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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

Capítulo 2 - A viagem até Londres!

14 de Setembro de 2016... Esta data para mim vai ficar para sempre marcada como o dia em que abandonei o meu país em busca de um sonho. Foi o começo de uma nova vida com uma página completamente em branco. No fundo, tudo passou a ser uma incerteza, pois não fazia ideia do que ia acontecer nas próximas horas. Por muito que isso fosse desafiador, era em certa parte bastante assustador. Afinal esta era a primeira vez que ia viver fora de casa e isso implementava alguns problemas... 

Dizer que esta aventura está a ser um mar de rosas era mentir-vos descaradamente, naturalmente que tem havido algumas coisas menos boas. As saudades é provavelmente o pior dos aspectos. Nunca gostei de despedidas, daí apenas ter dito a um pequeno circulo de pessoas que ia sair de Portugal. Ainda assim, isso não fez com que essas conversas não deixassem de ser particularmente dolorosas.

Regressando ao dia da viagem, no aeroporto de Humberto Delgado passei alguns momentos complicados. Foi muito mais difícil do que pensei virar costas a tudo aquilo que conhecia. Confesso que por momentos pensei mesmo em desistir, mas acabei por ir em frente. Não me interpretem mal, a vontade de ir para Londres era muita, mas a viagem até lá não foi nada fácil. Pode dizer-se que foi, sem dúvida, uma montanha russa de emoções...

No entanto, quando aterrei em Heathrow vinha com esperanças num futuro risonho. De facto, o impacto da capital britânica é arrebatador, de uma magia inacreditável (quem segue o Um Mar de Recordações há algum tempo sabe que eu sou louco por Harry Potter). Quando saí do aeroporto fui em direcção ao metro e apanhei a linha Piccadilly em direcção... à estação de King's Cross. Parecia destino, um sorriso enorme surgiu na minha face com o pensamento que talvez esta tenha mesmo sido a decisão certa. Era ali que começava a minha aventura!

 

 
 

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Enfrentar os medos!

"Não consigo! Tenho medo...", admitiu-lhe aquela bonita jovem que não devia ter mais de 17 anos. Expressou-se em voz baixa, sem conseguir olhar-lhe nos olhos. Era evidente o desconforto que sentia ao admitir aquela limitação.

O rapaz que devia ter mais um ano que ela sorriu de forma afectiva. De certa forma, reviu-se um pouco naquele momento. Ele próprio, no passado, já tinha perdido tanta coisa porque não teve coragem de arriscar. De enfrentar os seus medos, no entanto agora era alguém pronto para qualquer desafio.

Soube lutar contra as adversidades e afastar os seus fantasmas.
Quase instantaneamente , deu-lhe a mão de forma carinhosa. "A vida é feita de medos, de inseguranças. Não te deixes dominar por isso, pois só assim podes ir mais longe. Levanta a cabeça e vai em frente, não te deixes limitar. Eu estou aqui, vai correr tudo bem!", disse-lhe com sinceridade. A rapariga respondeu com um sorriso tremulo. Abanou a cabeça de forma mais convincente e começou a escalar a montanha íngreme ."

Texto originalmente publicado na rubrica Conta-me Histórias

 

 
 

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A perseguição do homem sem face

A hora era tardia e ninguém estava na ruas, Diana, de 20 anos, tinha saído do escritório onde estava a ter a sua primeira experiência de trabalho e logo numa cidade que pouco conhecia. De longos cabelos negros e de olhos de avelã, a jovem espalhava uma beleza invulgar. Estava nervosa, pois desde que tinha saído do trabalho tinha sentido que estava a ser seguida. Nunca tinha conseguido ver a cara dessa pessoa que escondia-se sucessivamente nas sombras. Num momento de desespero começou a andar mais depressa e o perseguidor fez o mesmo.

O medo começou a crescer pelo seu corpo. “Não vais fugir Diana”, gritou entre as sombras a estranha figura. Após ouvir aquela ameaça, sentiu pânico. Começou a correr e a gritar por socorro, mas ninguém a veio acudir. “Como é que ele sabe o meu nome”, questionou-se, ao mesmo tempo que corria o máximo que podia. Tentou virar pelo máximo de ruas possíveis. Esquerda. Direita. Esquerda. Quando deu conta já se encontrava num local da cidade que nunca tinha visitado. Os passos continuavam próximos e mais perto do que aquilo que queria escutou um riso doentio.

