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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Exclusivo*: Manifestantes calam Miguel Relvas em conferência da TVI (com vídeo da minha autoria)

"Relvas hoje vieste à escola?" foi esta uma das palavras de contestação que Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, ouviu quando esta tarde foi silenciado pelo enorme protesto na conferência 'Como vai ser o Jornalismo daqui a 20 anos', organizado pela TVI no ISCTE-IUL , em Lisboa.
Num momento em que terminava o último painel da conferência, o ministro entrou na sala e foi vaiado por dois grupos de manifestantes que interromperam os conferencistas. "Demissão", gritavam em uníssono os protestantes sem parar. Após longos minutos e só depois da intervenção de Pedro Pinto, jornalista da TVI e moderador do painel interrompido, foi possível acalmar um pouco os ânimos. Ainda assim os manifestantes mantiveram vários cartazes com inscrições como "Governo Rua" e "Bolsas sim e Propinas não", para além de cartazes da manifestação convocada pelo movimento "Que se Lixe a Troika!" para o próximo dia 2 de Março.
Rosa Cullell, administradora da Mediacapital ainda conseguiu fazer um balanço da conferência dando a palavra ao Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. A partir daí a contestação voltou a incendiar-se não havendo condições para discursar. Assim, o protesto levou Miguel Relvas a abandonar a sala, numa saída atribulada. Os seus seguranças não conseguiram evitar que o ministro fosse atingido por um manifestante com um cartaz, num momento em que ficou encurralado. O ministro foi mesmo perseguido até à sua viatura.
Esta já é a segunda manifestação que o ministro foi impedido de falar. Ontem, no Clube dos Pensadores no Porto, foi interrompido quando as pessoas presentes começaram a cantar o 'Grândola Vila Morena', tema associado ao 25 de Abril.
No auditório do ISCTE-IUL, José Alberto Carvalho, director de informação da estação de Queluz, reconheceu "o direito à contestação e à liberdade de expressão", mas criticou o momento e a forma como foi levada a cabo.
Esta conferência foi um dos primeiros eventos comemorativos dos vinte anos da TVI e que foi transmitido em directo, ao longo do dia, no site da estação privada.

 

Concordam com a manifestação? O governo tem condições para continuar? 

 


*A notícia e o vídeo são exclusivos do blogue Um Mar de Recordações. 

‘Público’ dá início à queda dos jornais em Portugal

A Sonaecom, detentora do jornal Público anunciou ontem que vai dispensar 48 funcionários, 36 dos quais jornalistas. Esses profissionais representam mais de 25% da redacção, que conta com cerca de 130 redactores. O objectivo, segundo anunciou em comunicado a empresa dona do jornal, é conseguir poupanças de 3,5 milhões de euros por ano.

O grupo Soane justifica a decisão com o facto “de a imprensa escrita estar desde há anos a atravessar uma mudança estrutural profunda, à escala mundial, que se tem traduzido numa forte tendência de queda de receitas em resultado do efeito de substituição do papel pelo online”. Ainda assim, a administração do diário espera continuar a “preservar os valores de qualidade e rigor da marca Público” pese embora a diminuição do número de jornalistas.

Entretanto, os trabalhadores da publicação diária decidiram, em plenário, mandatar os sindicatos para iniciar um processo de greve em resposta ao despedimento colectivo acordado entre a direcção editorial e a administração. "Este despedimento inviabiliza a continuidade do Público enquanto órgão de comunicação social de referência", lê-se num comunicado assinado pelo Conselho de Redacção e pela Comissão de Trabalhadores.

Desta forma, o Público, um dos jornais referência em Portugal, deu início ao que se prevê ser a queda dos jornais em Portugal. A grande diminuição nas vendas e o domínio da Internet apenas aceleraram aquele que vai ser o descalabro dos órgãos de comunicação nacional. Esta medida dá o mote para o desaparecimento de outras marcas tanto nesta como em outras empresas. Na imprensa escrita, o Diário de Notícias e o jornal I podem ser as próximas vítimas da redução de custos ou mesmo da sua extinção…

Esta situação coloca ainda mais difícil encontrar emprego nesta área. Actualmente, seguir a profissão de jornalista em Portugal é uma tarefa quase impossível. Simplesmente não há saída! A verdade é que o desaparecimento dos jornais em Portugal é sinónimo de um grande enfraquecimento da informação de qualidade no nosso país. Naturalmente, vai ser mais difícil encontrar os factos indispensáveis e as questões necessárias. Estar (bem) informado no nosso país torna-se cada vez mais uma miragem...

 

Exclusivo*: Centros comerciais em risco de fechar

Dois centros comerciais, na Margem Sul, estão em risco de fechar devido às fracas receitas que tem registado nos últimos meses. Algumas das grandes marcas destas superfícies comerciais já fecharam as suas delegações ou estão em vias de fechar. O encerramento dos dois estabelecimentos é uma das medidas que está a ser avaliada pelos administradores.

Os gestores destas superficeis comerciais estão a tentar encontrar formas de tornar o negócio rentável, mas a grave crise económica tem afastado os clientes das lojas. “Tem existido reuniões para encontrar uma solução, mas não tem sido fácil relançar o investimento. Estão a ser estudadas alternativas”, reconhece uma fonte ligada ao processo.

As promoções tem sido a principal aposta das várias marcas, mas essa medida não tem servido para gerar lucro. “Existem demasiadas superfícies comerciais na Margem Sul. A grande oferta na zona está a revelar-se muito prejudicial para o negócio”, revela um dos funcionários de uma das superfícies comerciais em causa, que preferiu ficar em anonimato. No distrito de Setúbal estão sete centros comerciasi abertas, mas entre Almada e Barreiro estão sediadas quatro empreendimentos deste tipo.

