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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Quando o destino arrasa com toda a rotina

Jorge Marcelino percorria vagarosamente as ruas de Coimbra, conhecia aqueles locais de cor. O sol já estava a pôr-se , não era normal ainda não ter chegado a casa. Naquele dia tinha-se atrasado um pouco, devido a um imprevisto no trabalho. Suspirou fundo, cansado por aquele dia extenuante. Assim que entrou, ouviu a sua mulher – Dolores Marcelino – a acabar de pôr a mesa.

Dirigiu-se à cozinha e deu um beijo rápido à mulher com quem estava casado há mais de 30 anos. Sentou-se na cadeira. Estava a ser cada vez mais difícil aguentar aquele ritmo frenético , a idade estava a começar a fazer estragos. Enquanto comiam trocavam parcas palavras, o televisor fazia de banda sonora daquela refeição. Estava a passar o noticiário na TVI, o canal que acompanhava todos os jantares há vários anos. Naquele momento tinha sido interrompida a emissão para o sorteio do Euromilhões. Jorge Marcelino fez um sorriso tolo, numa atitude intempestiva tinha feito pela primeira vez uma chave para um jogo daquele tipo…

Não apostava naqueles jogos de sorte, pois achava que já tinha tido sorte o suficiente ao ter encontrado o amor da sua vida. 4, 8, 15, 16, 23 e 42, sabia os seus números de cor, apesar de os ter escolhido ao calhas. Não sabia porque, mas sentia-se de alguma forma atraído por aquela combinação. Parecia ter uma espécie de poder especial…Estava concentrado na comida quando ouviu três dos números que tinha escolhido, a partir daí ficou vidrado no televisor para espanto de Dolores que não sabia a razão daquelas atitudes estranhas.

Até agora a aposta tinha sido certeira, faltava apenas um pequeno número para se tornarem milionários. Saiu o 33, bateu com a mão na mesa frustrado. A sua mulher deu um pulo assustada com a aquela reacção , que não era nada normal no seu marido. - Porra ! Ficamos a um número de ser milionários! – resmungou o experiente homem, que não queria acreditar como tinham ficado perto do prémio final. Lamentou-se sonoramente.

- Mas para que é que querias tanto dinheiro homem? O segundo prémio já é bem bom… - afirmou Dolores, tentando consolá-lo o melhor que podia. Só mais tarde iam saber que tinham ganho mais de 300 mil euros. Uma quantia que lhes ia permitir viver a velhice sem qualquer tipo de problema a nível financeiro. - Não achas que está na hora de fazer-lhe visita? – inquiriu a mulher com um sorriso doce.

- Talvez… - concedeu o homem rigidamente. Dentro de si, sabia que a sua mulher tinha razão. O dinheiro ia permitir realizar um sonho antigo que tinham: poder visitar o filho que estava a residir no Canadá. Abraçaram-se e deram um sincero sorriso. Ainda não sabiam, mas estavam a dar passos para sair da rotina em que se tinham colocado há alguns anos…

Parte 1 || Parte 2

Custou, mas chegou! Sei que estava em falta para com vocês, pois tinha esta história por acabar há alguns dias. Confesso que a febre do Mundial me envadiu por completo... Falando do post em si, como houve dois resultados muito próximos (39% e 36% como podem ver aqui), optei por criar um enredo que englobasse as duas perspectivas... Espero que gostem da ideia! Entretanto, já sabes se gostas do Um Mar de Recordações, então ajuda a fazê-lo crescer em:

     

Em busca de um futuro risonho

Rita Parreira deu-lhe um longo e apaixonado beijo nos seus lábios. Se a princípio Carlos Fontes ainda tentou resistir, acabou por se envolver naquela espiral de sensualidade. Mesmo sentindo-se atraiçoado, não podia esconder o desejo que aquela mulher despertava nele. Quando ela se afastou, lançou-lhe um sorriso provocador. Não duvidava que aquela situação estava a ser terrivelmente divertida para ela.

O jovem advogado ainda estava confuso com os desenvolvimentos dos últimos minutos e tentava perceber o que é que aquilo tudo significava. Olhou-a severamente em silêncio, estavam os dois frente-a-frente. Estudou-a por um momento, sabia que aquela altura era decisiva. Deu um longo suspiro. “Porque raio não me contaste?”, questionou-a, lembrando-se dos segredos que tinha partilhado. Não conseguia esconder o constrangimento da situação.

