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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

10.Mar.12

Prazer em altura de crise

Apesar de para muitos ser um luxo, há cada vez mais interessados nos spas. Há uma grande subida no número de portugueses que procuram estes serviços. É um prazer saudável (mas dispendioso) em tempo de crise. Uma moda que parece estar para ficar e que é que sintoma de uma vida cada vez mais stressante. Aromaterapia, hidro­terapia ou massagens são tratamentos cada vez mais familiares para os por­tugueses, sinónimo de um alívio merecido para um cor­po cada vez mais castigado pelo trabalho e uma mente cansada do ritmo intenso do dia-a-dia.

A palavra spa é uma abreviação do vocábulo latino que se designa como “solus per aqua”, e que na língua portuguesa pode traduzir-se como saúde através da água. Esta invenção criada pelos romanos está a receber uma aceitação explosiva em Portugal. E o que faz algo que já foi descoberto há vários séculos ter tal aumento nos últimos tempos? A meu ver dois factores terão sido essenciais. Em primeiro lugar, a enorme publicidade que dispôs com cartazes, spots publicitários e um enorme acompanhamento por parte dos media. Houve uma altura em que não se falou de outra coisa sem ser spas. Em segundo, devido a estar na moda estes espaços de prazer/lazer. E como país de modas que somos deu-se a massificação, mesmo apesar da crise que afecta grande parte da população…

Na realidade, de há quatros anos para cá tem havido um crescimento enorme neste mercado. Se existem pessoas que acabam por viver de modas e utilizar este produto por causa disso, também não nos podemos esquecer da existência de pessoas preocupadas com o seu corpo e com o seu bem-estar. É sinal de uma vida cada vez mais desgastante e atarefada, existindo realmente um desejo por se sentir melhor. Dessa forma, os spas tem vindo a conseguir cada vez mais seguidores e os números das empresas que trabalham neste ramo lucram imenso.

Em Portugal, durante a maior parte do século XX, apenas existiram as Termas, spas termais históricos, onde se privilegia a tradicional ingestão de água e os tratamentos à base de imersão ou duches. Contudo, só no final do século XX, assistiu-se ao aparecimento de spas de hotel, iniciando-se este movimento no Algarve e rapidamente alargando-se a todo o país. O serviço prestado baseia-se em infra-estruturas termais mais ligeiras e privilegia as massagens e serviços complementares de um hotel. Assim, a evolução rápida e forte deste meio foi inevitável.

Recentemente, surgiram os spas urbanos, espaços de menor dimensão, situados nas cidades e orientados para massagens, tratamentos de estética e medicina não invasiva, fornecendo pacotes de serviços de duração inferior a um dia. O bem-estar é o principal objectivo de um serviço que tem como tipo de clientes definidos maiores de 35 anos e de classe mé­dia alta. Contudo, o leque de interessados tem vindo a aumentar de forma esclarecedora, numa moda que parece estar para durar em território nacional.

 

05.Mar.12

Sala de cinema (10) – Orgulho e Preconceito

O Um Mar de Recordações volta a dar destaque à sétima arte com a rubrica habitual Cinema em Casa. O filme em destaque é o Orgulho e Preconceito, um clássico de Jane Austen que foi amplamente adaptado no cinema, televisão e teatro. A película que aqui vai ser abordada é a última interpretação que data ao ano de 2005 e que é dirigida por Joe Wright.

A história decorre em 1797 e acompanha a história de cinco irmãs de uma família inglesa de aristocratas rurais lidando com questões de casamento, moralidade e preconceito. Keira Knightley interpreta a protagonista Elizabeth Bennet enquanto Matthew Macfadyen interpreta o seu par romântico Sr. Darcy. A premissa da película passa pelas impressões e preconceitos que se geram quando duas pessoas de mundos opostos se conhecem tendo como base os costumes e as ideias da época.

