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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Solidão de artista

Estava a tornar-se a cada dia que passava um musico mais conhecido e reputado. Cantava apaixonadamente as letras mais bonitas de amor.  Fazia-o com tal intensidade que pareciam ser as suas histórias que contava. Levava a crer que vivia um amor intenso e genuíno quando no fundo não era verdade. As poucas relações que tivera revelavam-se um autentico fiasco, o amor não lhe tinha dado mais para além de desilusão e frustração.

Era bem parecido, possuía um charme natural e traços de um requinte distinto que deliciava as suas fãs completamente encantadas. Recebia todos os dias cartas de amor, mas sabia que aquele não era um sentimento verdadeiro. As pessoas apenas idealizavam aquilo que desejavam, não o conheciam realmente. Pensavam que era perfeito, mas ele sabia que era repleto de defeitos e imperfeições. Sabia que isso era difícil de gerir, por isso nunca levava a sério aquelas declarações. Permanecia só com a sua voz melodiosa cantando as histórias de amor dos outros…

                                               [Ficção]

 

 

 
 

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Aversão à imprevisibilidade

Admito que gosto de saber o que vem a seguir, nunca lidei bem com a imprevisibilidade. Na verdade, é algo que não consigo suportar, até porque nunca me importei em ter uma vida chata, previsível e estrategicamente organizada… Isso acontece porque sempre gostei de controlar tudo o que se passava à minha volta. Talvez seja somente eu a ficar velho, mas eu anseio pela previsibilidade. No entanto, a minha vida mantém-se imprevisível , deve ser por isso que nunca lidei bem com ela. Todos acabamos por querer sossego e paz, mas o mundo vive numa constante loucura diária que não nos deixa chegar a esse desejo. Nessas alturas sinto uma uma instabilidade enorme. Qual o passo devo dar? Não sei como reagir, é algo intolerável que me causa uma ansiedade enorme. Não há maior prisão do que a imprevisibilidade. Sim, sinto uma aversão total a ela! Ainda assim não consigo deixar de viver nela…

 

[Ficção]

 
 

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Paralisado de medo

Impotente permanecia naquele corredor sombrio da escola, encontrava-se num estado lastimoso. O jovem de 16 anos era o único nas proximidades. Permanecia ali sentado completamente despedaçado e derrotado. Choramingava desesperado. Estava com os olhos fechados ainda com receio do que poderia acontecer. A sua respiração continuava ofegante. Angustiado, tremia de medo. Tinha voltado a acontecer, as lembranças ainda o atormentavam. Há poucos minutos fora espancado por aquele grupo impiedoso de alunos mais velhos. Fizera-lhes frente, mas o resultado foi mais um sem número de nódoas negras, além de ficar sem o pouco dinheiro que tinha na sua carteira gasta… Ao longe ouvia os risos e brincadeiras de outras crianças no pátio, mas ele não desejava rir nem divertir-se. Esquecera-se dos bons momentos, vivia paralisado de medo. Bloqueado e sem rumo. Estava encolhido com a cara junto as pernas para tentar esconder o estado em que a sua cara se encontrava. Envergonhado, não sabia como fugir aquele constante problema. Ao longe, começou a ouvir passos apressados, começou a tremer violentamente. Ficou em pânico, receava uma segunda ronda de pancadaria. Fechou os olhos com ainda mais força quando sentiu que alguém estava cada vez mais próximo. “Não, não, não”, murmurou. Sentiu que um corpo estava à sua frente. Ia começar tudo outra vez, a aproximação era iminente. Contudo, nada do que previa aconteceu. Uma mão passou pelo seu cabelo carinhosamente. “Tem calma, tudo vai ficar bem”, ouviu uma voz rouca de uma mulher dizer.

Imagem retirada de: http://abismoinfinito.wordpress.com

 

 

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Um confronto inesperado

Ao fim da tarde chegou do trabalho completamente estoirado. As dores de costas estavam cada vez mais insuportáveis. Fez um esgar de dor quando entrou em casa. Mas deixou-se de lamentar quando reparou que não estava sozinho em casa. O homem ficou alarmado com essa situação pensado que um ladrão tivesse conseguido entrar na sua moradia. Movimentou-se o mais silenciosamente possível até ao seu quarto, o foco do barulho provinha dali. Ficou estupefacto quando se deparou com a mulher que o tinha abandonado há três meses. Não esperava voltar a vê-la naquela casa. Permaneceu ali junto à porta, paralisado, ouvindo-a soluçar de forma descontrolada. Sem notar a sua presença, permanecia sentada junto à cama e olhava fixamente para o anel que tinha deixado na mesa de cabeceira. O homem fez um sorriso condescendente ao ver aquela cena…