“Simples. Estavas a ser avaliado!”, respondeu-lhe com sinceridade, mas deixando bem presente o tom jocoso das suas palavras. A advogada adorava controlar todas as situações, aquele domínio era benéfico quando entrava no tribunal. Apesar da sua tenra idade, já tinha ganho uma fama implacável com os sucessos conquistados. “Ainda não me disseste se afinal queres ou não entrar na empresa…”, apontou. Um ar arrogante surgiu naquele jovem de 25 anos, um aceno de cabeça selou um acordo que ia bem para além daquele trabalho…

Seis meses depois de entrar naquele escritório de advogados já se encontrava como membro efectivo da equipa. O jovem Carlos Fontes revelara-se um activo indispensável. Mostrara todo o seu potencial e começava a dar passos para uma carreira sólida na área. Não precisou de ajudas para subir e crescer, mesmo estando num relacionamento seguro com Rita Parreira. Estavam oficialmente juntos há cerca de três meses. Além de parceiros no trabalho, acabaram por tornar-se companheiros para a vida. 

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

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Uma surpresa inacreditável

Os dias estavam a ser altamente intensos, durante aquele mês de Janeiro a cada final de semana eram eliminados alguns candidatos. Agora, restavam apenas dois elementos, o jovem de 25 anos continuava a disputar arduamente aquele lugar no estágio no escritório de advogados que tanto ambicionava. Estava a poucos minutos de descobrir se tinha sido o escolhido. Estava com um nervosismo enorme, aquele podia ser o seu grande momento.
Sentado perto dele, lá estava aquela atraente mulher que era o último obstáculo para o seu sonho. Ela sorriu para ele. Mesmo não querendo, afeiçoaram-se bastante nas últimas semanas. Com o desenrolar das semanas, tinham partilhado vários momentos. Não conseguia deixar de se sentir altamente atraído por ela. Secretamente, desejava que por um milagre a empresa optasse por escolher os dois… Achava isso altamente improvável mas não custava sonhar. A porta do gabinete abriu-se e os dois foram chamados.
Entraram numa sala ampla apetrechada de luxos , era imponente entrar naquele local. Engoliu em seco, era a primeira vez que estavam ali. Um dos advogados principais esperava-os com uma cara impaciente. “Sabem que não gosto de perder tempo. Rita Parreira dá um passo em frente”, rugiu. Assim que ouviu o nome, baixou a cabeça desiludido. Fechou os olhos para controlar as lágrimas. Só passado algum tempo, arranjou coragem para levantar a cabeça e reparou que a mulher ficou ao lado daquele emblemático advogado. A bela loira deu uma sonora gargalhada.
“Eu não vou entrar no estágio, encontras-te no meu gabinete. Felicito-te por teres chegado tão longe e pelo teu desempenho ao longo desta fase. Carlos Fontes, tu tens todas as competências que desejamos”, revelou, sem demoras. O jovem de 25 anos demorou a processar todas as novidades, mas não conseguiu resistir a sorrir por tudo aquilo se revelar em seu favor. Enquanto isso, o advogado abandonou o gabinete com um esgar sonoro. Ficaram os dois sozinhos naquele espaçoso gabinete, olharam-se como se estivessem a estudar um ao outro.
De certa forma, Carlos sentia que a sua confiança tinha sido quebrada. Não sabia como reagir aquela situação, sentia-se altamente desconfortável pelo envolvimento que tinha tido com uma superior hierárquica. Por seu lado, Rita Parreira parecia estar a adorar aquele momento de grande tensão. Avançou para ele e disse-lhe ao ouvido: “Finalmente posso fazer-te isto”.

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3

Quero agradecer às inúmeras sugestões que deram para continuar a história, sinto que cada vez mais esta é uma ideia que está a ganhar muita adesão da vossa parte. Esta acabou por ser a votação mais renhida até agora, o que me levou a tentar equilibrar um pouco as coisas. Portanto aproveitei algumas das vossas ideias, nesta caso as da Ce Rose e da Hibiscus. Espero que tenham gostado do desenrolar da história!

