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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

À procura do seu paraíso

Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.

Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.

Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…

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À procura do seu paraíso

Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.

Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.

Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…

[Ficção]

Momento de liberdade

Tinha acabado de sair do trabalho e chovia torrencialmente lá fora. Ele não quis esperar que o temporal ficasse mais calmo. Não tinha guarda-chuva. Nunca o trazia, para ele era um utensílio dispensável. Começou a correr pela rua molhada, onde ninguém passava. Estava sozinho, apenas ele tinha decidido sair. Nunca tinha sido audaz para estas atitudes intempestivas mas hoje escolheu sair da rotina. Quis soltar-se. No fundo, quis ser livre por momentos e aproveitar esse tempo como se fosse o último que aquela patética vida lhe permitia. Sem nenhuma justificação, parou e reparou que todo o seu corpo estava completamente encharcado. Não conseguiu deixar de sorrir. Algo tão simples provocou-lhe uma segurança e calma que não sentia há muito tempo. Onde se tinha perdido? Não conseguiu deixar de se perguntar. Era curioso como nos esquecemos com tanta facilidade do prazer que a verdadeira facilidade nos provoca. É algo tão básico que nos esquecemos de lhe dar valor e sem nos apercebermos afastamo-nos perigosamente dela. Desta vez ia ser diferente. Ele não ia permitir que se perdesse de novo. Ergueu os braços e fechou os olhos, sentiu-se quase abençoado por aquela chuva que não parava de cair. Sabia tão bem voltar a encontrar a felicidade. Foi nesse dia que aprendeu novamente o valor de um sorriso sincero. 

[Ficção]


 


Alcançar o céu...

“Onde é que tinha a cabeça? Devia estar completamente louco para me meter numa destas”, pensei quando olhei lá para baixo. Já devia ter escalado mais de quinze metros e ainda só estava a meio. Fechei os olhos. Tremi e senti uma sensação estranha na barriga. Quem diria que alguma vez pudesse estar numa situação destas, nunca fui de grandes aventuras. Hoje estou a escalar uma montanha com trinta metros. Eu, a mesma pessoa que entrava em pânico com grandes alturas. Irónico, não? Quis desafiar o meu próprio medo chamem-lhe coragem ou estupidez, mas meti-me a quinze metros de distância de terra firme. “Bonito serviço, agora temos de chegar até ao fim”, quis tranquilizar-me para não entrar em pânico.

Senti o vento passar pelo meu corpo dorido. “Que sensação incrível”, pensei. Senti-me quase como um pássaro. Que liberdade! A ideia fez-me sorrir e acabei por encontrar forças nesse pensamento. Finalmente, abri os olhos com esperança e coragem redobrada. Iniciei novamente a escalada, e meti na cabeça que este é só mais um desafio. É apenas um obstáculo a ultrapassar. Não vou parar mais nenhuma vez!

Fui trepando e agarrando as pedras de uma forma algo desajeitada, mas não me importei. Apenas quis chegar ao alto da montanha, à minha meta. Mesmo com dores no corpo e algumas feridas não parei, estava na zona. Por mais descoordenado que estivesse estava efectivamente a chegar ao topo e até me encontrava bastante perto. A confiança cresceu, esqueci-me da altura, só quis continuar a sentir aquela adrenalina. Era tudo para mim naquele momento. Apesar do cansaço, continuei. Os movimentos tornaram-se mecânicos. Já não tinha medo de escorregar e rapidamente cheguei ao topo já sem folgo. Deitei-me no chão e ouvi perto onde parei uma voz provocatória: - Então, foi assim tão difícil?

[Ficção]

 

 
 

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Conversa de bocas

A: Pareces-me familiar, como se te conhecesse antes…

V: Mas tu nunca me viste e eu nunca te vi…

A: Mesmo assim, tenho a sensação que te conheço de algum lado…

V: Garanto-te que tu nunca me viste, mesmo estando sempre aqui.

A: Então quem és tu?

V: Já fui o teu passado, sou agora o teu presente e serei um pouco do teu futuro…

A: Mas se não nos conhecemos, como é que representas tudo isso para mim?

V: Sou um turbilhão daquilo que queres, daquilo que desejas, daquilo que sentes…

A: És assim tão importante para mim?

V: É a primeira vez que te vejo, mas sei tudo sobre ti!

(Silêncio)

A: Cativas-me, sabes. Não sei explicar o porquê das tuas palavras me preencher tanto…

V: Apenas disse o que tinha para te dizer. Não estás cativado, apenas admirado. Não te provoquei mais do que uma simples surpresa.

A: Eu gostei, queria encontrar-te mais vezes! Podemos?

V: Só quando ambos quisermos realmente, só quando houver uma real união.

A: Então queres que sejamos um só?

V: Sempre o fomos, mas tu nunca quiseste ver, nunca quiseste parar para sentir…

(Novo silêncio)

A: Então sempre me acompanhaste e eu nunca reparei. Mas agora que te vejo, quero-te comigo!

V: Querer é uma palavra complicada, olho-te e não vejo o que queres, porque não estás a querê-lo realmente. Não sabes nada daquilo que eu sou!

A: Julgo que te começo a conhecer um pouco…

V: Não é o sufeciente. Basta um desafio e tu recuas! Isso só demonstra que não estás seguro e não sabes aquilo que queres!

A: Mas estou! Como te posso provar?

V: Não com palavras, mas com acções, com sentimentos. Será que realmente consegues isso?

A: Posso tentar?

V: Sempre que queiras, mas não te prometo que alguma vez atinjas o sucesso.

A: Desafias-me então para um objectivo impossível?

V: Impossível não, mas difícil. Um desafio no qual terás de lutar diariamente, só assim conseguirás vencer.

A: Ou seja, estás-me a pedir o mundo…

V: Não, só parte dele, aquele que representas, aquele que faz parte de ti…

A: Irei fazê-lo! Onde é que estamos? Este local também me parece familiar…

V: É o local que sempre sonhaste, o teu paraíso, aquele sítio que sempre quiseste estar…

A: É muito bonito, gostava de viver aqui, ter uma casa…

V: Pára! Os teus desejos não são verdadeiros, porque falas sem pensar, sem reflectir, não sentes realmente o que dizes…

(Silêncio prolongado)

A: Desculpa. Pareces-me tão sábia, mas tão destrutiva. Como se me quisesses amar e destruir ao mesmo tempo…

V: Amar, nunca amaste como podes dizer que alguém ama ou não. Como podes falar de palavras que apenas ouves e nunca sentiste.

A: É o que eu penso sentir…

V: Tu não sentes absolutamente nada, vives, mas não sabes o que é sentir, não sabes o que é estar preso…

[Ficção]