Nesta última adaptação do romance de Jane Austen há uma riqueza de detalhe na forma clara da sociedade no século dezanove e de todas as imposições na época. Os enquadramentos do director são belos e privilegiam as fabulosas paisagens de uma Inglaterra rural. A atmosfera é deslumbrante e dá destaque a fantástica fotografia de Roman Osin. Realçar também a banda sonora que é um aspecto fundamental para acompanhar os momentos narrativos que se vão desenvolvendo ao longo do enredo.

Joe Wright capturou o tom do livro e criou um romance com profundidade dos sentimentos entre as personagens. Os diálogos prendem o espectador com interpretações expressivas e inteligentes. Keira Knightley protagonizou uma notável performance como Lizzy Bennet que foi uma clara mais-valia ao filme. O drama britânico recebeu nomeação em quatro categorias para Óscar e arrecadou cerca de 121 milhões de dólares em bilheteiras. 

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02.Mar.12

Uma língua em perigo

Hoje tudo é escrito na Internet, desde um trabalho indispensável a algo sem importância. Desde pesquisas à elaboração de textos tudo passa pela Internet. É um ciclo vicioso. A sociedade está viciada em trabalhar neste dispositivo o que, no meu ponto de vista, a médio/longo prazo pode castigar a língua portuguesa. Não tenho quaisquer rodeios em expressar a minha opinião no que se trata deste facto, um vez que várias abreviaturas e erros básicos começaram a aparecer de uma forma estonteante com a banalização que se tem tornado o uso da Internet.

Perante isto fica-se com uma dúvida: será que a internet ajuda a que apareçam mais erros ortográficos ou ela vem apenas o levantar do véu de  muitos problemas linguísticos? Para mim, vem ajudar a que os erros aumentem. A velocidade com que se digita informação detém, naturalmente, inúmeras gralhas. A comunicação é mais rápida, eficiente e o mais importante de tudo é grátis, o que leva a uma grande procura. De acordo com a Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), no primeiro trimestre de 2010, aproximadamente metade dos lares de Portugal continental (48,8%) dispunham de acesso à Internet. Se é bom para um país estar evoluído tecnologicamente o que se pode dizer da possibilidade das perdas diárias do uso do bom português? Esta democratização da Internet pode causar estragos em pequena ou media escala causa a nível nacional num futuro próximo, principalmente na faixa etária mais jovem.

Normalmente o uso de abreviaturas é bastante utilizado neste espaço, algo que até podia ser bom. Até porque se treina o processo de abreviação, mas tornar-se um malefício pois o uso torna-se tão recorrente que acaba-se por assimilar essa abreviação como a verdadeira palavra. Dados referentes a 2010 confirmam que a Internet é usada para procura ou verificação de factos por 42,2% dos internautas. O problema nisso é que criou-se a lógica que se está na Internet, é porque a informação é correcta e fidedigna. Um erro comum cada vez mais recorrente. Com tudo isto um grande problema começa a nascer: o desprezo pelos livros.

Assim sendo, a rápida pesquisa na Internet torna-se indispensável para o uso de trabalhos. Nas escolas, por exemplo, isso é já uma exigência. Mas esse requisito pode ser prejudicial, uma vez que o computador assinala e corrige os erros que são feitos ao longo da sua redacção. O utilizador não dá a devida importância aos erros acabando por voltar repeti-los num futuro próximo. O erro torna-se natural e escrever de forma correcta não…

A excessividade de erros e o uso frequente do “calão” são normais no dia-a-dia da Internet, espaço onde a língua portuguesa é muitas vezes desprezada. Os erros feitos durante a sua utilização, são vários e graves, tendo os utilizadores pouco cuidado com o que escrevem e procuram. Aliás, criou-se mesmo uma nova linguagem neste dispositivo com trocas de x e de s. Coerente? Nem por isso, a verdade é que na Internet não tem sido dado o real valor da língua portuguesa. Um dos espólios mais importantes de um povo, portanto é necessário cada mais proteger e preservar esta língua para não correr o risco de perde-la no futuro.

 

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