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Um Mar de Recordações

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Questões inevitáveis (20) – Demissão de Miguel Relvas

A notícia do dia é o pedido de demissão de Miguel Relvas e é impossível ficar alheio a este acontecimento. A saída do ministro dos Assuntos Parlamentares deve-se ao que tudo indica pelo processo de verificação do seu curso. 

O braço-direito de Pedro Passos Coelho resistiu durante um ano às revelações sobre a sua licenciatura na Universidade Lusófona, mas não conseguiu suportar o processo de verificação das equivalências pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência. Dos 120 estudantes investigados pelo Ministério da Educação, nenhum recebeu tantos créditos como Relvas (160). No entanto, uma licenciatura, em regra, equivale a 180 créditos…
O até agora ministro dos Assuntos Parlamentares do Governo justificou as razões para a sua saída do Executivo de Pedro Passos Coelho, referindo não ter "condições anímicas para continuar" no cargo. Durante a conferência de imprensa, Relvas referiu ainda as áreas que, no seu entender, deixou a sua marca: a realização do mapa autárquico, traduzido na redução de freguesias, mas também a estrutura da reforma da administração local, bem como a RTP.
Numa altura em que se fala de uma remodelação do Governo, um dos ministros mais polémicos nos últimos tempos. Miguel Relvas alimentou muitas controvérsias o que fez com que se torna-se uma das figuras mais visadas da contestação popular.

 

 

O desempenho do ministro dos Assuntos Parlamentares foi positivo ou negativo? Concordam com a saída de Miguel Relvas e quais são as principais consequências desta decisão? Quem pode ser o seu sucessor?

Exclusivo*: Manifestantes calam Miguel Relvas em conferência da TVI (com vídeo da minha autoria)

"Relvas hoje vieste à escola?" foi esta uma das palavras de contestação que Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, ouviu quando esta tarde foi silenciado pelo enorme protesto na conferência 'Como vai ser o Jornalismo daqui a 20 anos', organizado pela TVI no ISCTE-IUL , em Lisboa.
Num momento em que terminava o último painel da conferência, o ministro entrou na sala e foi vaiado por dois grupos de manifestantes que interromperam os conferencistas. "Demissão", gritavam em uníssono os protestantes sem parar. Após longos minutos e só depois da intervenção de Pedro Pinto, jornalista da TVI e moderador do painel interrompido, foi possível acalmar um pouco os ânimos. Ainda assim os manifestantes mantiveram vários cartazes com inscrições como "Governo Rua" e "Bolsas sim e Propinas não", para além de cartazes da manifestação convocada pelo movimento "Que se Lixe a Troika!" para o próximo dia 2 de Março.
Rosa Cullell, administradora da Mediacapital ainda conseguiu fazer um balanço da conferência dando a palavra ao Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. A partir daí a contestação voltou a incendiar-se não havendo condições para discursar. Assim, o protesto levou Miguel Relvas a abandonar a sala, numa saída atribulada. Os seus seguranças não conseguiram evitar que o ministro fosse atingido por um manifestante com um cartaz, num momento em que ficou encurralado. O ministro foi mesmo perseguido até à sua viatura.
Esta já é a segunda manifestação que o ministro foi impedido de falar. Ontem, no Clube dos Pensadores no Porto, foi interrompido quando as pessoas presentes começaram a cantar o 'Grândola Vila Morena', tema associado ao 25 de Abril.
No auditório do ISCTE-IUL, José Alberto Carvalho, director de informação da estação de Queluz, reconheceu "o direito à contestação e à liberdade de expressão", mas criticou o momento e a forma como foi levada a cabo.
Esta conferência foi um dos primeiros eventos comemorativos dos vinte anos da TVI e que foi transmitido em directo, ao longo do dia, no site da estação privada.

 

Concordam com a manifestação? O governo tem condições para continuar? 

 


*A notícia e o vídeo são exclusivos do blogue Um Mar de Recordações.