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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O (des)acordo ortográfico

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, garantiu que não haverá qualquer revisão do acordo ortográfico, mas adiantou a hipótese de acertos no Vocabulário Ortográfico Comum, que deverá ficar concluído em 2014. “Será apresentada uma versão beta ainda este ano e até 2014 será encerrado. Ainda nem sequer foram incluídas no Vocabulário Ortográfico Comum as contribuições de Angola e Moçambique”, reforçou à agência Lusa.
Por sua vez, o escritor Vasco Graça Moura, um dos mais acérrimos opositores do actual acordo ortográfico, defende “a supressão das asneiras que lá estão [no documento]”. “O acordo é uma pura manifestação neocolonialista negociada entre Portugal e o Brasil com o mero corpo presente dos outros países participantes e isso é uma ofensa a culturas que se produzem na nossa língua, em África, por exemplo”, enalteceu.
O acordo ortográfico está a tornar-se cada vez mais um desacordo ortográfico, tendo em conta a controvérsia que tem gerado em muitos quadrantes da sociedade. Antes de mais, questiono-me o porquê desta alteração, quais são os benefícios que advém desta mudança. Sinceramente não consigo encontrar uma razão forte para esta medida, até porque acredito que não são estas ideias que vão unificar a língua portuguesa. Assim sendo, o que fica de benéfico neste acordo? Pouco ou quase nada.
Para quem não sabe este é uma temática que já anda a ser discutida há 22 anos, ou seja, desde 1990(!). É inconcebível estar tanto tempo a discutir sobre algo sem ainda se ter chegado a uma conclusão palpável. Digna de ser apresentada à população. No meu ponto de vista, é inqualificável os anos que são necessários para se tomada uma decisão que vai influenciar cerca de cento e oitenta milhões de pessoas! Por alguma razão esta demora acontece: porque este acordo ortográfico, realmente, não faz sentido nenhum…
Num acordo que contém dezassete páginas e vinte e um tópicos são defendidas que as alterações são mínimas nos dois países de maior importância: Brasil e Portugal (0,5% e 1,5%, respectivamente). Contudo, a supressão das consoantes mudas é fortemente criticada em Portugal. Algo natural, até porque isto é uma modificação demasiado radical  e que levanta problemas básicos.  De um momento para outro a grande maioria das pessoas no nosso país deixou de saber escrever ‘correctamente’.
Existem inúmeros países com a mesma língua, mas com diferenciações que são derivadas à sua história, cultura e sociedade. Inglaterra e Estados Unidos da América são os melhores exemplos. É natural que isto aconteça, até porque promove uma diversidade linguística que permite uma constante evolução da língua. A tentativa de unificar o português é uma medida desnecessária, despropositada e desenquadrada. Reflecte uma visão limitada e pouco virada para um futuro que aposta cada vez mais na diversidade e não na união.
Apesar de ainda faltarem dois anos, a implementação deste acordo a 2014 continua a parecer pouco viável. Longínqua, mesmo! Ainda se vê poucas preparações para uma alteração deste tipo, o que me leva a defender que este é um assunto que vai voltar a ser adiado. Se não se consegue chegar a um consenso nesta medida, isso só significa que não existe uma preparação real para uma modificação deste tipo…

 

Uma língua em perigo

Hoje tudo é escrito na Internet, desde um trabalho indispensável a algo sem importância. Desde pesquisas à elaboração de textos tudo passa pela Internet. É um ciclo vicioso. A sociedade está viciada em trabalhar neste dispositivo o que, no meu ponto de vista, a médio/longo prazo pode castigar a língua portuguesa. Não tenho quaisquer rodeios em expressar a minha opinião no que se trata deste facto, um vez que várias abreviaturas e erros básicos começaram a aparecer de uma forma estonteante com a banalização que se tem tornado o uso da Internet.

