Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

À procura do seu paraíso

Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.

Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.

Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…

425738-paisagem.jpg

 
 

Segue-me em:

Sapo || Facebook || Twitter || Instagram || Youtube || Bloglovin' ||

Questões inevitáveis (30) – Graffiti

Ao sairmos a rua, é difícil encontrar uma lugar impune de grafftis . Alguns chamam-lhe arte, outros vandalismo. De facto, a arte urbana está cada vez mais forte e multiplica-se por todo o lado, independente dessa actividade ser proibida por lei. A verdade é que este um debate controverso e que dificilmente conseguimos ficar alheados.
Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade, normalmente um espaço público. Podem ficar surpreendidos , mas os primeiros graffitis surgiram na antiguidade (Egipto, Grécia e Roma), altura em que já havia inscrições feitas em paredes. O crescimento mediático surgiu nos anos 60 como suporte para inscrições de carácter poético e político. Deu-se também uma proliferação de estilos estando também associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, e a variados graus de transgressão.
Dentro dos seguidores desta cultura, Jean-Michel Basquiat tornou-se um dos mais famosos, ganhando a fama de neo-expressionista com os seus trabalhos nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan. O norte-americano acabou por tornar-se um dos mais significativos artistas do final do século XX, apesar de ter morrido apenas com 27 anos. Aliás, a imagem de hoje é um dos trabalhos deste nova-iorquino.

Afinal o graffiti é uma forma de arte ou puro vandalismo? Qual acham ser a razão para o seu crescimento?

O 'Um Mar de Recordações' chegou ao bonito número de 300 seguidores no Sapo Blogs. O meu obrigado a todas as pessoas que tem apoiado este projecto ao longo dos anos. Tem sido uma viagem fantástica! Entretanto, continua a ajudar a fazer o blogue crescer em:

     

À procura do seu paraíso

Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.

Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.

Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…

[Ficção]

Alcançar o céu...

“Onde é que tinha a cabeça? Devia estar completamente louco para me meter numa destas”, pensei quando olhei lá para baixo. Já devia ter escalado mais de quinze metros e ainda só estava a meio. Fechei os olhos. Tremi e senti uma sensação estranha na barriga. Quem diria que alguma vez pudesse estar numa situação destas, nunca fui de grandes aventuras. Hoje estou a escalar uma montanha com trinta metros. Eu, a mesma pessoa que entrava em pânico com grandes alturas. Irónico, não? Quis desafiar o meu próprio medo chamem-lhe coragem ou estupidez, mas meti-me a quinze metros de distância de terra firme. “Bonito serviço, agora temos de chegar até ao fim”, quis tranquilizar-me para não entrar em pânico.

Senti o vento passar pelo meu corpo dorido. “Que sensação incrível”, pensei. Senti-me quase como um pássaro. Que liberdade! A ideia fez-me sorrir e acabei por encontrar forças nesse pensamento. Finalmente, abri os olhos com esperança e coragem redobrada. Iniciei novamente a escalada, e meti na cabeça que este é só mais um desafio. É apenas um obstáculo a ultrapassar. Não vou parar mais nenhuma vez!

Fui trepando e agarrando as pedras de uma forma algo desajeitada, mas não me importei. Apenas quis chegar ao alto da montanha, à minha meta. Mesmo com dores no corpo e algumas feridas não parei, estava na zona. Por mais descoordenado que estivesse estava efectivamente a chegar ao topo e até me encontrava bastante perto. A confiança cresceu, esqueci-me da altura, só quis continuar a sentir aquela adrenalina. Era tudo para mim naquele momento. Apesar do cansaço, continuei. Os movimentos tornaram-se mecânicos. Já não tinha medo de escorregar e rapidamente cheguei ao topo já sem folgo. Deitei-me no chão e ouvi perto onde parei uma voz provocatória: - Então, foi assim tão difícil?

[Ficção]

 

 
 

Segue-me em:

Sapo || Facebook || Twitter || Instagram || Youtube || Bloglovin' ||