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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Toque do destino

O tempo arrefece rapidamente. O dia está estupidamente cinzento, a chuva aproxima-se. É melhor despachar-me, penso instantaneamente. Não posso chegar atrasado. Não podemos fugir do destino. A ideia provoca-me um sorriso irónico, seguida de um longo suspiro. Não há mesmo forma de evitá-lo... Nunca acreditei nestas tolices, mas agora tenho que me render às evidências. Curioso, como as coisas mudam por um mero acontecimento.

No início do dia, percorria caminhos ríspidos repletos de pessoas ruidosas e apressadas. Fazia-o despreocupadamente. Ninguém dava conta da minha presença, não passava de um fantasma nas ruas. Pensava que tudo isso iria acabar. Esse pensamento era a única razão que me fazia continuar a mover. A morte. Dolorosa, intensa e inevitável. Reconheço que pensava que ia acabar com tudo de uma vez por todas, sem qualquer tipo de dramatismo. Um simples tiro e tudo isto acabava.

A arma estava no bolso do casaco pronta para ser disparada. Dirigia-me a um campo próximo da minha casa. Nunca fui de grandes planos. Não estava à procura de uma morte majestosa , não! Queria apenas algo rápido e derradeiro. Um final seco, numa vida desapontante. A verdade é que deixei-me consumir pelo meu próprio ego e perdi tudo o que tinha. Fiquei sem trabalho, dinheiro e família e acabei sozinho nas terríveis malhas da solidão...

Admito que nestes momentos sombrios pensei que nada mais havia para lutar. Perdi o medo das consequências, talvez tenha sido presunçoso da minha parte… Mas nada me prendia aqui, resta-me acabar com tudo. Quando cheguei finalmente ao local, apontei a arma à minha boca. Queria terminar com tudo o mais rápido possível. A pistola estava brilhante, novinha em folha. Tinha sido comprada única e exclusivamente para aquele objectivo. Fechei os olhos.

Passaram várias fases da minha vida pela minha cabeça, enquanto estive com os olhos fechados. Como se tivesse a ver um álbum de fotografias que esperava pela última imagem – a minha morte. Comecei a puxar o gatilho da arma. Enfim, a liberdade. Hoje. AGORA, gritei. Triiiim . O som do telemóvel fez-me perder a força da mão e larguei a arma desengonçadamente. A pistola fica esquecida no meio da relva esverdeada. Tinha recebido uma mensagem, um toque do destino. Comecei a lê-la e deixei-me cair de joelhos com lágrimas a correrem-me descontroladamente pela face. “Tenho saudades tuas, pai. Onde estás?”, podia ler-se na mensagem.

[Ficção]

 

 
 

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Ao som de... (21) [Nirvana – Smells Like Teen Spirit]

Após os Pearl Jam, o grunge está de volta ao blogue com os imparáveis Nirvana, naquela que também é uma homenagem ao talentoso Kurt Cobain. Apesar da banda só ter tido sete anos de existência (1987-1994), o grupo norte-americano deixou um forte legado. Tornaram-se os ídolos de uma geração e ainda continuam a ser forte influência na música actual. Assim, não espanta que desde da sua estreia a banda de Aberdeen (Washington) já vendeu mais de 75 milhões de álbuns em todo o mundo, dando a conhecer uma nova sonoridade musical.

A banda de rock formada pelo vocalista e guitarrista Kurt Cobain e pelo baixista Krist Novoselic teve vários bateristas, mas o que mais tempo ficou foi Dave Grohl (actualmente nos Foo Fighters), que entrou em 1990 e permaneceu até ao fim dos Nirvana. O grupo deu os primeiros passos no final da década de 1980 e estabeleceu-se como parte da cena grunge de Seatle . Apesar de só terem três álbuns de estúdio (Bleach, Nevermid e In Utero), os Nirvana contribuíram de que maneira para o crescimento do rock alternativo. Sem o desejaram tornaram-se a voz de uma geração. Uma ligação que terminou abruptamente com o suicídio de Kurt Cobain em 1994 que viria a provocar o fim da banda norte-americana. Desde então vários lançamentos póstumos têm sido emitidos da banda, que já resultou em um conflito jurídico entre a viúva de Cobain, Courtney Love, e os membros sobreviventes da banda.