Perante isto fica-se com uma dúvida: será que a internet ajuda a que apareçam mais erros ortográficos ou ela vem apenas o levantar do véu de  muitos problemas linguísticos? Para mim, vem ajudar a que os erros aumentem. A velocidade com que se digita informação detém, naturalmente, inúmeras gralhas. A comunicação é mais rápida, eficiente e o mais importante de tudo é grátis, o que leva a uma grande procura. De acordo com a Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), no primeiro trimestre de 2010, aproximadamente metade dos lares de Portugal continental (48,8%) dispunham de acesso à Internet. Se é bom para um país estar evoluído tecnologicamente o que se pode dizer da possibilidade das perdas diárias do uso do bom português? Esta democratização da Internet pode causar estragos em pequena ou media escala causa a nível nacional num futuro próximo, principalmente na faixa etária mais jovem.

Normalmente o uso de abreviaturas é bastante utilizado neste espaço, algo que até podia ser bom. Até porque se treina o processo de abreviação, mas tornar-se um malefício pois o uso torna-se tão recorrente que acaba-se por assimilar essa abreviação como a verdadeira palavra. Dados referentes a 2010 confirmam que a Internet é usada para procura ou verificação de factos por 42,2% dos internautas. O problema nisso é que criou-se a lógica que se está na Internet, é porque a informação é correcta e fidedigna. Um erro comum cada vez mais recorrente. Com tudo isto um grande problema começa a nascer: o desprezo pelos livros.

Assim sendo, a rápida pesquisa na Internet torna-se indispensável para o uso de trabalhos. Nas escolas, por exemplo, isso é já uma exigência. Mas esse requisito pode ser prejudicial, uma vez que o computador assinala e corrige os erros que são feitos ao longo da sua redacção. O utilizador não dá a devida importância aos erros acabando por voltar repeti-los num futuro próximo. O erro torna-se natural e escrever de forma correcta não…

A excessividade de erros e o uso frequente do “calão” são normais no dia-a-dia da Internet, espaço onde a língua portuguesa é muitas vezes desprezada. Os erros feitos durante a sua utilização, são vários e graves, tendo os utilizadores pouco cuidado com o que escrevem e procuram. Aliás, criou-se mesmo uma nova linguagem neste dispositivo com trocas de x e de s. Coerente? Nem por isso, a verdade é que na Internet não tem sido dado o real valor da língua portuguesa. Um dos espólios mais importantes de um povo, portanto é necessário cada mais proteger e preservar esta língua para não correr o risco de perde-la no futuro.

 

Questões inevitáveis (8)

Hoje marca o dia do primeiro ‘Questões Inevitáveis’ do ano, que regressa para a sua oitava edição e logo com um tema bastante controverso. O acordo ortográfico tem sido alvo de muitas criticais das variadas áreas nacionais, tendo vindo a ser muito discutido.

O caso mais mediático em Portugal é talvez o caso de Vasco Graça Moura. O presidente do Centro Cultural de Belém emitiu uma circular interna com instruções para a suspensão do Acordo Ortográfico. Segue-se uma enorme polémica em que várias instituições aceitaram e negaram a utilização desta nova forma de escrever.

Este parece-me ser um tema pertinente e muito actual, por isso, considero ser positivo ser debatido neste espaço. Portanto, nesta oitava edição vamos ver qual é a vossa opinião perante esta temática. E tu, qual é a tua opinião?  

 

Concorda com a utilização do acordo ortográfico? Porquê?

 

Questões inevitáveis (6)

Na sexta edição das Questões inevitáveis, proponho um tema que me preocupa bastante: o aumento de palavras estrangeiras no léxico português. Já sabem que este espaço pede muito de vocês, portanto não tenham vergonha em expressar a vossa opinião. Qualquer merece e vai ser respeita e todas as ideias podem ser focos de discussão!  

Estrangeirismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que tenha ou não equivalente vernácula, em vez da correspondente na nossa língua. Grande parte desses vocábulos advém da língua inglesa. É cada vez mais normal ouvir, principalmente na faixa etária mais jovem expressões como: ok, t-shirt, stop ou blog. Os exemplos são inúmeros. Tornou-se quase um vício usar palavras estrangeiras para falar em Portugal. E tu, qual é a tua opinião?  

 

Sentes que a língua portuguesa está a ser ameaçada pela língua inglesa?