditar que a sua vida acabasse assim, daquela forma tão inglória. Um sorriso ironico surgiu na cara daquele homem de idade avançada. Naquele momento estava preso na sua casa de banho. Encontrava-se mergulhado em água fria. Há alguns minutos tinha escorregado e batido com a cabeça na banheira. Não conseguia mexer-se para sair daquele local, apesar dos seus constantes esforços. Aos poucos, sentia que o seu corpo ia escorregando perigosamente.

Esforçava-se para se mexer mas o seu corpo já não era aquilo que era. Com mais de 60 anos, já lhe custava movimentar-se. Aquele forte embate tinha-o deixado muito atordoado, os seus músculos teimavam em não responder. Enquanto isso tremia ao sentir o frio, a sensação era cada vez mais desagradável. Tentava sair de todas as maneiras que conseguia. Naquele momento, tentava usar a perna esquerda para tirar a rolha, mas as suas tentativas revelavam-se constantemente falhadas. Lutava para se salvar, mas só conseguia aumentar a sua frustração. Aos poucos a sua força começava a perder-se.

O medo aterroziava-o cada vez mais, sabia que não havia forma de escapar à morte. “Que patético!”, pensou, num momento em que perdera toda a esperança de se salvar. Já estava assim há demasiado tempo assim, não ia conseguir resistir muito mais. As forças estavam cada vez mais a afastar-se, lutava para se manter acordado. Aquela era uma batalha inglória. Fechou os olhos e perdeu a concisciência…  

[Continua…]

 

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Aversão à imprevisibilidade

Admito que gosto de saber o que vem a seguir, nunca lidei bem com a imprevisibilidade. Na verdade, é algo que não consigo suportar, até porque nunca me importei em ter uma vida chata, previsível e estrategicamente organizada… Isso acontece porque sempre gostei de controlar tudo o que se passava à minha volta. Talvez seja somente eu a ficar velho, mas eu anseio pela previsibilidade. No entanto, a minha vida mantém-se imprevisível , deve ser por isso que nunca lidei bem com ela. Todos acabamos por querer sossego e paz, mas o mundo vive numa constante loucura diária que não nos deixa chegar a esse desejo. Nessas alturas sinto uma uma instabilidade enorme. Qual o passo devo dar? Não sei como reagir, é algo intolerável que me causa uma ansiedade enorme. Não há maior prisão do que a imprevisibilidade. Sim, sinto uma aversão total a ela! Ainda assim não consigo deixar de viver nela…

[Ficção]

As chamas que o consomem

Um fumo negro crescia abundantemente ao longo de vários quilómetros na região do Douro, uma zona arborizada que estava agora a sofrer com os horrores de chamas intensas. Um homem com um enorme corte na cara olhava fascinado por criar todo aquele caos. Observava despreocupado para as labaredas, o seu olhar faiscava de prazer. Estava completamente vestido de negro, a cor do seu espírito.

De facto, não tinha uma verdadeira razão para ter começado aquele incêndio. Apenas tinha uma insana apetência para destruir, aquilo dava-lhe uma satisfação especial. Esta não era a sua estreia. Não era a primeira vez que ateava fogos, permanecia ali sempre a observar o seu trabalho. Formou-se nos seus lábios um sorriso demente, tinha voltado a conseguir o seu intento. Estava distraído com toda aquela desordem, aquele era o seu mundo, o mundo da devastação.

Um olhar tresloucado consumiu-o, a loucura era a sua parceira de crimes. Dizia algo imperceptível entre dentes, possuía um estranho sotaque. De um momento para o outro começou a suar abundantemente… Sem que notasse o fogo circundo-o, quando reparou já era tarde demais. Entendeu que estava preso, não tinha saída. A sua vida de loucura, ia acabar naquele dia. Deu uma longa e sinistra gargalha. Enfim ia chegar à sua verdadeira casa – o inferno.

 As chamas lavraram durante dias na região entre o Douro e o Vouga, um incêndio destruidor. Foram consumidos mais de 2400 hectares, uma triste imagem num dos mais belos locais portugueses. Entre os destroços, os bombeiros encontraram um corpo carbonizado…

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