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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

O inesquecível dia de São Valentim de Diogo Santos [One-shot*]

Era Dia de São Valentim e Diogo Santos preparava-se para o seu encontro. O mediático professor de Literatura da Universidade Nova tinha optado por um fato azul marinho da Giovanni Galli. Esboçou um pequeno sorriso triunfante ao olhar-se ao espelho. Reflectido nele estava um homem com traços bonitos acompanhados de uma estrutura física imponente. Sentia que estava no seu melhor, queria surpreender a sua namorada Cláudia Martins, uma ambiciosa gestora de quem estava loucamente apaixonado. Era o primeiro Dia dos Namorados que iam passar como casal daí estar empolgado com a data, queria tornar tudo inesquecível.

Antes de sair, o docente de 26 anos colocou um gravata preta, o toque final para o seu visual ficar perfeito. O relógio marcava sete e trinta quando saiu para uma Rua Castilho bastante fria. Ainda assim continuava com um enorme sorriso estampado no rosto, estava genuinamente feliz. Parou numa florista perto da sua casa para comprar as flores que tinha reservado no dia anterior. Um ramo de rosas de um vermelho bem intenso. Seguiu caminho para uma Avenida da Liberdade caótica com filas de carros por todo o lado, os seus olhos verdes mergulhavam na beleza característica daquela artéria principal da capital. Largou um esgar, tinha feito bem em deixar o seu BMW 320i na garagem. Era costume andar a pé por aquela cidade, a verdade é que muito raramente usava o carro para se deslocar em Lisboa.

Num passo acelerado, chegou rapidamente ao restaurante combinado. Quando entrou ficou surpreendido pela namorada ainda não ter chegado. Mas não deu muita importância ao assunto, era tão típico as mulheres demorarem mais algum tempo a arranjarem-se. Sentou-se na mesa do costume e poisou o ramo. No entanto, com o tempo a passar, o nervosismo começou a apoderar-se daquele carismático homem. Começou a mexer no cabelo negro num claro sinal de nervosismo. Ligou-lhe, mas ela não atendia o telemóvel. Algo de estranho se estava a passar, começou a beber o vinho do Porto que estava na mesa esperando que não fosse nada de grave.

Só uma hora depois recebeu uma mensagem. Preocupado, foi ao bolso e viu que era de Cláudia. O conteúdo era curto e directo. “Acabou.”, dizia simplesmente. Aquela pequena palavra quebrou o seu coração, não queria acreditar naquilo que estava no visor do telemóvel. Bebeu o pouco vinho que tinha no copo. Abanou freneticamente a cabeça, completamente atordoado. Não teve outra opção senão pagar a choruda bebida e ir embora. Enquanto passava pela mesa olhou desgostoso para o ramo que tinha comprado. Agarrou nele e deitou-o no lixo perto da saída. Ferido no orgulho, abandonou aquele restaurante e nunca mais lá voltou…

*One-shot inspirada no meu livro ‘A Analogia da Morte’

Imagem retirada de: http://www.cuscorestaurants.com/

 

 

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Páginas Folheadas (5) – Amor de Perdição

Um dos clássicos da literatura portuguesa é o grande destaque do 'Páginas Folheadas' deste mês. A referência é feita a Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, um romance publicado em 1862. A obra é um dos expoentes do período do Romantismo em Portugal. A obra foi alvo de várias adaptações cinematográficas, a que teve mais importância foi o filme realizado por Manoel de Oliveira em 1979.

A redacção dessa obra foi inspirada em fatos reais, vividos pelo tio de Camilo Castelo Branco, Simão António Botelho, preso por homicídio na Cadeia da Relação do Porto. O romance aborda duas famílias nobres – os Botelho e os Albuquerque – vêem o ódio mútuo ameaçado pelo amor entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque. O amor este casal improvável é contrariado pelo mundo exterior que vai levantado inúmeros obstáculos. Há uma clara batalha entre duas gerações completamente distintas. Será que o sentimento vai sobreviver ou vão ser consumidos pela perdição?

Um livro com um forte traço shakespeareano, Amor de Perdição é uma obra muito equilibrada e com um enredo forte e directo. Durante a obra, Camilo Castelo Branco escreve de forma primordial uma luta entre o amor e o ódio. Ao longo das páginas, não nos deparamos com um número excessivo de personagens, na verdade são as suficientes para que a acção se desenrole. O espaço caracterizado pelo ambiente social, numa sociedade provinciana na região da Beira Alta. É importante referir também a linguagem adequada presente ao longo da história, com um tom de ironia fortemente utilizado. 

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Já leram ou tem curiosidade de ler este livro? Tem interesse pela literatura portuguesa? Eram capazes de ir contra a vossa família por um verdadeiro amor?

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Páginas Folheadas (4) – A Volta ao Mundo em 80 Dias

Nesta edição do ‘Páginas Folheadas’, a obra que escolhi marcou bastante a minha infância. Falo da ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’, um clássico do talentoso francês Júlio Verne. Este romance de aventura foi lançado em 1873 é considerado uma das maiores obras da literatura mundial, inspirando várias adaptações ao cinema, televisão e teatro. Inicialmente apaixonei-me por esta obra através da adaptação para animação que fizeram, foi o tónico para ler o livro pouco tempo depois…

Phileas Fogg , um aristocrata inglês, faz uma aposta arrojada com os membros do seu clube em como daria a volta ao mundo em 80 dias. Parte então à aventura, acompanhado pelo seu criado - Passepartout. Do Egipto à Índia, e depois para a China, Japão, Estados Unidos (São Francisco e Nova Iorque) e de volta a Inglaterra, somos levados numa viagem através de vários continentes, em diversos meios de transporte existentes na época, numa jornada emocionante que desperta o nosso espírito de aventura e nos leva de volta à infância. Há uma boa diversidade de personagens, pessoalmente a que se destaca mais é o divertido Passepartout. É o típico cómico do grupo, mas revela-se um membro absolutamente fundamental! 

A cada página desfolhada a curiosidade cresce para saber o que vai acontecer a seguir. Afinal quem não gostava de partir numa aventura destas? Muitas vezes imaginei entrar naquele enorme desafio, é daqueles momentos inesquecíveis que iam ficar marcados para sempre. É fácil começar a sonhar até porque as descrições de Júlio Verne são absolutamente fantásticas, é como se estivéssemos com as personagens a viver os seus problemas e obstáculos do pequeno grupo. Numa escrita simples e precisa, fazem de ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’ um livro fácil de ler e interpretar. A verdadeira mensagem que o livro nos deixa é que independente das dificuldades devemos sempre lutar por aquilo que acreditamos. O importante mesmo é nunca desistir e continuar a lutar para conquistar o sucesso final.

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Gostam da Volta Mundo em 80 Dias? Eram capaz de partir num desafio deste tipo? Qual era o sítio que tinham mesmo que visitar?

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Páginas Folheadas (1) - As Intermitências da Morte

'Páginas Folheadas' é a nova rubrica do Um Mar de Recordações, um espaço onde vou dando algumas sugestões literárias das obras que vou lendo. Assim sendo, considero indispensável começar com um dos maiores vultos da literária nacional. As Intermitências da Morte é um livro do escritor português José Saramago publicado em 2005. O livro contem 216 páginas e foi editado pela Editorial Caminho.

“No dia seguinte ninguém morreu”, é a partir deste paradigma que começa este romance do Prémio Nobel. De repente, num certo país, as pessoas simplesmente param de morrer. A Morte cansada a ser detestada pela humanidade decide suspender suas actividades, e ironicamente começa a viver. Quais podem ser as consequências dessa decisão? Estaríamos realmente preparados para acabar com esse momento depressivo do adeus?

Durante As Intermitências da Morte, somos confrontados com uma ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor, e, principalmente, o sentido da nossa existência. O que mais me impressiona nesta obra é o caos que provoca a vida eterna em vários sectores da sociedade. Se no principio havia um estado de euforia e de optimismo, isso termina com pessoas a atravessar o país para morrerem... Uma imagem forte que este livro permite e que levanta várias perspectivas .

Fiel ao seu estilo irónico e corrosivo, o único Prémio Nobel da língua portuguesa produz uma feroz crítica à sociedade moderna. É impressionante como mistura o bom humor e a amargura, ao tratar da vida e da condição humana. Os longos parágrafos que marcam a sua técnica narrativa única, deixam qualquer leitor atónito . No fundo, As Intermitências da Morte é um daqueles livros imperdíveis!

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O que acham desta obra? São fãs da obra de José Saramago? É possível um novo escritor de língua portuguesa ganhar um Nobel da Literatura?

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