Poucos momentos depois, ela reparou na sua chegada. Numa primeira instância pareceu alarmada. Tentou secar as lágrimas e só depois virou a cabeça para o enfrentar. Revelou uns olhos tristes e vermelhos. Baixou a cabeça instantaneamente, envergonhada por ter sido apanhada naquele momento fragilizado. Estava com um péssimo estado parecia um caco.  “Desculpa ter sido uma cobarde”, murmurou em voz baixa. Não conseguia olhar-lhe nos olhos. Tinha saído daquela casa sem uma justificação, desistiu intempestivamente daquela relação por estar farta da rotina e das discussões constantes. Não foi preciso muito tempo para estar arrependida da asneira que tinha cometido. Agora sentada naquele quarto, apenas queria regressar ao passado e corrigir o passado.

Levantou a cabeça e pela primeira vez trocaram um olhar, de uma intensidade enorme. A forma ternurenta com que ele a olhava, fez com que voltassem a cair novas lágrimas. Nenhum dos dois sabia dizer naquele momento desconfortável. Nenhuma palavra parecia adequada, permaneceram naquele silêncio doloroso. Isso conseguia expressar mil frases, todas as palavras. Num acto intempestivo, aquele homem amargurado deu-lhe um longo abraço. Permaneceram assim durante vários minutos. Depois daquela fugaz separação, aquele casal soube transformar fraquezas e tristezas em forças. No fundo tudo aquilo fortaleceu e amadureceu a relação. Depois disso, nunca mais se conseguiram separar. 

[Ficção]

Visão do homem || Visão da mulher

 Imagem retirada de: http://pegueiobuque.com.br/

 

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Remorsos de uma atitude intempestiva

Largou um longo e arrasador suspiro. Encontrava-se diante daquele antigo espelho há alguns minutos sem se conseguir mover, parecia estar a querer ganhar força para dar o passo seguinte. Várias lágrimas caíam-lhe de uma face lastimável pelas poucas horas de sono do dia anterior. Não podia voltar a acobardar-se, tinha adiado aquilo demasiadas vezes. Decidira finalmente buscar os seus pertences à casa que tinha abandonado há três meses. Desaparecera sem dar qualquer explicação à pessoa que mais amou na vida. Lembrava-se de todos os traços daquele homem, contudo essa recordação parecia agora uma vã memória de uma outra vida…

Um sorriso amarelo nasceu nos lábios carnudos. Por diversas vezes tinha tentado ir àquela casa, mas acabava sempre por desistir. A verdade é que receava que as recordações fossem demasiado dolorosas. Diariamente arrependia-se da sua atitude intempestiva, contudo sabia que isso agora era tarde demais. Não podia voltar atrás, seria injusto fazê-lo. Engoliu em seco, estava completamente perdida. Pensara que fugir dos problemas era aquilo que precisava, mas rapidamente entendeu que cometera um erro crasso. Destruíra a pessoa que a amava incondicionalmente por um gesto infantil e irreflectido. Abanou a cabeça. “Chega! Não posso adiar mais isto…”, murmurou, enquanto abandonava aquele quarto barato que tinha alugado. Foi em frente sem olhar para trás, precisava de manter aquela pequena réstia de coragem viva para seguir em frente.

Minutos depois estava à porta daquela casa repleta de memórias de dias bons e maus daquela forte relação. Sentia-se uma autêntica cobarde por estar a fazer aquilo nas suas costas. Voltou a abanar a cabeça. Abriu a porta sem conseguir conter um suspiro nervoso, repleto de remorso. Precisou de muita força para entrar no quarto para ir buscar a roupa. Não conseguiu resistir percorrer aquela divisão com um olhar melancólico. As suas fotos ainda ali estavam. Tudo parecia igual, nada parecia ter mudado desde a sua ausência. Apenas uma coisa estava diferente. Mordeu o lábio quando viu a mesa de cabeceira com o anel de casamento. “Não!”, gemeu. As lágrimas voltavam a cair sucessivamente, instantaneamente perdeu as forças e as suas pernas cederam. Permaneceu assim de joelhos, junto à cama onde tinha partilhado tantas momentos…

[Ficção]

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