A roupa que tinha era demasiado justa e dificultava os movimentos, fazendo com que se cansasse ainda mais. Ao ver uma floresta a aproximar-se decidiu entrar nela para encontrar um local para se esconder. Não podia continuar naquele ritmo. Dessa forma, acelerou o passo para entrar no trilho. “Diana, não te podes esconder. Eu vou encontrar-te, não me consegues escapar”, foram as aterradoras palavras que ouviu. O nervosismo acabou por fazê-la tropeçar e cair. As calças ficaram com um enorme rasgão no joelho. As suas forças estavam a terminar, apercebeu-se com frustração. 

Já estava a correr há vários minutos e mesmo assim nunca tinha conseguido estar fora de perigo. O medo era cada vez mais e tinha a certeza que não podia continuar a correr para sempre. Levantou-se e acabou por esconder-se entre os arbustos. As mãos tremiam e começou a rezar mentalmente para que não fosse encontrada. Ouviu os passos a aproximar-se. Sabia que muito em breve ele estaria ali, isso era inevitável. Entretanto, começou a sentir um cheiro intenso que lhe dava vómitos. “Era ele! Há quanto tempo é que este animal não se lava?”, pensou desesperada. Não era só difícil escapar-lhe, também era impossível suportar estar perto dele. No entanto, para sua satisfação aquela figura aterradora estava a afastar-se. Não conseguia ouvir nada e crescia esperança daquele pesadelo ter terminado.

Aquele cheiro horrível parecia ter ficado infiltrado nas suas narinas, mas aquele silêncio deu-lhe coragem para se mexer um pouco. O silêncio continuava. Suspirou. Começou a levantar-se e viu o estado do joelho. Um arranhão. Virou-se para sair dali e… gritou! Ali estava ele, mesmo à sua frente. Olhou para a sua cara e a visão deixou-a horrorizada. Não tinha face, tudo nele era branco. Não teve tempo para reagir, apenas ouviu ‘brogh’ e sentiu uma enorme dor. Tinha uma faca espetada na barriga. Tentou gritar novamente, mas saiu uma jorrada de sangue da sua boca. Fechou os olhos e sentiu o seu corpo cair.

Abriu os olhos e o seu corpo estava totalmente soado e respirava ofegante. Estava deitada na sua cama com o coração a mil à hora. Não podia acreditar! “Um pesadelo, um estúpido pesadelo”, pensou. Levantou-se mas sentiu uma dor enorme na barriga. Levantou a camisa e viu uma enorme ferida…     

[Ficção]

 

 
 

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Aversão à imprevisibilidade

Admito que gosto de saber o que vem a seguir, nunca lidei bem com a imprevisibilidade. Na verdade, é algo que não consigo suportar, até porque nunca me importei em ter uma vida chata, previsível e estrategicamente organizada… Isso acontece porque sempre gostei de controlar tudo o que se passava à minha volta. Talvez seja somente eu a ficar velho, mas eu anseio pela previsibilidade. No entanto, a minha vida mantém-se imprevisível , deve ser por isso que nunca lidei bem com ela. Todos acabamos por querer sossego e paz, mas o mundo vive numa constante loucura diária que não nos deixa chegar a esse desejo. Nessas alturas sinto uma uma instabilidade enorme. Qual o passo devo dar? Não sei como reagir, é algo intolerável que me causa uma ansiedade enorme. Não há maior prisão do que a imprevisibilidade. Sim, sinto uma aversão total a ela! Ainda assim não consigo deixar de viver nela…

 

[Ficção]

 
 

