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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

Um confronto inesperado

Ao fim da tarde chegou do trabalho completamente estoirado. As dores de costas estavam cada vez mais insuportáveis. Fez um esgar de dor quando entrou em casa. Mas deixou-se de lamentar quando reparou que não estava sozinho em casa. O homem ficou alarmado com essa situação pensado que um ladrão tivesse conseguido entrar na sua moradia. Movimentou-se o mais silenciosamente possível até ao seu quarto, o foco do barulho provinha dali. Ficou estupefacto quando se deparou com a mulher que o tinha abandonado há três meses. Não esperava voltar a vê-la naquela casa. Permaneceu ali junto à porta, paralisado, ouvindo-a soluçar de forma descontrolada. Sem notar a sua presença, permanecia sentada junto à cama e olhava fixamente para o anel que tinha deixado na mesa de cabeceira. O homem fez um sorriso condescendente ao ver aquela cena…

Poucos momentos depois, ela reparou na sua chegada. Numa primeira instância pareceu alarmada. Tentou secar as lágrimas e só depois virou a cabeça para o enfrentar. Revelou uns olhos tristes e vermelhos. Baixou a cabeça instantaneamente, envergonhada por ter sido apanhada naquele momento fragilizado. Estava com um péssimo estado parecia um caco.  “Desculpa ter sido uma cobarde”, murmurou em voz baixa. Não conseguia olhar-lhe nos olhos. Tinha saído daquela casa sem uma justificação, desistiu intempestivamente daquela relação por estar farta da rotina e das discussões constantes. Não foi preciso muito tempo para estar arrependida da asneira que tinha cometido. Agora sentada naquele quarto, apenas queria regressar ao passado e corrigir o passado.

Levantou a cabeça e pela primeira vez trocaram um olhar, de uma intensidade enorme. A forma ternurenta com que ele a olhava, fez com que voltassem a cair novas lágrimas. Nenhum dos dois sabia dizer naquele momento desconfortável. Nenhuma palavra parecia adequada, permaneceram naquele silêncio doloroso. Isso conseguia expressar mil frases, todas as palavras. Num acto intempestivo, aquele homem amargurado deu-lhe um longo abraço. Permaneceram assim durante vários minutos. Depois daquela fugaz separação, aquele casal soube transformar fraquezas e tristezas em forças. No fundo tudo aquilo fortaleceu e amadureceu a relação. Depois disso, nunca mais se conseguiram separar. 

[Ficção]

Visão do homem || Visão da mulher

 Imagem retirada de: http://pegueiobuque.com.br/

 

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Remorsos de uma atitude intempestiva

Largou um longo e arrasador suspiro. Encontrava-se diante daquele antigo espelho há alguns minutos sem se conseguir mover, parecia estar a querer ganhar força para dar o passo seguinte. Várias lágrimas caíam-lhe de uma face lastimável pelas poucas horas de sono do dia anterior. Não podia voltar a acobardar-se, tinha adiado aquilo demasiadas vezes. Decidira finalmente buscar os seus pertences à casa que tinha abandonado há três meses. Desaparecera sem dar qualquer explicação à pessoa que mais amou na vida. Lembrava-se de todos os traços daquele homem, contudo essa recordação parecia agora uma vã memória de uma outra vida…

Um sorriso amarelo nasceu nos lábios carnudos. Por diversas vezes tinha tentado ir àquela casa, mas acabava sempre por desistir. A verdade é que receava que as recordações fossem demasiado dolorosas. Diariamente arrependia-se da sua atitude intempestiva, contudo sabia que isso agora era tarde demais. Não podia voltar atrás, seria injusto fazê-lo. Engoliu em seco, estava completamente perdida. Pensara que fugir dos problemas era aquilo que precisava, mas rapidamente entendeu que cometera um erro crasso. Destruíra a pessoa que a amava incondicionalmente por um gesto infantil e irreflectido. Abanou a cabeça. “Chega! Não posso adiar mais isto…”, murmurou, enquanto abandonava aquele quarto barato que tinha alugado. Foi em frente sem olhar para trás, precisava de manter aquela pequena réstia de coragem viva para seguir em frente.

Minutos depois estava à porta daquela casa repleta de memórias de dias bons e maus daquela forte relação. Sentia-se uma autêntica cobarde por estar a fazer aquilo nas suas costas. Voltou a abanar a cabeça. Abriu a porta sem conseguir conter um suspiro nervoso, repleto de remorso. Precisou de muita força para entrar no quarto para ir buscar a roupa. Não conseguiu resistir percorrer aquela divisão com um olhar melancólico. As suas fotos ainda ali estavam. Tudo parecia igual, nada parecia ter mudado desde a sua ausência. Apenas uma coisa estava diferente. Mordeu o lábio quando viu a mesa de cabeceira com o anel de casamento. “Não!”, gemeu. As lágrimas voltavam a cair sucessivamente, instantaneamente perdeu as forças e as suas pernas cederam. Permaneceu assim de joelhos, junto à cama onde tinha partilhado tantas momentos…

[Ficção]

