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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Imagem espontânea (27) – Palácio Nacional de Mafra

Acho que as pessoas que vão acompanhando esta rubrica já repararam que eu adoro passear. Confesso que é uma das minhas perdições! Se nos últimos tempos não tenho tido oportunidade para ir ao estrangeiro, vou aproveitando para conhecer ou para voltar a lugares fantásticos que existem em Portugal. Não há melhor do que nos apaixonarmos pelo nosso país. Numa dessas aventuras, fui até Mafra visitar aquele que é um dos mais imponentes edifícios no estilo barroco construídos no nosso país, falo claro do Palácio Nacional de Mafra.

O trabalho iniciado em 1717 começou por ser um projecto modesto para abrigar 109 frades franciscanos. Contudo o ouro do Brasil, levou a que o rei D. João V e o arquitecto Johann Friedrich Ludwig (Ludovice) iniciassem planos mais ambiciosos, não se poupando em despesas. A obra empregou mais de 50 mil trabalhadores e o projecto acabaria por abrigar 330 frades, um palácio real e uma biblioteca extraordinária. Tudo isto decorado com mármores preciosas, madeiras exóticas e incontáveis obras de arte. A inauguração do espaço foi feita no 41.º aniversário do rei (em 1730) com festividades de oitos dias (!). Mais tarde, em 1910, acabou classificado como Monumento Nacional dando-lhe uma visibilidade ainda maior. Recentemente, foi um dos finalistas para uma das Sete Maravilhas de Portugal (2007).

A cerca de 25 quilómetros de Lisboa, este é um dos locais obrigatórios a visitar! É um espaço imponente que impressiona com peças de um recorte requintado. Já não ia ao Convento de Mafra há alguns anos portanto já não me recordava de muita coisa, confesso que fiquei impressionadíssimo com a Basílica. As esculturas dão um ambiente magistral e que fazem deste um local único. Na verdade, percorre-se a história a cada passo, naquela que é uma sensação incrível! Este local também foi a inspiração para um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa – Memorial do Convento de José Saramago. Certo é que vale a pena espreitar cada pormenor desta grandioso monumento numa viagem intemporal. 

“Era uma vez um rei que fez promessa de levantar convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.” (José Saramago)

 

Já visitaram o Palácio Nacional de Mafra? Qual é o local que mais gostam neste monumento? Este é  a maior pérola do estilo barroco em território nacional?

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Páginas Folheadas (1) - As Intermitências da Morte

'Páginas Folheadas' é a nova rubrica do Um Mar de Recordações, um espaço onde vou dando algumas sugestões literárias das obras que vou lendo. Assim sendo, considero indispensável começar com um dos maiores vultos da literária nacional. As Intermitências da Morte é um livro do escritor português José Saramago publicado em 2005. O livro contem 216 páginas e foi editado pela Editorial Caminho.

“No dia seguinte ninguém morreu”, é a partir deste paradigma que começa este romance do Prémio Nobel. De repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. A Morte cansada a ser detestada pela humanidade decide suspender suas actividades, e ironicamente começa a viver. Quais podem ser as consequências dessa decisão? Estaríamos realmente preparados para acabar com esse momento depressivo do adeus?

Durante As Intermitências da Morte, somos confrontados com uma ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e, principalmente, o sentido da nossa existência. O que mais me impressiona nesta obra é o caos que provoca a vida eterna em vários sectores da sociedade. Se no principio havia um estado de euforia e de optimismo, isso termina com pessoas a atravessar o país para morrerem... Uma imagem forte que este livro permite e que levanta várias perspectivas .

Fiel ao seu estilo irónico e corrosivo, o único Prémio Nobel da língua portuguesa produz uma feroz crítica à sociedade moderna. É impressionante como mistura o bom humor e a amargura, ao tratar da vida e da condição humana. Os longos parágrafos que marcam a sua técnica narrativa única, deixam qualquer leitor atónito . No fundo, As Intermitências da Morte é um daqueles livros imperdíveis!

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O que acham desta obra? São fãs da obra de José Saramago? É possível um novo escritor de língua portuguesa ganhar um Nobel da Literatura?

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Os Grandes Portugueses" (1) - José Saramago

Nome: JOSÉ de Sousa SARAMAGO

Data e Local de nascimento: Golegã, 16 de Novembro de 1922

Data e Local da sua morte: Lanzarote (Espanha), 18 de Junho de 2010

Profissão que se notabilizou: Escritor

 

Feitos importantes:

• De origem camponesa, trazido ainda menino para Lisboa, não pode ir além dos estudos secundários por dificuldades económicas. Assim, o seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Contudo, isso não o impede de aceder a meios politizados e intelectuais, onde se vai afirmando o seu gosto pela leitura e pela escrita. Pode-se então considerar Saramago como um autodidacta.

• Aos 25 anos, publica o seu primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970.  Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à sua morte.

• Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstoy e Baudelaire , entre outros. Mais tarde, em 1971, entra na redacção do Diário de Notícias. Como crítico literário, colaborou ainda na revista Seara Nova e no jornal Diário de Lisboa. Em Abril de 1975 é director-adjunto do DN, mas a 25 de Novembro foi demitido do jornal.

• A partir de 1976, numa situação de desemprego toma uma das mais importantes decisões da sua vida: dedicar-se exclusivamente à escrita, passando a viver, exclusivamente do seu trabalho literário. As marcas características do estilo "saramaguiano" viriam a aparecer com o Levantado do Chão (1980).

• Dois anos depois de Levantado do Chão, surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. A partir daí, Saramago publica mais de uma dezena de livros com sucesso assinalável , tendo ganhou diversas distinções com as suas obras, ao longo da sua carreira literária. Em 1998, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura dando a Portugal e à língua portuguesa a grande estreia na modalidade.

 

Romances publicados:

Terra do Pecado, 1947

Manual de Pintura e Caligrafia, 1977

Levantado do Chão, 1980

Memorial do Convento, 1982

O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984

A Jangada de Pedra, 1986

História do Cerco de Lisboa, 1989

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991

Ensaio Sobre a Cegueira, 1995 (Prémio Nobel da literatura 1998)

Todos os Nomes, 1997

A Caverna, 2000

O Homem Duplicado, 2002

Ensaio Sobre a Lucidez, 2004

As Intermitências da Morte, 2005

A Viagem do Elefante, 2008

Caim, 2009

Claraboia, 2011

 

 

 

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