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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O fim anunciado da RTP2

António Borges, consultor do Governo para as privatizações confirmou nesta quinta-feira a Judite de Sousa, no ‘Jornal das 8’, na TVI, que “provavelmente a RTP2 vai fechar porque é um serviço caro para a audiência que tem”. O anuncio não causa nenhuma surpresa, até porque há muito se esperava esta medida. O mais estranho nisto tudo é ter sido um funcionário do Governo a anunciar os planos para a estação pública…

O canal que iniciou as suas emissões a 25 de Dezembro de 1968 deu sempre um enorme destaque à componente cultural. Curiosamente, a 14 de Maio de 2012, a RTP2 tornou-se no primeiro canal generalista português a emitir em 16:9. O que demonstra que foi uma estação parada no tempo e que tentou sempre evoluir e estar mais próximo dos seus telespectadores.

No meu ponto de vista, este sempre foi um projecto com pouca audiência mas de reconhecida qualidade. E, atenção, porque esta estação não tem que se preocupar com o número de telespectadores, mas sim com a qualidade informação que divulga. Não se pode negar. A RTP2 é um canal de minorias, claro que sim. Contudo, o Estado também tem de se preocupar com essas minorias e não só com o grande público. Não basta só satisfazer o público com programação comercial e o segundo canal tem provado isso ao longo dos anos.

De facto, é de lamentar o fecho desta estação televisiva, mas até agora parece ser a solução possível numa altura em que o Governo tenta cortar no orçamento. No entanto, desde há muito tempo, que é na RTP2 que passam os melhores programas quer a nível de desporto (e não só de futebol), cultura, ciências, séries, informação e desenhos animados. Caso se confirme (e não tenho nenhumas dúvidas que isso vai acontecer), é uma grande perda na formação e divulgação de qualidade no nosso país. 

Irrita-me particularmente que os conteúdos na televisão portuguesa são tudo a nivelar para baixo. Isso não acontece no segundo canal. Realmente, é de louvar a forma como este projecto tem sabido gerir a sua grelha e atrair novos públicos mesmo com um orçamento mais baixo que a casa mãe. Na verdade, é injusto que o canal mais transversal de Portugal seja aquele que está próximo de fechar.

A solução para menorizar os danos do desaparecimento deste emblemático canal passa por colocar os melhores programas no primeiro canal. É a melhor forma de manter o cartaz cultural defendido na RTP2. Reduzia-se os custos, mas os programas de maior qualidade resistiam a esta extinção… No meio disto tudo, é triste ver que a cultura em Portugal continua vulnerável e sem um verdadeiro apoio.   

 

"Os Grandes Portugueses" (10) - Judite de Sousa

Nome: JUDITE Fernanda de Jesus Rocha e SOUSA

Data e Local de Nascimento: 2 de Dezembro de 1960, no Porto

Profissão que se notabilizou: Jornalista

 

Feitos importantes:

  • Licenciou-se em História Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1987, mas começou a trabalhar no jornalismo com apenas 18 anos como repórter da RTP no Porto.
  • Depois de se tornar pivot do Jornal da Tarde é convidada para a redacção de Lisboa em 1991, vindo a notabilizar-se na apresentação do Telejornal. Sem deixar o trabalho de repórter, realizou várias deslocações ao estrangeiro, cobrindo acontecimentos como o Genocídio do Ruanda (1994); a ofensiva da Sérvia na Guerra dos Balcãs (1995), a Declaração Conjunta Luso-Chinesa (1999); a crise que se sucedeu o 11 de Setembro, no Paquistão (2001).
  • Em 2000 foi nomeada directora-adjunta de Informação da RTP, colaborando com José Rodrigues dos Santos. Após a remodelação de Almerindo Marques (2002), manteve-se como uma das principais figuras da informação do canal, tendo a seu cargo a Grande Entrevista.
  • Após 33 anos na RTP, abandona a estação do estado e ingressa na TVI, onde também é sub-directora de informação. Actualmente, para além deste cargo, apresenta o Jornal das 8, em que modera no domingo o comentário político do professor Marcelo Rebelo de Sousa.
  • É comendadora da Ordem do Mérito, distinção atribuída pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

Reforço da Informação na TVI

Os jornalistas José Alberto Carvalho e Judite de Sousa, duas das caras da informação da RTP, vão reforçar a TVI. Com estas alterações prevê-se uma mudança no jornalismo nacional, pelo menos, na componente televisiva.

Acima de tudo, a estação pública perde dois activos essências e precisa de procurar internamente ou externamente substitutos para manter a qualidade que lhe é reconhecida nesse sector. Algo que digamos não é fácil… Estas saídas tem de ser consideradas como prejudiciais, sendo necessário uma reflexão das razões que levaram estes dois profissionais a abandonar o canal que lidera a informação.

A verdade é que na RTP pouca gente fica a lucrar. A não ser claro as pessoas que serão promovidas aos lugares da direcção de informação. Nesse caso, José Rodrigues do Santos é um dos que ira beneficiar com estas saídas, permitindo-lhe assumir um novo cargo na estação pública. Fátima Campos Ferreira, mediadora do ‘Prós e Contras’, é outro elemento que poderá ver ser aumentado o seu estatuto na empresa.

Não é possível esconder que o abandono de José Alberto Carvalho e Judite de Sousa são más notícias para a RTP. No meu ponto de vista, a ‘Grande Entrevista’ de Judite de Sousa será uma perda descomunal, visto que este é um programa líder no seu registo. A sua manutenção parece-me pouco viável, pois a estação pública não dispõe de uma alternativa actual à altura. Dessa forma, além da perda de dois activos importantes é também criado um grande buraco na grelha que merece uma cuidada e rigorosa análise. O jornalismo de investigação pode ser uma alternativa viável para atenuar esta perda.

De certo que ninguém é insubstituível e neste meio é importante haver uma mudança de pessoas com o tempo. O jornalismo rege-se por uma sucessiva regeneração de novas caras. Aliás, esta situação que é negativa pode acabar por ser a rampa de lançamento para novos talentos no canal.  

Por outro prisma, a TVI garante dois profissionais de mão cheia. Depois de perder a liderança na informação para a RTP, a estação de Queluz reforça a equipa e enfraquece o rival. Na prática, uma óptima estratégia. Só, mais tarde, as audiências podem confirmar a sua viabilidade…

Além do acréscimo de qualidade e competência, a informação da TVI ganha essencialmente uma maior credibilidade, elemento que é muitas vezes criticado no quarto canal da grelha televisiva. Com esta mudança de direcção de informação, espera-se uma obrigatória alteração no registo noticioso do canal. Um programa de entrevistas semanais pode ser um registo a apostar que, em princípio, terá bons resultados de audiências.  

De facto, esta notícia é uma grande surpresa e acarreta uma enorme relevância mediática. É de esperar várias alterações nos dois canais, até porque não me parece que as mudanças fiquem por aqui… A face do jornalismo televisivo nacional encontra-se em mutação, que isso seja promotor de um trabalho mais rigoroso e com maior qualidade.   

 

 

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