Entre os funcionários das duas superfícies comerciais há muita apreensão e um medo generalizado de ficar sem o posto de trabalho. “A situação agravou-se, pois algumas das principais marcas estão a fechar as portas, o que pode afastar ainda mais as pessoas. Sem os produtos e as marcas conhecidas é muito díficil continuar”, adianta o mesmo funcionário.

O investimento de vários milhões de euros na construção destes dois empreendimentos e as centenas de postos de trabalho em risco, leva a que  esteja a ser feito um esforço enorme na manutenção dos centros comerciais abertos. “Existe a hipótese de criar um novo tipo de negócio, de forma, a rentabilizar o espaço. Todas as hipóteses estão em cima da mesa”, confirma fonte muito próxima do processo. O final do ano vai ser o momento decisivo para que os diferentes administradores tomem uma decisão sobre o futuro da sua infra-estrutura.

 

*Esta notícia é exlusiva do blogue Um Mar de Recordações.

 

O fim anunciado da RTP2

António Borges, consultor do Governo para as privatizações confirmou nesta quinta-feira a Judite de Sousa, no ‘Jornal das 8’, na TVI, que “provavelmente a RTP2 vai fechar porque é um serviço caro para a audiência que tem”. O anuncio não causa nenhuma surpresa, até porque há muito se esperava esta medida. O mais estranho nisto tudo é ter sido um funcionário do Governo a anunciar os planos para a estação pública…

O canal que iniciou as suas emissões a 25 de Dezembro de 1968 deu sempre um enorme destaque à componente cultural. Curiosamente, a 14 de Maio de 2012, a RTP2 tornou-se no primeiro canal generalista português a emitir em 16:9. O que demonstra que foi uma estação parada no tempo e que tentou sempre evoluir e estar mais próximo dos seus telespectadores.

No meu ponto de vista, este sempre foi um projecto com pouca audiência mas de reconhecida qualidade. E, atenção, porque esta estação não tem que se preocupar com o número de telespectadores, mas sim com a qualidade informação que divulga. Não se pode negar. A RTP2 é um canal de minorias, claro que sim. Contudo, o Estado também tem de se preocupar com essas minorias e não só com o grande público. Não basta só satisfazer o público com programação comercial e o segundo canal tem provado isso ao longo dos anos.

De facto, é de lamentar o fecho desta estação televisiva, mas até agora parece ser a solução possível numa altura em que o Governo tenta cortar no orçamento. No entanto, desde há muito tempo, que é na RTP2 que passam os melhores programas quer a nível de desporto (e não só de futebol), cultura, ciências, séries, informação e desenhos animados. Caso se confirme (e não tenho nenhumas dúvidas que isso vai acontecer), é uma grande perda na formação e divulgação de qualidade no nosso país. 

Irrita-me particularmente que os conteúdos na televisão portuguesa são tudo a nivelar para baixo. Isso não acontece no segundo canal. Realmente, é de louvar a forma como este projecto tem sabido gerir a sua grelha e atrair novos públicos mesmo com um orçamento mais baixo que a casa mãe. Na verdade, é injusto que o canal mais transversal de Portugal seja aquele que está próximo de fechar.

A solução para menorizar os danos do desaparecimento deste emblemático canal passa por colocar os melhores programas no primeiro canal. É a melhor forma de manter o cartaz cultural defendido na RTP2. Reduzia-se os custos, mas os programas de maior qualidade resistiam a esta extinção… No meio disto tudo, é triste ver que a cultura em Portugal continua vulnerável e sem um verdadeiro apoio.   

 

Uma incompatibilidade de preços

Os preços dos combustíveis voltaram a subir nesta semana para um valor recorde. Só desde o início do ano, o preço da gasolina já aumentou mais de 25 cêntimos por litro, o que corresponde a um aumento de quase 17% em pouco mais de três meses. O gasóleo, por seu turno, está 13 cêntimos mais caro do que em Janeiro, o que se traduz num aumento de 9%.
Nesta semana, o preço atingiu máximos históricos com o litro de gasolina a custar 1,769 euros, enquanto o do gasóleo é de 1,529 euros/litro. Este aumento explica-se pela variação da cotação média dos produtos refinados nos mercados internacionais, mas as tensões entre o Irão e os países ocidentais e a crise na zona euro também não vem ajudar a esta situação.
Em Portugal, usar carro começa a ser para rico e andar a pé ou de bicicleta vão voltar a estar presentes no quotidiano dos portugueses. Não podemos ser fatalistas e pensar só nos aspectos negativos, a verdade é que este aumento pode permitir aos portugueses fazer exercício e ter uma vida mais saudável. Além disso, isso também pode promover o aumento de pessoas nos transportes públicos e, consequentemente, menor poluição. É certo que a principio esta é uma situação difícil de gerir, até porque se viveu durante muitos anos com uma excessiva utilização do carro, demasiados anos...
Na verdade, os preços praticados pelas gasolineiras em Portugal são totalmente impraticáveis numa situação normal, quanto mais em tempo de crise… Numa altura em que os gastos devem ser cada vez mais reflectidos, para um cidadão de classe média estes são preços totalmente incompatíveis . Mais uma contrariedade numa vida cada vez mais difícil de gerir.
A escolha de gasolineiras com preços mais acessíveis é cada vez uma acção mais rotineira por parte dos portugueses. E é uma atitude que cada vez mais se compreende… Já em zonas fronteiriças a solução é relativamente simples: abastecer em Espanha, onde os preços são menos elevados. Mas para as restantes zonas do país, o problema tende a tornar-se cada vez mais grave e o melhor a fazer é mesmo deixar o carro em casa. Pessoalmente, tenho começado a fazer isso mesmo, até porque andar faz tão bem…