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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Ronaldo soube ser rei absoluto na fria Suécia

Portugal conseguiu a qualificação para o Campeonato Mundo no Brasil com Cristiano Ronaldo a protagonizar o melhor jogo pela selecção das quinas! O capitão da selecção rubricou um hat-trick na vitória 3-2 frente a Suécia, no Friends Arena (Estocolmo). Com estes três tentos marcados por Ronaldo, o jogador do Real Madrid iguala ainda Pedro Pauleta na lista dos melhores marcadores na selecção nacional (47 golos). Na fria Suécia (0 graus centigrados), o melhor jogador do mundo da actualidade escreve mais uma página dourada na história do desporto nacional.

Depois do golo na primeira mão no estádio da Luz, Ronaldo voltou a aparecer quando a equipa mais precisava dele ao marcar nos momentos decisivos. Em três lances geniais, o avançado luso usou a sua velocidade e dizimou o desamparado Isaksson . Foi uma segunda parte de sonho para o português, um verdadeiro hino ao futebol, uma demonstração cabal de que ele é o melhor jogador do mundo da actualidade. Foram três golos marcados, mas podiam ter sido muitos mais. De facto, o capitão das quinas assumiu o papel de conquistador e carregou toda uma equipa até ao Brasil. Um prémio merecido para este extraordinário jogador!

De nada serviram os dois golos de Zlatan Ibrahimovic também na segunda parte. O talentoso avançado quis assumir papel principal no encontrou, mas acabou ofuscado por um super Ronaldo. A Suécia apareceu com uma vocação mais ofensiva, ao contrário do que aconteceu em terras lusas. De facto, o primeiro tempo foi de muita luta no meio campo, muita garra de parte a parte, mas com alguns momentos de mau futebol. Os portugueses desperdiçaram algumas oportunidades para marcar num jogo equilibrado, onde a Suécia esteve pouco influente. Portugal optou sempre por privilegiar o contra-ataque e apanhou os suecos em situações de desequilíbrio defensivo.

Na segunda parte o jogo alterou-se por completo com várias mudanças de marcador, tornando-se um jogo fantástico e bastante emotivo. Prova disso foram os quatro golos marcados em dez minutos, o que demonstra um segundo período soberbo. Apesar de uma primeira parte cinzenta da equipa do norte da Europa, no segundo período transfigurou-se e criou algumas oportunidades flagrantes de perigo conseguido mesmo estar em vantagem por 2-1. Mas a selecção das quinas, com Ronaldo em destaque, conseguiu novamente superiorizar-se. Não há dúvidas que este vai ser um dos jogos mais marcantes da história do futebol nacional.

Hugo Almeida, que foi a surpresa no onze português de Paulo Bento, fez um jogo razoável. Usou o seu físico para combater os defesas suecos, trabalhou muito, acabou por ser o primeiro a defender. A passe de Cristiano Ronaldo, o ponta-de-lança de 29 anos até quase que marcou num cabeceamento ao lado na pequena área. Acabaria por redimir-se com o passe para o segundo golo do capitão de equipa. Destaque ainda para a exibição fantástica de João Moutinho que foi o pêndulo entre o ataque e a defesa, rubricando duas assistências para golo. Um grande jogo deste pequeno jogador.

Portugal consegue, assim, a sua quarta qualificação seguida para os Mundiais depois de 2002 (Japão e Coreia do Sul), 2006 (Alemanha) e 2010 (África do Sul). Um feito incrível que vem demonstrar a qualidade da selecção das quinas! Depois de em 1500 Pedro Alvares Cabral ter descoberto Brasil, em 2014 Portugal vai novamente tentar conquistar as terras de Vera Cruz!

Como classificam este encontro? É obrigatório dar a Bola de Ouro a CR7? Com um Ronaldo a este nível, até onde é possível ir no Brasil?

Penalidades arrasam com o sonho português

Naquele que foi o melhor encontro do Euro 2012 até agora, Espanha qualificou-se para a final de Kiev, após eliminar Portugal nas grandes penalidades. Um belíssimo duelo ibérico, num encontro de grandes emoções e de enorme talento e onda a Espanha teve a estrela de campeã. Faltou sorte à equipa lusa no momento da verdade!