No panorama musical, os Nirvana utilizavam mudanças dinâmicas que passavam de calmas para barulhentas. Essencialmente, a música baseava-se nesses contrastes dinâmicos e refrões pesados. Um bom exemplo disso é a música que escolhi – o Smells Like Teen Spirit, o primeiro grande sucesso da banda integrado no álbum Nevermind (1991). A canção usa o formato verso-refrão, e o riff principal é usado durante a introdução e refrão para criar uma dinâmica de alternância entre as secções de maior e menor violência sonora.

Esta música é muitas vezes considerada como o momento em que o rock alternativo ganhou visibilidade, chegando mesmo a figurar no sexto lugar do Billboard Hot 100. De facto, a canção tornou-se um sucesso comercial e recebeu uma forte aclamação da crítica. Este sucesso inesperado criou um desconforto no seio de banda principalmente em Kurt Cobain. Assim, um êxito estrondoso que viria a ser os primeiros passos para o fatal destino do líder do grupo.

 


Smells Like Teen Spirit é a melhor música rock de todos os tempos? Qual é a vossa música preferida dos Nirvana? Até onde os Nirvana podiam chegar se não tivessem terminado tão cedo?

Toque do destino

O tempo arrefece rapidamente. O dia está estupidamente cinzento, a chuva aproxima-se. É melhor despachar-me, penso instantaneamente. Não posso chegar atrasado. Não podemos fugir do destino. A ideia provoca-me um sorriso irónico, seguida de um longo suspiro. Não há mesmo forma de evitá-lo... Nunca acreditei nestas tolices, mas agora tenho que me render às evidências. Curioso, como as coisas mudam por um mero acontecimento.

No início do dia, percorria caminhos ríspidos repletos de pessoas ruidosas e apressadas. Fazia-o despreocupadamente. Ninguém dava conta da minha presença, não passava de um fantasma nas ruas. Pensava que tudo isso iria acabar. Esse pensamento era a única razão que me fazia continuar a mover. A morte. Dolorosa, intensa e inevitável. Reconheço que pensava que ia acabar com tudo de uma vez por todas, sem qualquer tipo de dramatismo. Um simples tiro e tudo isto acabava.

A arma estava no bolso do casaco pronta para ser disparada. Dirigia-me a um campo próximo da minha casa. Nunca fui de grandes planos. Não estava à procura de uma morte majestosa , não! Queria apenas algo rápido e derradeiro. Um final seco, numa vida desapontante. A verdade é que deixei-me consumir pelo meu próprio ego e perdi tudo o que tinha. Fiquei sem trabalho, dinheiro e família e acabei sozinho nas terríveis malhas da solidão...

Admito que nestes momentos sombrios pensei que nada mais havia para lutar. Perdi o medo das consequências, talvez tenha sido presunçoso da minha parte… Mas nada me prendia aqui, resta-me acabar com tudo. Quando cheguei finalmente ao local, apontei a arma à minha boca. Queria terminar com tudo o mais rápido possível. A pistola estava brilhante, novinha em folha. Tinha sido comprada única e exclusivamente para aquele objectivo. Fechei os olhos.

Passaram várias fases da minha vida pela minha cabeça, enquanto estive com os olhos fechados. Como se tivesse a ver um álbum de fotografias que esperava pela última imagem – a minha morte. Comecei a puxar o gatilho da arma. Enfim, a liberdade. Hoje. AGORA, gritei. Triiiim . O som do telemóvel fez-me perder a força da mão e larguei a arma desengonçadamente. A pistola fica esquecida no meio da relva esverdeada. Tinha recebido uma mensagem, um toque do destino. Comecei a lê-la e deixei-me cair de joelhos com lágrimas a correrem-me descontroladamente pela face. “Tenho saudades tuas, pai. Onde estás?”, podia ler-se na mensagem.

 

[Ficção]