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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

09.Jun.13

Uma corrida contra o tempo

Faltavam poucos dias para começar o verão mas inexplicavelmente chovia. Isso não o impediu de sair de casa extremamente apressado. Nem o tempo tinha pena daquele pobre coitado. O dia estava longe de correr bem, na verdade corria pessimamente. Hoje, a mulher que sempre amou ia partir para outro país. Uma viagem só de ida, sem prazo de regresso. A saudade já se tinha apoderado dele. A pessoa que mais amou ia desaparecer da sua vida, nada lhe fazia mais triste que perceber a inevitabilidade da situação. Contudo, mão podia deixar isso acontecer. Ia lutar para que aquele amor não se perdesse no caos do tempo e da distância. Não ia desistir, não se podia permitir a isso.

Correu rua fora, ainda estava a tempo de a encontrar e de demovê-la daquela decisão. Não era dado a loucuras, mas a situação era demasiado intensa para não fazer nada. O momento revelava-se problemático teria que fazer tudo para lutar por aquele amor intenso e sincero. Estava encharcado quando chegou à rua dela. Viu que estava um táxi à frente da sua casa que começou a andar segundos depois de ter virado a esquina. Tinha-a perdido para sempre? 

 [Ficção]

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04.Jun.13

Questões inevitáveis (21)

A vigésima primeira edição desta rubrica dá ênfase a um dos temas mais polémicos nesta viragem de século – o aborto (ou interrupção voluntária de gravidez). Em Portugal, esta prática foi legalizada através de referendo realizado em 2007. O resultado oficial foi 59,25% "sim" (2.231.529 votantes) e 40,75% "não" (1.534.669 votantes). Em 1998, esta questão já tinha ido a referendo, mas nessa altura o “não” venceu com 50,9% dos votos. A proximidade dos resultados demonstra a controvérsia desta temática na sociedade portuguesa…
Em 2009, o total de interrupções voluntárias da gravidez foi de 19 572, tendo 18 951 sido realizadas por opção da mulher nas primeiras dez semanas de gravidez. Mas afinal o que é esta prática? Pode dizer-se muito sumariamente que o aborto é a remoção de um embrião ou feto, que neste caso ocorre de uma forma artificial, provocando a morte do mesmo. Em Portugal, este método só é permitido até a décima semana de gravidez. O conceito de vida é uma das questões que leva a esta temática ser bastante complexa e que provoca uma grande dificuldade de se debater. Assim, este debate continua a ser digno de interesse de ser analisado com maior profundidade seja pelos membros do poder ou pela sociedade em geral.
No entanto, após o momento em que o “sim” ganhou, este foi um tema quase esquecido. Algo estranho quando era um dos temas mais controversos da sociedade. Assim, desafio os leitores a expressarem a vossa opinião sobre esta temática de forma a entender se na blogosfera este continua a ser um tema fracturante ou existe um apoio mais significativo a uma posição. Assim sendo, vou utilizar a mesma questão que foi utilizado quando a interrupção voluntária de gravidez foi a referendo.

 

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado? Porquê?

01.Jun.13

À procura do seu paraíso

Naquele dia tinha-se desafiado a escalar uma montanha que tinha fama na região de ter uma vista magnífica. Era aventureiro, não conseguia dizer não a uma ideia que punha na cabeça. Era um jovem atlético com um corpo preparado para qualquer esforço físico. Não teve grandes problemas até chegar ao cume da montanha, mesmo que tivesse acabado completamente exausto e ofegante. Deitou-se em cima da relva e descansou por longos minutos. O dia estava ventoso, mas agradável. Perfeito para aquele tipo de desafios e maravilhoso para descansar um pouco. Não restou muito tempo até adormecer.

Só acordou vários minutos depois, espreguiçou-se demoradamente. Aquele era mesmo um local magnífico, mas quando olhou pela primeira vez para o horizonte não conseguiu suster um longo suspiro de frustração. Tinha escalado cerca de duas horas esperando encontrar uma visão de cortar a respiração, mas o melhor que tinha feito é ter aproveitado aquele local para uma sesta. Não conseguia deixar de se sentir desapontado consigo próprio.

Aquela paisagem, por vezes, era comparada a uma visão do paraíso, mas não era aquilo que precisava naquele momento. Aquele não era o seu local não passava de um sítio desconhecido e belo, aquela visão apenas simbolizava isso. Apenas via uma vista extremamente bonita, mas que pecava por faltar a companhia certa para tornar esse local num verdadeiro paraíso. Na sua percepção, se alguém diz que existe um paraíso, não o afirma por ser belo, mas por ser especial. Basta a companhia certa, algumas palavras, um sentimento, para tornarem qualquer banalidade num paraíso. Por enquanto, teria que continuar a procurar esse momento…

[Ficção]

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