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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

A perseguição do homem sem face

A hora era tardia e ninguém estava na ruas, Diana, de 20 anos, tinha saído do escritório onde estava a ter a sua primeira experiência de trabalho e logo numa cidade que pouco conhecia. De longos cabelos negros e de olhos de avelã, a jovem espalhava uma beleza invulgar. Estava nervosa, pois desde que tinha saído do trabalho tinha sentido que estava a ser seguida. Nunca tinha conseguido ver a cara dessa pessoa que escondia-se sucessivamente nas sombras. Num momento de desespero começou a andar mais depressa e o perseguidor fez o mesmo.

O medo começou a crescer pelo seu corpo. “Não vais fugir Diana”, gritou entre as sombras a estranha figura. Após ouvir aquela ameaça, sentiu pânico. Começou a correr e a gritar por socorro, mas ninguém a veio acudir. “Como é que ele sabe o meu nome”, questionou-se, ao mesmo tempo que corria o máximo que podia. Tentou virar pelo máximo de ruas possíveis. Esquerda. Direita. Esquerda. Quando deu conta já se encontrava num local da cidade que nunca tinha visitado. Os passos continuavam próximos e mais perto do que aquilo que queria escutou um riso doentio.

A roupa que tinha era demasiado justa e dificultava os movimentos, fazendo com que se cansasse ainda mais. Ao ver uma floresta a aproximar-se decidiu entrar nela para encontrar um local para se esconder. Não podia continuar naquele ritmo. Dessa forma, acelerou o passo para entrar no trilho. “Diana, não te podes esconder. Eu vou encontrar-te, não me consegues escapar”, foram as aterradoras palavras que ouviu. O nervosismo acabou por fazê-la tropeçar e cair. As calças ficaram com um enorme rasgão no joelho. As suas forças estavam a terminar, apercebeu-se com frustração. 

Já estava a correr há vários minutos e mesmo assim nunca tinha conseguido estar fora de perigo. O medo era cada vez mais e tinha a certeza que não podia continuar a correr para sempre. Levantou-se e acabou por esconder-se entre os arbustos. As mãos tremiam e começou a rezar mentalmente para que não fosse encontrada. Ouviu os passos a aproximar-se. Sabia que muito em breve ele estaria ali, isso era inevitável. Entretanto, começou a sentir um cheiro intenso que lhe dava vómitos. “Era ele! Há quanto tempo é que este animal não se lava?”, pensou desesperada. Não era só difícil escapar-lhe, também era impossível suportar estar perto dele. No entanto, para sua satisfação aquela figura aterradora estava a afastar-se. Não conseguia ouvir nada e crescia esperança daquele pesadelo ter terminado.

Aquele cheiro horrível parecia ter ficado infiltrado nas suas narinas, mas aquele silêncio deu-lhe coragem para se mexer um pouco. O silêncio continuava. Suspirou. Começou a levantar-se e viu o estado do joelho. Um arranhão. Virou-se para sair dali e… gritou! Ali estava ele, mesmo à sua frente. Olhou para a sua cara e a visão deixou-a horrorizada. Não tinha face, tudo nele era branco. Não teve tempo para reagir, apenas ouviu ‘brogh’ e sentiu uma enorme dor. Tinha uma faca espetada na barriga. Tentou gritar novamente, mas saiu uma jorrada de sangue da sua boca. Fechou os olhos e sentiu o seu corpo cair.

Abriu os olhos e o seu corpo estava totalmente soado e respirava ofegante. Estava deitada na sua cama com o coração a mil à hora. Não podia acreditar! “Um pesadelo, um estúpido pesadelo”, pensou. Levantou-se mas sentiu uma dor enorme na barriga. Levantou a camisa e viu uma enorme ferida…     

[Ficção]

 

 
 

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Um salto glorioso

Um majestoso gato cinzento baloiçava pelos galhos de uma pequena árvore, os seus olhos verdes estavam concentrados no seu alvo. Perto daquela zona um pequeno rato esgueirava-se por aquela ruela deserta. A noite estava gelada, um vento desconfortável afastava qualquer um das ruas. Enquanto isso o felino esperava sossegado e pacientemente pelo melhor momento encontrando-se escondido por uma longa vegetação. Astutamente preparava-se para o seu salto glorioso. Os seus olhos completamente focados no prémio, meteu a língua de fora prevendo o seu jantar. As suas patas estavam friccionadas, o pequeno rato castanho aproximava-se sem saber o seu trágico destino. Finalmente tinha chegado o momento! Num apíce, o gato avançou num passo silencioso e ágil, saltando longamente em busca do seu sucesso...

 

 

