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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O plano (quase) perfeito de Cláudia Martins [One-shot*]

Cláudia Martins era uma mulher ambiciosa e decidida, procurava sempre novas formas de se colocar em vantagem. Finalmente, tinha encontrado a oportunidade para ultrapassar o obstáculo que a afastava da tão ansiosa cadeira do poder. Estava a um pequeno passo de garantir a presidência da Companhia, uma das maiores marcas de tecnologia a nível nacional. Só faltava o anúncio oficial, a sua ascensão estava cada vez mais próxima. Um sorriso arrogante nasceu nos seus lábios carnudos. Estava certa de que aquele seria o seu dia.
Olhou-se demoradamente no espelho, reflectido nele estava uma mulher de 29 anos com um olhar decidido. Sabia aproveitar-se daqueles traços exóticos que contrastavam com dois olhos inesperadamente claros. Era especialmente bonita, o seu corpo era uma autêntica perdição. Arranjou-se com mais cuidado, tinha a certeza que iria ser chamada em breve. Suspirou longamente. “Os sentimentos são uma fraqueza”, recordou-se.
Toc-toc. Ouviu alguém a bater à porta do seu gabinete. “Entre…”, respondeu num tom de voz pouco afável. Era uma das secretárias da administração que a vinha chamar para sala de reuniões do último piso. O seu grande momento tinha chegado. Avançou num passo decidido, rumava até ao sucesso. Colocou o sorriso mais encantador quando bateu à porta. Quando entrou naquela sala teve que fechar os olhos por momentos, pois não aguentou a claridade das janelas completamente abertas. O seu sorriso morreu nos seus lábios assim que viu as feições nervosas e tensas dos administradores. Algo tinha-se passado…
- Cláudia, sente-se por favor… - arguiu Bernardo Simões sem esconder algum nervosismo. Engoliu em seco. - Antes de mais queremos felicitar-lhe pelo seu trabalho! Como sabe nos últimos tempos tivemos em reflexão para escolher o novo presidente para a empresa. O seu nome sempre foi um dos mais fortes a esse cargo… – afirmou. Uma longa pausa seguiu-se depois daquelas palavras. Uma gota de suor percorreu a testa daquele homem. – A verdade é que neste momento parece-nos que outra pessoa tem mais condições para este lugar... Lamento imenso! - arguiu o administrador, após inúmeras hesitações.
A implacável gestora não queria acreditar naquilo que estava a ouvir, esforçou-se para não mostrar todo o seu desapontamento. Não prestou atenção a mais nenhuma palavra daquele homem. Quando ele parou, apenas conseguiu perguntar quem tinha sido o escolhido. Os três elementos trocaram olhares incómodos. “Ricardo Gonçalves", admitiu por fim Júlio de Morais. O idiota do seu namorado como presidente? Aquilo não fazia sentido nenhum... Teve a sensação que algo estranho se estava a passar, sentiu um desejo enorme de investigar aquela promoção a fundo… Naquele gabinete, onde teve a mais amarga das derrotas prometeu que ia fazer tudo para retaliar aquela humilhação.

*One-shot inspirada no meu livro ‘A Analogia da Morte’

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O inesquecível dia de São Valentim de Diogo Santos [One-shot*]

Era Dia de São Valentim e Diogo Santos preparava-se para o seu encontro. O mediático professor de Literatura da Universidade Nova tinha optado por um fato azul marinho da Giovanni Galli. Esboçou um pequeno sorriso triunfante ao olhar-se ao espelho. Reflectido nele estava um homem com traços bonitos acompanhados de uma estrutura física imponente. Sentia que estava no seu melhor, queria surpreender a sua namorada Cláudia Martins, uma ambiciosa gestora de quem estava loucamente apaixonado. Era o primeiro Dia dos Namorados que iam passar como casal daí estar empolgado com a data, queria tornar tudo inesquecível.

Antes de sair, o docente de 26 anos colocou um gravata preta, o toque final para o seu visual ficar perfeito. O relógio marcava sete e trinta quando saiu para uma Rua Castilho bastante fria. Ainda assim continuava com um enorme sorriso estampado no rosto, estava genuinamente feliz. Parou numa florista perto da sua casa para comprar as flores que tinha reservado no dia anterior. Um ramo de rosas de um vermelho bem intenso. Seguiu caminho para uma Avenida da Liberdade caótica com filas de carros por todo o lado, os seus olhos verdes mergulhavam na beleza característica daquela artéria principal da capital. Largou um esgar, tinha feito bem em deixar o seu BMW 320i na garagem. Era costume andar a pé por aquela cidade, a verdade é que muito raramente usava o carro para se deslocar em Lisboa.