Entretanto, é com muita felicidade que comunico que após 282 posts, o Um Mar de Recordações ultrapassou os 10 mil comentários. Mais um objectivo alcançado que só é possível com o vosso constante carinho. Um grande e sincero obrigado a todos vocês! Já sabes se gostas do Um Mar de Recordações, então ajuda a que ele continue a crescer em:

     

Dia para brilhar

Não cabia de si de contente, no dia anterior tinha recebido o telefonema a confirmar a presença na segunda fase de selecção para o estágio na empresa de advogados que sempre sonhara. O esforço dos últimos anos tinha compensado, finalmente ia poder pôr em prática aquele que era o seu talento. Vestiu-se com a sua melhor roupa, um fato elegante que tinha comprado recentemente. Olhou-se ao espelho e sentiu-se amplamente confiante. A vida estava, finalmente, a correr-lhe bem.

Estava inserido num grupo de dez pessoas pre-selecionadas , apenas um ia conseguir garantir o estágio. Assim sendo, os próximos dias iam ser decisivos para aquele jovem de 25 anos. O desafio não o atormentava, era o tipo de pessoa que adorava ser constantemente desafiado, não escondia a sua competitividade. Entrou no edifício num passo decidido, hoje era o dia para brilhar. Chegara com cinco minutos de antecedência, foi o primeiro a entrar naquela sala de reuniões. Um bom presságio…

Aos poucos juntaram-se os restantes candidatos, a tensão sentia-se. Iam todos estudar-se aos poucos, numa espécie de teste a quem eram as ameaças. Em cima da hora, faltava apenas uma pessoa que surgiu poucos segundos antes do tempo marcado. Uma jovem mulher captou a atenção de todos. De sorriso fácil aliviou o ambiente de guerra fria que se fazia sentir. O jovem ambicioso não conseguiu deixar de ficar encantado com a beleza daquela loira extremamente atraente. As regras do jogo pareciam ter mudado a partir daquele momento…

[Ficção]

Parte 1 || Parte 2 || Parte 3
Como queres que acabe esta história?
  
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Está na altura de nova votação, vocês já sabem como isto funciona! Vocês escolhem, eu escrevo o que vai acontecer no final da história. Entretanto, se gostas do Um Mar de Recordações, então ajuda a fazê-lo crescer em:

     

Tomar uma posição

Abriu a porta sorrateiramente, sem fazer qualquer espécie de barulho. Avançou tremulamente, não queria dar de caras com o seu marido. No entanto, os seus receios revelaram-se infundados. Ele estava deitado na cama a ressonar, sem a mínima preocupação com as nódoas negras que lhe tinha provocado minutos antes.  Por momentos, sentiu um desejo enorme de agredi-lo. Revoltava-lhe a forma descontraída com ele dormia de consciência leve. Contudo, não era capaz de descer tão baixo, ia ser exactamente como ele. Não lhe ia dar esse prazer, era superior a isso.

Enquanto o seu marido dormia, tirou algumas roupas para uma mochila velha que tinha no quarto. Não demorou muito tempo nessa tarefa, não queria correr riscos! Saiu daquela que tinha sido a sua casa de terror. Sabia que não iria regressar mais aquele local, fazia parte do seu passado. Tinha tomado a decisão de virar as costas aquela vida de dor e desespero, merecia algo melhor! Aquela era a sua forma de tomar uma posição, de lutar por uma vida melhor. Por uma em que pudesse sorrir verdadeiramente. Quando saiu daquela casa voltou a ter algo que julgava ter esquecido ou perdido – a esperança.

Divorciou-se pouco tempo depois. Passou-se dois anos desde que tinha saída daquela casa, a sua vida estava equilibrada, tinha um novo emprego e uma confiança reforçada. Era uma nova mulher. A sua vida estava finalmente a erguer-se, estava numa relação estável há mais de um ano em que era respeitada por um homem que a amava incondicionalmente. Naquele dia tinha surpresa bastante especial para ele. Aproximou-se do seu namorado e deu um longo beijo na bochecha. Ele fez aquele sorriso encantado que tanto gostava. “Hoje descobri que daqui a uns meses vamos ter companhia”, segredou-lhe ao ouvido, enquanto lhe colocava a mão na barriga. Instantaneamente caiu uma lágrima na face daquele homem que de seguida lhe deu um abraço que pareceu durar uma eternidade. Enfim, vivia a vida que sempre sonhara…

 Parte 1 || Parte 2

Os leitores não tiveram dúvidas quanto ao desenlace do conto! Foi uma vitória de 68%, o que equivale a 43 votos em 63 possíveis. Nada me deixa mais satisfeito que ver a vossa interacção neste espaço. É garantido que haverá mais votações num futuro próximo, portanto não deixem de vir aqui espreitar as novidades! Já sabes, se gostas do Um Mar de Recordações, então ajuda a fazê-lo crescer em: