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Um Mar de Recordações

Num passado de indefinições, um presente intermitente em que um futuro ambicioso se avizinha

Um Mar de Recordações

(Sobre)viver

Vives constantemente na hipocrisia das palavras, esse tornou-se o teu novo mundo. Simulas uma felicidade estéril que nem a ti próprio enganas, com isso continuas afastado daquilo que te faz sentir bem. Por momentos, deixas de ser tu próprio pois aquilo que te define é cada vez mais turvo e confuso. No fundo, estás preso numa jaula onde não te exprimes, em que és uma parca imagem de ti próprio. Por mais que te revoltes, continuas numa espiral negativa que parece não ter solução à vista. 
Contas as horas para que de alguma forma os ponteiros passem mais depressa, num desejo absoluto de conseguir aquilo que mais ambicionas. "Isto não é viver, não passa de sobreviver", desabafas em voz alta. Chegas a casa esgotado, sem força para os objectivos que tinhas para aquela noite. Aquele sonho que tens atrasado sucessivamente. 
Olhas incessantemente para uma página em branco que te provoca diariamente, mas que te desafia a passares à acção. "Chega, passou tempo de mais!", gritas cheio de revolta. A tinta da tua caneta continua por usar, mas hoje é o momento de voltar a fazê-lo. Começas a escrever e, passado tanto tempo, voltas a sorrir verdadeiramente. 

 

 
 

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A amar-te desde 2010

Uma vez escrevi que o amor não tem datas, é um sentimento que ultrapassa essas banalidades. O amor é para ser vivido e preservado diariamente de uma forma tão única e intensa. É algo tão singular, não se procura, pois simplesmente aparece de forma arrebatadora inesperada. Assim foi em 2010 e continua a sê-lo hoje. É impressionante como o tempo correu num suspiro, sinal de que foi vivido a cem por cento como sempre deve ser. Sinto que este ano vai ser rico de bons momentos, ter o teu apoio e companhia constante torna os dias ainda mais inesquecíveis. Não há formulas mágicas, não há segredos, nem há atalhos. Existe apenas um sentimento sincero e genuíno que todos os dias me faz apaixonar pela mesma mulher. Que me faz apaixonar por ti meu amor. 

 

 
 

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Recordação...

Hoje não passas de uma memória, de uma simples e bela recordação. Hoje és o passado que já foi o meu futuro. Consigo ver-te nesta espiral de recordações, neste longo mar de recordações. Sempre foste a pessoa que mais amei que mais me tocou, mas hoje choro por ti! Chove e tu não podes fazer nada. Sempre foste tão forte e agora nem consegues abrigar-te da chuva! Nunca pensei ver-te assim, caiem-me lágrimas de olhar e não poder ver-te, a partir de agora és apenas e só uma pedra. Uma pedra com escrituras… Merecias mais amor, merecias muito mais… Porquê é que teve que ser assim? Fomos separados sem desejá-lo, numa volúpia arrasadora e letal. Mas hoje o dia ainda é nosso, por hoje seremos mais uma vez só nós dois, amanhã apenas restarei eu, sozinho, perdido num mundo que já não conheço e que dizia a sorrir que era nosso.

[Ficção]

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Meras palavras...

Palavras, meras palavras. Para mim, um autêntico vício que não consigo largar, que está preso a mim. No fundo, fazem parte de mim de uma maneira especial e autêntica. Escrevo porque preciso, pois tenho essa necessidade constante em mim. Vivo intensa e incansavelmente nesse transe marcado pela crença de encontrar a palavra certa. Com o desejo infinito de escrevê-la com a alma. Num paradoxo entre a verdade e o sentimento. Não desisto de encontrar essa sensação, persisto nessa busca incansável. Preciso de sentir isso! Desafio-me constantemente a melhorar, a acrescentar mais. Não me deixo limitar por nada, escrevo sem tabus, pois procuro o máximo sentido. Sem vacilar, continuo a lutar para essa intensa descoberta. E sem notar deixo-me consumir pelas palavras, num labirinto confuso de sentidos. Mantenho-me a viver numa constante insatisfação, não me conformo de maneira nenhuma, pois o amanhã abre sempre a possibilidade de um novo desafio. Uma oportunidade para encontrar uma nova forma de melhorar e progredir. Assim vivo, assim sou (realmente) feliz...

 

 
 

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Perdi-me...