Num passo acelerado, chegou rapidamente ao restaurante combinado. Quando entrou ficou surpreendido pela namorada ainda não ter chegado. Mas não deu muita importância ao assunto, era tão típico as mulheres demorarem mais algum tempo a arranjarem-se. Sentou-se na mesa do costume e poisou o ramo. No entanto, com o tempo a passar, o nervosismo começou a apoderar-se daquele carismático homem. Começou a mexer no cabelo negro num claro sinal de nervosismo. Ligou-lhe, mas ela não atendia o telemóvel. Algo de estranho se estava a passar, começou a beber o vinho do Porto que estava na mesa esperando que não fosse nada de grave.

Só uma hora depois recebeu uma mensagem. Preocupado, foi ao bolso e viu que era de Cláudia. O conteúdo era curto e directo. “Acabou.”, dizia simplesmente. Aquela pequena palavra quebrou o seu coração, não queria acreditar naquilo que estava no visor do telemóvel. Bebeu o pouco vinho que tinha no copo. Abanou freneticamente a cabeça, completamente atordoado. Não teve outra opção senão pagar a choruda bebida e ir embora. Enquanto passava pela mesa olhou desgostoso para o ramo que tinha comprado. Agarrou nele e deitou-o no lixo perto da saída. Ferido no orgulho, abandonou aquele restaurante e nunca mais lá voltou…

*One-shot inspirada no meu livro ‘A Analogia da Morte’

Imagem retirada de: http://www.cuscorestaurants.com/

 

 

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A primeira morte do ‘Justiceiro Absoluto’ [One-shot*]

Lisboa vivia mergulhada numa tensão imensa, o medo dominava as ruas. Todos temiam uma ameaça vinda das sombras. Há poucas horas, todos os canais noticiosos informavam que tinham sido encontrados uma dezena de corpos sem vida. A autoria deste crime tinha sido de uma espécie de justiceiro que fazia justiça pelas próprias mãos. A identidade desse ‘Justiceiro Absoluto’ permanecia um mistério para a equipa da polícia liderada por Gonçalo Tavares. A capital portuguesa sangrava dolorosamente, mas nem sempre tudo tinha sido assim…

Toda aquela loucura tinha começado há umas semanas atrás, um poderoso gestor dava passos lentos, não tinha pressa para chegar a uma casa vazia. Apesar de ser alto, Bruno Correia possuía um porte volumoso com vários quilos a mais. Na casa dos 30, era alguém com ambições políticas que tinha um grande vício: dinheiro fácil. Recentemente, tinha entrado num esquema fraudulento que lhe valera vários milhares de euros para a sua conta no estrangeiro. Acabou por escapar a um julgamento devido às suas influências com o poder. A vida corria bem aquele homem abastado. Largou um sorriso arrogante ao pensar no sucesso que tinha tido nos últimos tempos.

Poucos metros depois, chegou à sua luxuosa moradia. A sua casa destacava-se das demais naquela rua. Bruno Correia estava um pouco apreensivo. Não sabia a razão, mas pressentia algo. A sua garganta estava estranhamente seca. Fez um curto esgar, num claro desejo de esquecer aquela tola ideia. Contudo, quando entrou na sua espaçosa sala reparou que a sua casa tinha sido remexida. Engoliu em seco. Avançou com cuidado, tentando não fazer barulho. O seu objectivo passava por chegar à arma que se encontrava guardada no seu escritório. Queria preservar acima de tudo a sua integridade, não sabia se alguém ainda estava ali…

Tentou mover o melhor que podia o seu corpo pesado, uma gota de suor caiu freneticamente pela sua face bolachuda. As suas pernas tremiam abundantemente, não era adepto deste tipo de momentos de ansiedade extrema. O seu coração estava a bater descontroladamente. Estava completamente amedrontado. Atrás de si ouviu um pequeno barulho, ainda se conseguiu virar para ver alguém a correr uma velocidade espantosa. Apenas conseguiu ver um homem vestido de negro com um mascara branca a tapar a cara. Na sua mão uma faca afiada aproximou-se perigosamente do seu pescoço. Depois disso, apenas escuridão…  

*One-shot inspirada no meu livro ‘A Analogia da Morte’

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Desenho feito pela Ana

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