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Paralisado de medo

Impotente permanecia naquele corredor sombrio da escola, encontrava-se num estado lastimoso. O jovem de 16 anos era o único nas proximidades. Permanecia ali sentado completamente despedaçado e derrotado. Choramingava desesperado. Estava com os olhos fechados ainda com receio do que poderia acontecer. A sua respiração continuava ofegante. Angustiado, tremia de medo. Tinha voltado a acontecer, as lembranças ainda o atormentavam. Há poucos minutos fora espancado por aquele grupo impiedoso de alunos mais velhos. Fizera-lhes frente, mas o resultado foi mais um sem número de nódoas negras, além de ficar sem o pouco dinheiro que tinha na sua carteira gasta… Ao longe ouvia os risos e brincadeiras de outras crianças no pátio, mas ele não desejava rir nem divertir-se. Esquecera-se dos bons momentos, vivia paralisado de medo. Bloqueado e sem rumo. Estava encolhido com a cara junto as pernas para tentar esconder o estado em que a sua cara se encontrava. Envergonhado, não sabia como fugir aquele constante problema. Ao longe, começou a ouvir passos apressados, começou a tremer violentamente. Ficou em pânico, receava uma segunda ronda de pancadaria. Fechou os olhos com ainda mais força quando sentiu que alguém estava cada vez mais próximo. “Não, não, não”, murmurou. Sentiu que um corpo estava à sua frente. Ia começar tudo outra vez, a aproximação era iminente. Contudo, nada do que previa aconteceu. Uma mão passou pelo seu cabelo carinhosamente. “Tem calma, tudo vai ficar bem”, ouviu uma voz rouca de uma mulher dizer.

Imagem retirada de: http://abismoinfinito.wordpress.com

 

 

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Quando a esperança acaba…

Despertou repentinamente quando a sua cara bateu na água, a respiração ofegante pelo susto. Permaneceu ali preso a um destino fatal. O seu corpo escorregou vagarosamente pela banheira, estava sem força para reagir. Tinha chegado ao seu limite físico, a água já lhe chegava perigosamente ao queixo. “Socorro”, gemeu demasiado baixo. Aquele ténue pedido não lhe valia de nada, ninguém estava a em casa para o acudir. A esperança estava a eclipsar-se a uma velocidade alucinante. Entendeu que aqueles eram os seus últimos momentos de vida, a sua morte aproximava-se rapidamente. Naquele momento de fraqueza ainda deu um fraco suspiro. O seu destino era inevitável, o seu corpo escorregou mais um pouco, estava a centímetros do nariz. Perdeu novamente os sentidos. A água apoderou-se do seu corpo, consumindo-o aos poucos. A sua vida estava no seu fim…

“Argh!!!!”, gritou desalmadamente. Estava completamente soado na sua cama e com o coração a bater acelerado. Rapidamante, a sua mulher acordou com a gritaria, abraçou-o suavemente para atenuar aquele nervosismo. “É só um pesadelo, está tudo bem meu amor”, consolou-o. Ainda nervoso, aquele sexagenário sentiu-se mais vivo do que nunca. 

Parte 1 || Parte 2

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Submerso em águas perigosas

Não queria acreditar que a sua vida acabasse assim, daquela forma tão inglória. Um sorriso ironico surgiu na cara daquele homem de idade avançada. Naquele momento estava preso na sua casa de banho. Encontrava-se mergulhado em água fria. Há alguns minutos tinha escorregado e batido com a cabeça na banheira. Não conseguia mexer-se para sair daquele local, apesar dos seus constantes esforços. Aos poucos, sentia que o seu corpo ia escorregando perigosamente.

Esforçava-se para se mexer mas o seu corpo já não era aquilo que era. Com mais de 60 anos, já lhe custava movimentar-se. Aquele forte embate tinha-o deixado muito atordoado, os seus músculos teimavam em não responder. Enquanto isso tremia ao sentir o frio, a sensação era cada vez mais desagradável. Tentava sair de todas as maneiras que conseguia. Naquele momento, tentava usar a perna esquerda para tirar a rolha, mas as suas tentativas revelavam-se constantemente falhadas. Lutava para se salvar, mas só conseguia aumentar a sua frustração. Aos poucos a sua força começava a perder-se.

O medo aterroziava-o cada vez mais, sabia que não havia forma de escapar à morte. “Que patético!”, pensou, num momento em que perdera toda a esperança de se salvar. Já estava assim há demasiado tempo assim, não ia conseguir resistir muito mais. As forças estavam cada vez mais a afastar-se, lutava para se manter acordado. Aquela era uma batalha inglória. Fechou os olhos e perdeu a concisciência…  

[Continua…]

 

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