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O anel de memórias

Abriu a gaveta, ao tirar um pano para limpar os seus óculos sujos reparou naquele anel. Ali estava ele, meio escondido para que não se recordar daquela constante pontada no coração. Largou um sorriso amargurado pelas recordações e sentimentos que emanavam daquele pequeno objecto. Quando casou ingenuamente imaginou que o resto da sua vida seria uma caminhada romântica de felicidade. “Que patético era!”, gemeu desolado enquanto fumava o último cigarro do maço que tinha comprado naquele dia. Deu um longo bafo, fechou os olhos e numa velocidade estonteante viu um absurdo número de imagens do passado…

Estava naqueles dias melancólicos onde as memórias fluíam a toda a hora. Odiava quando aquilo acontecia, olhou demoradamente para a janela e deixou-se ficar a olhar para aquele tempo chuvoso. Pouco depois, abanou a cabeça desiludido por todos os seus planos terem corrido mal, culpava-se por aquele presente degradante. Descuidara toda a imagem, estava com um péssimo aspecto. Vivera para aquela relação e era angustiante entender que tudo tinha cedido. Depois de anos fulgurosos de um sentimento delirante, a tolerância e amor esbarrou nas inúmeras divergências e braços-de-ferro que enfraqueceram aquela relação. O fim foi uma inevitabilidade.

Há três meses que ela tinha partido, sem justificação ou carta de despedida. Simplesmente sumiu agastada pela desilusão de um relacionamento falhado. Ao sair, levou com ela o seu espírito sonhador, arrasou-o por completo. A partir daí aquele homem sentado na cama perdera-se na escuridão constante, apenas sobrevivia. Fez um pequeno esgar por toda a angustia que aquele anel lhe dava, mas ainda assim não conseguiu deixar de se sentir seduzido por ele. Sem saber explicar a razão agarrou nele e colocou-o na sua mesa de cabeceira. Por mais negras que fossem as memórias preferia tê-las a não recordar-se nada…

[Ficção]

Imagem retirada de: http://professionalexperts.net/ 

Pessoal como já devem ter percebido estou tentar lançar um canal no Youtube. Confesso que ainda sou muito inexperiente na criação de conteúdos vídeos, mas vou melhorar com o tempo. Neste começo não tem sido fácil a divulgação deste espaço, portanto peço a todos os leitores que tenham uma conta no Gmail para seguir este canal. Além de me motivar a criar novos conteúdos, ajuda e muito na divulgação!

 

 

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Um abraço mágico

Dirige-se para sua casa cabisbaixo, o dia tinha-lhe corrido francamente mal. Voltara a falhar, não queria acreditar naquilo que lhe estava a acontecer. A entrevista de trabalho que tinha feito não tinha corrido como pretendia, sabia que não iria ser chamado. Completava quarenta anos daqui a umas semanas e as oportunidades eram cada vez menos, não lhe era permitido continuar a desperdiçar oportunidades. Já não tinha as ilusões da juventude, sabia que aquelas dificuldades eram problemáticas. Estava destroçado por não conseguir ajudar em casa, passava os dias frustrado numa espiral de derrota sem conseguir dar um passo em frente. Ia caminhando sem erguer a cabeça, estava com pena de si próprio. Mesmo tendo uma carreira de prestigio e ser um trabalhador competente e cumpridor, a crise fez com que vivesse um autêntico pesadelo. A sua confiança nunca mais foi a mesma, simplesmente despareceu. Sentia-se perdido, sem rumo. Entrou em casa completamente derrotado, a sua mulher veio rapidamente ter com ele ansiosa por novidades. Não precisou de dizer absolutamente nada, ela abraçou-o instintivamente. Aquele gesto fez com que tudo ficasse melhor. Ela era a sua rocha, possuía a capacidade de tornar todos os seus dias melhores, de afasta-lo daquele abismo negro. Aquela era a força do verdadeiro amor!

[Ficção]

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Lágrimas de desespero

Tremia, estava completamente em pânico. Não conseguia parar de chorar, soluçando constantemente. Tinha chegado ao seu limite, já não conseguia suportar mais aquela tortura. Não conseguia mais, o desespero tinha tomado conta dela. O lábio cortado destacava-se na sua face, mas não afasta a atenção do grande número de nódoas negras por todo o seu corpo. Tinha sido mais um dia na sua miserável vida. As lágrimas continuavam a cair. Trancara-se na WC do quarto, estava aterrorizada. Não queria sofrer mais!

Há muito tempo que já o ouvia ressonar, mas ainda assim não queria arriscar. Estava em pânico que ele voltasse a acordar, isso ia deixa-lo com demasiado mau humor. Só de pensar nisso ficava ainda mais nervosa. Todos tinham os seus fantasmas, o seu marido era o seu. Nem sempre tinha sido assim. Os cinco primeiros anos de casamento tinham sido realmente felizes, mas depois veio despedimento na empresa. Ele nunca aceitou a saída, passava o dia a beber e os problemas começaram a partir daí. Tornou-se num homem violento, a primeira agressão chegou pouco tempo depois.

Deixou de sair de casa, tinha vergonha. Não queria mostrar as marcas evidentes do seu tormento. Vivia numa vida de medo. Continuava a tremer e a soluçar, sentia-se patética por não sair daquela situação.  Parecia presa aquela relação nociva como se não houvesse outras saídas possíveis. Deu um longo suspiro. Olhou para a porta e levantou-se, movendo-se de forma ainda atordoada. O corpo não lhe doía mais, apenas a sua dignidade estava manchada. Ainda sem saber o que fazer, agarrou na maçaneta e abriu a porta.

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