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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Cabeçada de ouro derruba muralha sueca

O capitão Cristiano Ronaldo marcou o golo que colocou Portugal mais próximo do Brasil. A cabeçada do craque português valeu uma preciosa vantagem frente à Suécia, em jogo a contar para a primeira mão do play-off de qualificação do Mundial que se realiza no próximo ano.

O minuto 83 foi mágico para Portugal, momento do único golo da partida que colocou um estádio da Luz esgotado num turbilhão de emoções. Miguel Veloso, pela esquerda, faz um cruzamento milimétrico que Ronaldo aproveitou. O avançado português antecipa-se a Olsson e de cabeça bateu o guardião Isaksson. Um golo merecido para a estrela lusa que se exibiu em grande plano na segunda parte, mostrando o seu grande momento de forma. Uma cabeçada vitoriosa que coloca a Bola de Ouro mais próxima…

Paulo Bento apostou nos jogadores habituais, o mesmo conjunto que chegou às meias-finais do Europeu de 2012. A equipa nacional desde logo mostrou entrosamento e teve as primeiras iniciativas de jogo. Aos quatro minutos, João Moutinho esteve muito perto do golo quando ultrapassou o guardião Isaksson e atirou ao lado. Os nórdicos utilizaram uma postura mais defensiva, aproveitando os contra-ataques para colocar em perigo a baliza defendida por Rui Patrício. O guardião português esteve em destaque, aos vinte minutos, ao protagonizar uma excelente parada a um remate de Larsson. Mas essas iniciativas de ataque dos nórdicos foram uma raridade numa equipa que apenas quis conservar o nulo e perder tempo sempre que podia.

A primeira parte terminou com um grande equilíbrio entre os dois conjuntos, algo que não se viria a verificar no segundo período. Portugal entrou a mandar no jogo e criou várias oportunidades. Aos 50 minutos, os suecos viveram calafrios numa grande confusão na sua pequena área. Pepe, Postiga e Ronaldo tentaram, mas nenhum conseguiu visar a baliza de Isaksson. A verdade é que a Suécia manteve-se consistente, num bloco solidário, onde raramente houve buracos para os portugueses aproveitarem. Só que no primeiro deslize defensivo, estava lá o capitão da selecção nacional que não perdoou. O golo veio instabilizar a defensiva dos suecos. No lance seguinte, Ronaldo cabeceia à barra e quase conseguiu marcar novamente. Os últimos minutos foram mesmo de enorme sufoco para a equipa comandada pelo técnico Erik Hamrén.

A escassa vantagem é justa para a exibição portuguesa, que apenas peca por ser curta. O segundo tempo foi de claro domínio da equipa das quinas que soube gerir bem o jogo. Realce ainda para o jogo desinspirado de Ibrahimovic, que esteve muito longe do seu nível, uma situação que veio premiar a assertividade da defesa lusa com Bruno Alves em grande destaque. Este resultado faz com que o conjunto português fique um pouco mais perto do Mundial, mas ainda terá de jogar na terça-feira uma segunda mão difícil em Estocolmo.

O árbitro italiano Nicola Rizzoli protagonizou um bom trabalho, ajuizando os lances de forma correcta e usando um critério alargado. Apenas ficou por mostrar um cartão amarelo ao guardião sueco que desde o início teve como tarefa primordial perder tempo. Nota final para o ambiente incrível vivido no estádio da Luz. Com o recinto cheio, os portugueses marcaram presença no apoio à equipa nacional, puxando pelos jogadores desde do primeiro minuto nesta noite gelada em Lisboa. Ronaldo agradeceu a presença da única forma que ele sabe: a marcar!

A vantagem é suficiente para um jogo tranquilo em Estocolmo? Portugal mostrou que era mais forte que a Suécia? Ronaldo provou que é neste momento o melhor jogador do mundo?

Penalidades arrasam com o sonho português

Naquele que foi o melhor encontro do Euro 2012 até agora, Espanha qualificou-se para a final de Kiev, após eliminar Portugal nas grandes penalidades. Um belíssimo duelo ibérico, num encontro de grandes emoções e de enorme talento e onda a Espanha teve a estrela de campeã. Faltou sorte à equipa lusa no momento da verdade!

