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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

14.Abr.13

Um desafio literário

Fazia hoje uma semana desde que a tinha encontrado. Tinha sentido uma ligação instantânea com aquela mulher, como se tivessem sido feitos um para o outro. Pouco sabia daquela perdição que o tinha desafiado a voltar a encontrá-la. Durante a conversa, não lhe deu qualquer informação pessoal. Não sabia o seu nome, a sua idade, nem tão pouco a sua localização. Não teve outra opção senão aceitar aquele jogo. “Procura no coração dos livros, aí saberás onde me encontrar”, disse-lhe a mulher enquanto lhe deu um beijo demorado na face. Sorriu provocatoriamente e desapareceu sem deixar rasto.
O crítico literário começou a ir todos os dias à antiga livraria que ficava no final da sua rua. Vagueava pelas ruas sem destino, mas não voltou a encontrar aquela estonteante mulher. Temia não voltar a ver aquelas bochechas rosadas e aquela pele clara como neve. O desespero apoderou-se dele, a cada dia ficava mais frustrado. Sabia que tinha conhecido a mulher dos seus sonhos mas perdeu-a instantes depois. Que partida tão cruel que o destino lhe tinha reservado.
Não conseguia parar de pensar naquele encontro, estava presente em todas as alturas. Sentia-se preso aquele momento. Lia as páginas do livro de que tinham falado. Tornou-se o seu pequeno hábito. Fazia-lhe sentir um pouco mais perto do seu sonho. Já tinha passado uma semana daquele encontro e estava também nas últimas páginas daquele clássico. Nas últimas frases, teve uma epifania.
- Oh mas claro, que inteligente! Como fui tão tolo em não perceber logo! – deixou escapar, enquanto se vestia para sair naquela tarde solarenga. Vestiu a sua melhor roupa, queria de alguma forma surpreender.
Correu o mais rápido que conseguiu para o Convento de Monchique. Estava entusiasmado, sabia que tinha percebido a mensagem da misteriosa mulher que tinha roubado o seu coração. Á beira-mar, aquele tinha sido o local trágico do final do livro, a magia e a beleza ainda estavam presentes mesmo depois de tantos anos. Não conseguiu deixar de ficar maravilhado com aquele convento, já lá tinha ido muitas vezes, mas agora parecia ter algo diferente. Começou a vaguear pelo local com o coração aos pulos, sentia que estava perto e um largo sorriso cresceu assim que viu uma figura conhecida.
Ali estava aquela mulher que o tinha quase levado à loucura, não quis esperar mais e correu em sua direcção . Ela também avançou para ele com um brilho estonteante naqueles olhos esverdeados. Abraçaram-se durante vários minutos. “Vieste”, ela disse-lhe ao ouvido. Ele sorriu e deu-lhe um longo e apaixonado beijo. Alexandre e Isabel tinham começado o seu namoro, no local onde no livro todas as esperanças de um final feliz tinham terminado. A partir daí aquele casal apaixonado nunca mais se separou…


[Ficção]

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08.Abr.13

Encontro inesperado

Acordou ansioso, naquele dia tinha decidido ir comprar aquele livro que tanto queria. Não sabia o porquê de ter aquela ideia na cabeça. Tinha a sensação que o devia fazer, uma espécie de pressentimento. Apesar de nunca ter acreditado no destino, arranjou-se e saiu apressado de casa. Era um domingo solarengo, não tinha planos para aquele dia. Estava ansioso por chegar, sentiu-se atraído por entrar o mais rápido possível naquela livraria como se tivesse numa espécie de feitiço.

A loja ficava no final da rua da sua casa, portanto não demorou muito tempo para chegar lá. Era uma livraria antiga com livros difíceis de encontrar. Era um espaço pequeno, mas sempre que entrava gostava de sentir aquele cheiro de antiguidade. A literatura sempre tinha sido a sua paixão. Tinha-se tornado um crítico literário famoso.

O dono cumprimentou-o de forma afectuosa, já se conheciam há longos anos. Depois de trocarem algumas palavras, dirigiu-se ao local do livro pretendido. A loja tinha mais alguns clientes, mas não lhes prestou muita atenção. A sua preocupação era com aquele livro, um daqueles clássicos intemporais que toda a gente devia ler. Pegou nele com todo o cuidado e não resistiu a folheá-lo um pouco.

“Uma boa escolha, apaixonei-me da primeira à última página”, disse uma voz desconhecida atrás dele. Curioso, não resistiu a virar-se rapidamente. Á sua frente estava uma sorridente mulher com uma beleza inigualável. Trocaram um sorriso. Naquele momento, aquele crítico literário teve a certeza que aquele encontro seria a primeira página de um verdadeiro romance.

[Ficção]

 

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05.Abr.13

Questões inevitáveis (20) – Demissão de Miguel Relvas

A notícia do dia é o pedido de demissão de Miguel Relvas e é impossível ficar alheio a este acontecimento. A saída do ministro dos Assuntos Parlamentares deve-se ao que tudo indica pelo processo de verificação do seu curso. 

O braço-direito de Pedro Passos Coelho resistiu durante um ano às revelações sobre a sua licenciatura na Universidade Lusófona, mas não conseguiu suportar o processo de verificação das equivalências pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência. Dos 120 estudantes investigados pelo Ministério da Educação, nenhum recebeu tantos créditos como Relvas (160). No entanto, uma licenciatura, em regra, equivale a 180 créditos…
O até agora ministro dos Assuntos Parlamentares do Governo justificou as razões para a sua saída do Executivo de Pedro Passos Coelho, referindo não ter "condições anímicas para continuar" no cargo. Durante a conferência de imprensa, Relvas referiu ainda as áreas que, no seu entender, deixou a sua marca: a realização do mapa autárquico, traduzido na redução de freguesias, mas também a estrutura da reforma da administração local, bem como a RTP.
Numa altura em que se fala de uma remodelação do Governo, um dos ministros mais polémicos nos últimos tempos. Miguel Relvas alimentou muitas controvérsias o que fez com que se torna-se uma das figuras mais visadas da contestação popular.

 

 

O desempenho do ministro dos Assuntos Parlamentares foi positivo ou negativo? Concordam com a saída de Miguel Relvas e quais são as principais consequências desta decisão? Quem pode ser o seu sucessor?

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