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Um encontro surpreendente

Não podia deixar de se emocionar ao ler aquilo. O voo tinha sido atrasado por mais uma hora, o que queria dizer que ainda tinha hipóteses de a encontrar. Voltou a correr deixando à sua passagem o piso molhado pela chuva que tinha apanhado pelo caminho. Ignorou o olhar reprovador de uma funcionária que estava a limpar uma zona ali perto. Não queria saber de nada, apenas queria agarrar aquela nova oportunidade que o destino lhe tinha concedido.
Percorreu rapidamente as pequenas lojas que havia no aeroporto, mas não havia sinais dela. Girou sobre si, não conseguido esconder a apreensão e frustração de não estar a conseguir encontrá-la. Parou repentinamente e permaneceu ali de olhos fechados. O desespero tinha-o tomado. Segundos após ter parado, ouviu um riso que lhe era conhecido e que lhe fez abrir instantemente os olhos.
"Gi , durante quanto tempo vais continuar a andar à roda?”, ouviu atrás de si. Aquele nome e aquela voz. Reconhecia-o em qualquer parte do mundo. Virou-se e ali estava ela com aquele sorriso que o tinha enfeitiçado. Como sempre, estava lindíssima. A pele bronzeada contrastava com os olhos claros e o cabelo loiro. Usava um vestido branco que ele lhe tinha oferecido no mais recente aniversário de namoro. O seu coração bateu mais forte, ela era um encanto para os seus olhos.
- Estive a tentar encontrar-te por todo o lado, temi que já não o conseguisse – disse-lhe, sem esconder o nervosismo. Estava a sentir aquele momento.
- Não contava ver-te, pensei que nos tivéssemos despedido ontem. Então a que devemos este belo canto de cisne? – questionou com um tom de ironia. No dia anterior tinham estado juntos durante umas horas escaldantes. Aquelas provocações não passavam de uma máscara, por dentro sentia-se pessimamente por ter de ir abandoná-lo. Amava-o verdadeiramente.
- Precisava falar contigo... Tinha que estar contigo mais uma vez – gaguejou a responder. Ontem todas as tentativas tinham-se revelado ineficazes, mas sabia que hoje ia ser diferente. Não tinha alternativa, aquela era a sua última oportunidade.
- Infelizmente não podemos ter a conversa de ontem – segredou-lhe ao ouvido, provocando-o mais uma vez. Ela adorava tirar-lhe do sério, principalmente nos momentos de maior tensão. – Ontem quando te despediste não disseste que me amavas, vieste cá dizê-lo foi?
- Amar-te igual a ontem? Não... Hoje amo-te ainda mais, não consigo parar de fazê-lo. A cada dia cresce mais. Portanto, não poder ver-te é uma tortura que não quero suportar. – após ter dito isso entregou-lhe um pequeno envelope com um sorriso nervoso.
Com o coração acelerado e repleto de curiosidade ela abriu a carta rapidamente. Dentro estava uma passagem para o local para onde ela ia, mas para o dia seguinte. Era um bilhete para ele. Ao ver aquilo, começou automaticamente a chorar. Contudo, aquele não era o único conteúdo do envelope. No interior estava um desenho de um anel.
- Mas que raio é isto Gi ? - perguntou-lhe confusa. Precisou de baixar o olhar para o ver. Ele estava de joelhos junto dela com um anel na mão.
- Por favor, casa comigo – pediu-lhe com a voz a tremer.

    

 [Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Perdido no aeroporto

Impossível! Não ia deixar a pessoa mais especial da sua vida partir daquela maneira. Iria lutar até ao fim, até que as suas forças acabassem. Não ia desistir tão facilmente, desta vez não. Não podia deixar sentir alguma responsabilidade por aquilo que estava a acontecer, tinha que a ver por uma última vez!
A chuva caia descontroladamente, a cada minuto a força parecia aumentar. Não se importou com isso, iniciou novamente a marcha. Desesperadamente, começou a correr o mais rápido que podia naquelas travessas semelhantes. Precisava de encontrar um táxi em algum lugar, mas as ruas estavam vazias. Só quando chegou a uma artéria principal é que conseguiu encontrar um que o pudesse levar até ao aeroporto. Aquele carro avançou pela capital numa corrida pelo amor verdadeiro. Desta vez não ia recuar. Ia dar o passo decisivo que não tinha tido coragem de dar durante meses. Sentia-se inútil por não ter sido capaz de lhe dizer tudo o que sentia, as palavras tinham ficado caprichosamente presas na garganta. Arrependia-se diariamente por aquela cobardia.
Repentinamente, acordou dos seus pensamentos quando sentiu o carro abrandar, ao olhar para a frente entrou em pânico. Não podia acreditar no azar que estava a ter! Á sua frente encontrava-se uma longa fila de carros que tornava irreal a ideia de poder chegar a tempo. Assim, não teve escolha a não ser pagar ao taxista e ir a correr até ao aeroporto. A hora estava a ficar perigosamente apertada, receava chegar demasiado tarde. O seu coração tremia quando via algum avião descolar. Podia ser ela não conseguia deixar de pensar. Completamente molhado, chegou ofegante à porta do aeroporto e dirigiu-se rapidamente ao quadro de voos. Os seus olhos percorreram rapidamente a informação e quando terminou uma lágrima caiu pela sua face.

[Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Uma corrida contra o tempo

Faltavam poucos dias para começar o verão mas inexplicavelmente chovia. Isso não o impediu de sair de casa extremamente apressado. Nem o tempo tinha pena daquele pobre coitado. O dia estava longe de correr bem, na verdade corria pessimamente. Hoje, a mulher que sempre amou ia partir para outro país. Uma viagem só de ida, sem prazo de regresso. A saudade já se tinha apoderado dele. A pessoa que mais amou ia desaparecer da sua vida, nada lhe fazia mais triste que perceber a inevitabilidade da situação. Contudo, mão podia deixar isso acontecer. Ia lutar para que aquele amor não se perdesse no caos do tempo e da distância. Não ia desistir, não se podia permitir a isso.

Correu rua fora, ainda estava a tempo de a encontrar e de demovê-la daquela decisão. Não era dado a loucuras, mas a situação era demasiado intensa para não fazer nada. O momento revelava-se problemático teria que fazer tudo para lutar por aquele amor intenso e sincero. Estava encharcado quando chegou à rua dela. Viu que estava um táxi à frente da sua casa que começou a andar segundos depois de ter virado a esquina. Tinha-a perdido para sempre? 

 [Ficção]

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