Pela primeira vez na competição, Paulo Bento foi obrigado a alterar o onze inicial, devido à lesão de Hélder Postiga . O avançado Hugo Almeida foi o escolhido para o substituir. Já a Espanha apareceu com uma surpresa no seu onze, a presença do avançado Negredo . Os dois jogadores protagonizaram exibições apagadas e mostraram que não deveriam ter merecido a confiança dos dois técnicos para esta partida.

Num encontro bem disputado na Donbass Arena em Donetsk (Ucrânia), Portugal esteve por cima na primeira parte. Teve mais oportunidades, trocou melhor a bola e não teve medo de assumir o jogo. Portugal soube lidar muito bem com o estilo de jogo espanhol, anulando-o. Honra seja feita, poucas selecções podem dizer que conseguem anular o tiki-taka espanhol e a equipa das quinas tem esse (enorme) mérito. Mas para conseguir isso teve de correr e muito, algo que se viria a revelar perigoso com a passagem dos minutos.

O início da segunda parte começou quase com a substituição espanhola, saída do apagado Negredo para Fábregas entrar. Bela decisão de Vicente del Bosque que fez com que o jogo muda-se por completo. O médio do Barcelona foi o grande responsável pelo maior domínio espanhol no segundo tempo. A sua entrada teve o dom de dar mais organização no miolo espanhol que assumiu as despesas do jogo. Apesar disso, verdade seja dita que a ‘roja’ não criou uma oportunidade de perigo iminente. No entanto, a grande oportunidade de golo durante os noventa minutos foi de Cristiano Ronaldo. Nos últimos momentos do tempo regulamentar, grande contra-ataque português, com Meireles a deixar para o extremo luso, que entra pela esquerda e remata ao lado da baliza de Iker Casillas .

Apesar das poucas oportunidades, o encontro foi uma enorme batalha entre duas grandes selecções. Bem disputada e com muitas movimentações. Sem golos, o grande protagonista foi o gigante João Moutinho com uma partida de luxo. Todos os elogios são poucos, para este pequeno grande génio. É preciso dar grande mérito à selecção das quinas que fez com que a campeã europeia e mundial tivesse que mudar por duas vezes a sua táctica . Demonstração inegável de que Portugal foi uma equipa dificílima de bater.

Já no prolongamento, a equipa lusa tem muito a agradecer ao Rui Patrício que fez duas enormes defesas, aos 103 e aos 111 minutos. Totalmente decisivo o guardião luso. A armada espanhola realizou trinta minutos de grande nível e demonstraram ter uma maior frescura física Paulo Bento demorou muito tempo a fazer as substituições , a selecção nacional quebrou fisicamente muito devido a isso. Um erro fatal do seleccionador nacional! A equipa portuguesa teve de defender mais e revelou-se uma equipa com grande entre-ajuda . Fizeram jus ao lema “11 por todos e todos por 11”.

Apesar de Rui Patrício ter defendido a primeira grande penalidade, Portugal falhou no momento decisivo. Faltou-lhe alguma sorte, diga-se. A marcação irrepreensível de Sérgio Ramos foi decisiva e colocou a Espanha em claro ascendente psicológico Muito sangue frio e classe do defesa do Real Madrid. Bruno Alves, que pareceu extremamente nervoso, rematou à barra da baliza espanhola e permitiu a que Fábregas marcasse… depois da bola ter batido no poste. Estrelinha da sorte para a ‘roja’ na lotaria das grandes penalidades… Desta forma, na final a Espanha irá enfrentar o vencedor do duelo de hoje entre a Alemanha e a Itália.

No capitulo disciplinar, o arbitro turco Cuneyt Çakir foi claramente tendencioso. Muitas decisões deixaram muito a desejar com demasiadas escolhas a penderem para as aspirações espanholas. Nada estranho nisso, aliás já se esperava esse tipo de habilidades… Mas é justo dizer que não foi por ele que Portugal não ganhou este encontro!

Portugal saí do Euro 2012 de cabeça levantada, uma vez que protagonizou uma prova muito acima das expectativas. Pouca gente acreditava que fosse possível chegar tão longe e a equipa nacional provou que tinha capacidade, talento e ambição para chegar às quatro melhores equipas da Europa. Enorme trabalho de todos elementos da comitiva portuguesa.