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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Páginas Folheadas (1) - As Intermitências da Morte

'Páginas Folheadas' é a nova rubrica do Um Mar de Recordações, um espaço onde vou dando algumas sugestões literárias das obras que vou lendo. Assim sendo, considero indispensável começar com um dos maiores vultos da literária nacional. As Intermitências da Morte é um livro do escritor português José Saramago publicado em 2005. O livro contem 216 páginas e foi editado pela Editorial Caminho.

“No dia seguinte ninguém morreu”, é a partir deste paradigma que começa este romance do Prémio Nobel. De repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. A Morte cansada a ser detestada pela humanidade decide suspender suas actividades, e ironicamente começa a viver. Quais podem ser as consequências dessa decisão? Estaríamos realmente preparados para acabar com esse momento depressivo do adeus?

Durante As Intermitências da Morte, somos confrontados com uma ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e, principalmente, o sentido da nossa existência. O que mais me impressiona nesta obra é o caos que provoca a vida eterna em vários sectores da sociedade. Se no principio havia um estado de euforia e de optimismo, isso termina com pessoas a atravessar o país para morrerem... Uma imagem forte que este livro permite e que levanta várias perspectivas .

Fiel ao seu estilo irónico e corrosivo, o único Prémio Nobel da língua portuguesa produz uma feroz crítica à sociedade moderna. É impressionante como mistura o bom humor e a amargura, ao tratar da vida e da condição humana. Os longos parágrafos que marcam a sua técnica narrativa única, deixam qualquer leitor atónito . No fundo, As Intermitências da Morte é um daqueles livros imperdíveis!

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O que acham desta obra? São fãs da obra de José Saramago? É possível um novo escritor de língua portuguesa ganhar um Nobel da Literatura?

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"Os Grandes Portugueses" (25) - Egas Moniz

Nome: António Caetano de Abreu Freire EGAS MONIZ

Data e Local de Nascimento: Avanca, 29 de Novembro de 1874

Data e Local da sua morte: Lisboa, 13 de Dezembro de 1955

Profissão que se notabilizou: Médico e Investigador

 

Feitos importantes:

  • Nascido no seio de uma família aristocrata rural, a dos Viscondes de Baçar, recebeu uma educação privilegiada. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, instituição onde lecciona anatomia e fisiologia. Em 1911, é transferido para a recém-criada Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa onde ocupa o lugar de professor catedrático no departamento de neurologia.
  • Contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir dar visibilidade às artérias do cérebro. As suas descobertas clínicas foram reconhecidas pelos grandes neurologistas da época, que admiravam a acuidade das suas análises e observações. A Angiografia Cerebral, que descobriu após longas experiências com raios X, tornou possível localizar neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras má-formações no cérebro humano e abriu novos caminhos para a cirurgia cerebral.
  • Em 1950 é fundado, no Hospital Júlio de Matos, o Centro de Estudos Egas Moniz, do qual é presidente. Esse Centro de Estudos é, em 1957, transferido para o serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria onde ainda existe. Nele é possível ver o Museu Egas Moniz, onde se encontra uma restituição do seu gabinete de trabalho com as peças originais e vários manuscritos.
  • Teve também um papel activo na vida política, sendo um dos fundadores do Partido Republicano Centrista. Exerceu as funções de Embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918) no breve regime de Sidónio Pais.
  • Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência (1928) e com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1945). Egas Moniz foi proposto cinco vezes (1928, 1933, 1937, 1944 e 1949) ao Prémio Nobel de Medicina ou Fisiologia e só na última vez foi galardoado com a distinção partilhando-a com o suíço Walter Rudolf Hess. A técnica desenvolvida por Egas Moniz, a operação ao cérebro denominada lobotomia, após forte controvérsia deixou de ser praticada na década de 1960.

Egas Moniz foi o maior investigador português? É justo ser dele o primeiro Prémio Nobel português?

Os Grandes Portugueses" (1) - José Saramago

Nome: JOSÉ de Sousa SARAMAGO

Data e Local de nascimento: Golegã, 16 de Novembro de 1922

Data e Local da sua morte: Lanzarote (Espanha), 18 de Junho de 2010

Profissão que se notabilizou: Escritor

 

Feitos importantes:

• De origem camponesa, trazido ainda menino para Lisboa, não pode ir além dos estudos secundários por dificuldades económicas. Assim, o seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Contudo, isso não o impede de aceder a meios politizados e intelectuais, onde se vai afirmando o seu gosto pela leitura e pela escrita. Pode-se então considerar Saramago como um autodidacta.

• Aos 25 anos, publica o seu primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970.  Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à sua morte.

• Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstoy e Baudelaire , entre outros. Mais tarde, em 1971, entra na redacção do Diário de Notícias. Como crítico literário, colaborou ainda na revista Seara Nova e no jornal Diário de Lisboa. Em Abril de 1975 é director-adjunto do DN, mas a 25 de Novembro foi demitido do jornal.

• A partir de 1976, numa situação de desemprego toma uma das mais importantes decisões da sua vida: dedicar-se exclusivamente à escrita, passando a viver, exclusivamente do seu trabalho literário. As marcas características do estilo "saramaguiano" viriam a aparecer com o Levantado do Chão (1980).

• Dois anos depois de Levantado do Chão, surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. A partir daí, Saramago publica mais de uma dezena de livros com sucesso assinalável , tendo ganhou diversas distinções com as suas obras, ao longo da sua carreira literária. Em 1998, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura dando a Portugal e à língua portuguesa a grande estreia na modalidade.

 

Romances publicados:

Terra do Pecado, 1947

Manual de Pintura e Caligrafia, 1977

Levantado do Chão, 1980

Memorial do Convento, 1982

O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984

A Jangada de Pedra, 1986

História do Cerco de Lisboa, 1989

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991

Ensaio Sobre a Cegueira, 1995 (Prémio Nobel da literatura 1998)

Todos os Nomes, 1997

A Caverna, 2000

O Homem Duplicado, 2002

Ensaio Sobre a Lucidez, 2004

As Intermitências da Morte, 2005

A Viagem do Elefante, 2008

Caim, 2009

Claraboia, 2011

 

 

 

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