Pela primeira vez na competição, Paulo Bento foi obrigado a alterar o onze inicial, devido à lesão de Hélder Postiga . O avançado Hugo Almeida foi o escolhido para o substituir. Já a Espanha apareceu com uma surpresa no seu onze, a presença do avançado Negredo . Os dois jogadores protagonizaram exibições apagadas e mostraram que não deveriam ter merecido a confiança dos dois técnicos para esta partida.

Num encontro bem disputado na Donbass Arena em Donetsk (Ucrânia), Portugal esteve por cima na primeira parte. Teve mais oportunidades, trocou melhor a bola e não teve medo de assumir o jogo. Portugal soube lidar muito bem com o estilo de jogo espanhol, anulando-o. Honra seja feita, poucas selecções podem dizer que conseguem anular o tiki-taka espanhol e a equipa das quinas tem esse (enorme) mérito. Mas para conseguir isso teve de correr e muito, algo que se viria a revelar perigoso com a passagem dos minutos.

O início da segunda parte começou quase com a substituição espanhola, saída do apagado Negredo para Fábregas entrar. Bela decisão de Vicente del Bosque que fez com que o jogo muda-se por completo. O médio do Barcelona foi o grande responsável pelo maior domínio espanhol no segundo tempo. A sua entrada teve o dom de dar mais organização no miolo espanhol que assumiu as despesas do jogo. Apesar disso, verdade seja dita que a ‘roja’ não criou uma oportunidade de perigo iminente. No entanto, a grande oportunidade de golo durante os noventa minutos foi de Cristiano Ronaldo. Nos últimos momentos do tempo regulamentar, grande contra-ataque português, com Meireles a deixar para o extremo luso, que entra pela esquerda e remata ao lado da baliza de Iker Casillas .

Apesar das poucas oportunidades, o encontro foi uma enorme batalha entre duas grandes selecções. Bem disputada e com muitas movimentações. Sem golos, o grande protagonista foi o gigante João Moutinho com uma partida de luxo. Todos os elogios são poucos, para este pequeno grande génio. É preciso dar grande mérito à selecção das quinas que fez com que a campeã europeia e mundial tivesse que mudar por duas vezes a sua táctica . Demonstração inegável de que Portugal foi uma equipa dificílima de bater.

Já no prolongamento, a equipa lusa tem muito a agradecer ao Rui Patrício que fez duas enormes defesas, aos 103 e aos 111 minutos. Totalmente decisivo o guardião luso. A armada espanhola realizou trinta minutos de grande nível e demonstraram ter uma maior frescura física Paulo Bento demorou muito tempo a fazer as substituições , a selecção nacional quebrou fisicamente muito devido a isso. Um erro fatal do seleccionador nacional! A equipa portuguesa teve de defender mais e revelou-se uma equipa com grande entre-ajuda . Fizeram jus ao lema “11 por todos e todos por 11”.

Apesar de Rui Patrício ter defendido a primeira grande penalidade, Portugal falhou no momento decisivo. Faltou-lhe alguma sorte, diga-se. A marcação irrepreensível de Sérgio Ramos foi decisiva e colocou a Espanha em claro ascendente psicológico Muito sangue frio e classe do defesa do Real Madrid. Bruno Alves, que pareceu extremamente nervoso, rematou à barra da baliza espanhola e permitiu a que Fábregas marcasse… depois da bola ter batido no poste. Estrelinha da sorte para a ‘roja’ na lotaria das grandes penalidades… Desta forma, na final a Espanha irá enfrentar o vencedor do duelo de hoje entre a Alemanha e a Itália.

No capitulo disciplinar, o arbitro turco Cuneyt Çakir foi claramente tendencioso. Muitas decisões deixaram muito a desejar com demasiadas escolhas a penderem para as aspirações espanholas. Nada estranho nisso, aliás já se esperava esse tipo de habilidades… Mas é justo dizer que não foi por ele que Portugal não ganhou este encontro!

Portugal saí do Euro 2012 de cabeça levantada, uma vez que protagonizou uma prova muito acima das expectativas. Pouca gente acreditava que fosse possível chegar tão longe e a equipa nacional provou que tinha capacidade, talento e ambição para chegar às quatro melhores equipas da Europa. Enorme trabalho de todos elementos da comitiva portuguesa.