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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Questões inevitáveis (15)

A décima quinta edição das Questões Inevitáveis debruça-se sobre o grave problema dos incêndios em Portugal. Diariamente somos confrontados com notícias sobre o aparecimento de um novo incêndio em algum local do nosso país. Mais de mil incêndios florestais deflagraram em Portugal nos últimos quatro dias, segundo as estatísticas da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

De acordo com a Proteção Civil, os 1.133 incêndios registados foram combatidos por 27.321 operacionais e 7.306 veículos, tendo os meios aéreos realizado 436 missões. Dessa forma, segundo as estimativas do Sistema Europeu de Incêndios Florestais (EFFIS), calculadas através da análise de imagens de satélite, os incêndios dos últimos quatro dias consumiram mais de 20 mil hectares.

Todos os Verões temos o mesmo problema e os resultados persistem catastróficos para o nosso país. A cada ano que passa mais hectares são consumidos pelas chamas. O que fazer? De facto, falta alguma coisa para precaver esta situação de acontecer. Mais bombeiros e infraestruturas ou maior prevenção? Algo está claramente a correr mal, pois todos os anos este grave problema continua ou piora ainda mais… A beleza e a saúde do nosso país está continuamente em risco!

 

O que está a falhar no combate aos fogos em Portugal? Quais são as melhores medidas para que esta situação consiga ser combatida com maior eficácia?

 

As chamas que o consomem

Um fumo negro crescia abundantemente ao longo de vários quilómetros na região do Douro, uma zona arborizada que estava agora a sofrer com os horrores de chamas intensas. Um homem com um enorme corte na cara olhava fascinado por criar todo aquele caos. Observava despreocupado para as labaredas, o seu olhar faiscava de prazer. Estava completamente vestido de negro, a cor do seu espírito.

De facto, não tinha uma verdadeira razão para ter começado aquele incêndio. Apenas tinha uma insana apetência para destruir, aquilo dava-lhe uma satisfação especial. Esta não era a sua estreia. Não era a primeira vez que ateava fogos, permanecia ali sempre a observar o seu trabalho. Formou-se nos seus lábios um sorriso demente, tinha voltado a conseguir o seu intento. Estava distraído com toda aquela desordem, aquele era o seu mundo, o mundo da devastação.

Um olhar tresloucado consumiu-o, a loucura era a sua parceira de crimes. Dizia algo imperceptível entre dentes, possuía um estranho sotaque. De um momento para o outro começou a suar abundantemente… Sem que notasse o fogo circundo-o, quando reparou já era tarde demais. Entendeu que estava preso, não tinha saída. A sua vida de loucura, ia acabar naquele dia. Deu uma longa e sinistra gargalha. Enfim ia chegar à sua verdadeira casa – o inferno.

 As chamas lavraram durante dias na região entre o Douro e o Vouga, um incêndio destruidor. Foram consumidos mais de 2400 hectares, uma triste imagem num dos mais belos locais portugueses. Entre os destroços, os bombeiros encontraram um corpo carbonizado…

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