Deixei tudo o que conhecia de uma forma abrupta, atirei-me ao desconhecido sem qualquer tipo de arrempendimento. Contudo, acabei perdido numa vida que não era a minha, em ideias que não eram as minhas. Sozinho à procura de forças para dar o próximo passo... Permaneci assim mascarado num ténue disfarce que nem a mim próprio consegui enganar. Não fui mais que uma versão pequena de mim mesmo, sem conseguir me expressar, sem conseguir brilhar. Não consegui ser eu e perdi-me. Sem saida, falhei redondamente. Perdi o controlo, fiquei sem chão e sem saber o que fazer. Resta um sabor amargo na minha boca que presiste e não desaparece. Agora restam apenas as recordações, meras memórias de uma derrota humilhante e decepcionante. Não há mais nada a fazer. É tempo agora de sarar as feridas, levantar a cabeça e acreditar que o futuro será melhor. O objectivo agora é voltar a descobrir-me, desafiar-me e nunca mais me deixar perder...

[Ficção]

 

 
 

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Perdição...

- Está uma noite amena amor – afirmei, sem esconder um sorriso provocador.

- Sim, sabe tão bem ter saído para poder estar aqui – respondeste, fingindo não perceber a mensagem, mas os teus olhos mostravam o contrário. Adoras provocar-me.

Saímos do meu carro, deste-me a mão e começamos a caminhar. Apesar de ser Outono, a noite estava inexplicavelmente quente e muito convidativa. Nada podia ser mais perfeito, parece que tudo se tinha enquadrado para correr bem. 

Enquanto andávamos não resisti a devorar-te com os olhos. O teu corpo é uma perdição. Uma eterna volúpia para todos os meus sentidos. Não me contive, abracei-te de forma calorosa. És e serás o meu abrigo! Durante o abraço, passei as mãos pelo teu corpo doce e perfeito e delicio-me com a tua pele. Senti que hoje não ia haver nada que pudesse parar aquele momento.

Os nossos olhos cruzaram-se e era possível ver a chama da nossa paixão a aumentar. Sorriste-me daquela forma especial que apenas fazes para mim. Chegaste perto do meu ouvido e num sussurro provocador pediste-me:

- Beija-me, por favor.

Segundos depois e os nossos lábios tocavam-se apaixonadamente. Não me canso de beijar-te. Adoro saborear-te! O teu toque deixa-me louco, as tuas carícias dão cabo de mim, fazem com o meu desejo por ti cresça ainda mais. Torna-se impossível resistir aos teus encantos. És tudo aquilo que sonhei!

Estava um silêncio acolhedor e a única coisa que se via eram árvores. Mas tudo isso deixou de ter significado, aquilo que importava eram os nossos beijos e carícias intermináveis. Eu e tu estávamos sozinhos e famintos de desejo. Aquela seria a nossa noite, um momento especial. Reconheço que não me canso destas nossos momentos de paixão que parecem eternas. São inigualáveis, meu amor!

É uma loucura a forma como me fazes feliz seja com uma palavra ou com um gesto. É mesmo assim o amor. Feito de simplicidades, mas que em conjunto fazem todo o sentido. A cada momento que passava os nossos corpos ficavam cada vez mais quentes, o desejo aumentava descontroladamente, mas tu não desistias de me provocar só mais um pouco.

- Amor, não aguento mais com essas provocações, vais ter que sofrer as consequências – disse com uma respiração ofegante, enquanto crescia um sorriso provocador nos meus lábios.

Coloquei-te cuidadosamente contra a árvore mais próxima, a noite tinha verdadeiramente começado agora…

[Ficção]

 
 

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Acordar com um sorriso na cara

É meia-noite. Deito-me na cama exausto por um dia trabalho de uma intensidade exasperante. Estou de rastos, apenas quero descansar. Fecho os olhos e rapidamente adormeço. Contudo e contra as minhas expectativas, a noite esteve longe de ser calma. Passo a maior parte do tempo a mexer-me, atormentado com os problemas diários. Na verdade, esta noite acabou por ser tão dura como o dia…

Estava em vésperas de um grande negócio na empresa, algo que seria fundamental para o bem-estar e futuro de todos. Tinha ficado com a grande responsabilidade de fechar o negócio com as melhores condições possíveis. No dia seguinte teria uma reunião essencial para a concretização desse objectivo. Sentia uma pressão imensa, uma tortura silenciosa que estava longe de dar o descanso que necessitava.

Trim-trim. Acordei sobressaltado com o barulho estridente do despertador. Desliguei-o o mais rápido que consegui, amaldiçoando a falta de descaso dos últimos dias. Suspirei, mais um dia. Senti um movimento do outro lado da cama, a minha mulher tentava aproveitar os últimos momentos de serenidade. A cara tranquila dela fez-me esboçar um sorriso. Não havia melhor razão do que aquela para lutar por uma vida melhor. Saí e fui preparar-me com um humor revigorado. Aquele ia ser um dia fantástico, tinha a certeza disso…

 

 

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