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Um Mar de Recordações

Um Mar de Recordações

11.Out.13

Há sempre uma luz…

Passaram-se seis meses desde que tinha recebido a carta a confirmar o divórcio. Desde aí tinha ficado descuidado, não se preocupava consigo. Esquecia-se de cortar a barba não tinha qualquer cuidado em arranjar-se e passava os dias a embebedar-se. Perdera o emprego. Vivia numa constante solidão, na verdade tinha-se afastado de todas as pessoas que conhecia. A vida tinha deixado de fazer sentido, vivia nas sombras, caminhando cegamente para uma espiral de destruição.

Naquela tarde, estava um calor abrasador, mas aquele homem arrastava-se penosamente nas ruas. Tinha tido uma nova discussão no bar local. Estava cansado, as forças estavam a abandona-lo. Sentiu uma forte tontura e perdeu o equilíbrio. Colapsou quase instantaneamente caindo estrondosamente no chão frio. Não se importou, fechou os olhos e ficou ali deitado no meio da estrada durante vários minutos. Ouvia passos perto que ignoravam o seu estado, mas isso não o importava.

Por momentos quase que apreciou aquele momento de solidão total. Contudo, de repente surgiram passos apressados que se aproximavam cada vez mais. Iam na sua direcção, percebeu isso. No instante seguinte, sentiu uma mão esforçar-se por levantá-lo. Esforçou-se por abrir os olhos, mesmo com o sol de frente. No meio de toda aquela claridade conseguiu ver a face de uma jovem. Aquela luz dava-lhe uma aura divinal. Mesmo nos lugares mais sombrios, há sempre uma luz, pensou. Só teve tempo para sorrir e desmaiar. Para ele, o seu milagre tinha acontecido…

[Ficção]

Parte 1 || Parte 2
06.Out.13

Imagem espontânea (24)

Durante o Verão voltei a visitar o Oceanário de Lisboa, o que significa regressar a casa com a máquina repleta de fotografias. É impossível não ficar maravilhado com este local! Reconheço que é um dos meus espaços de eleição na capital, ainda que o preço seja bastante elevado… Localizado no Parque das Nações, o Oceanário constitui um aquário público e uma instituição de pesquisa sobre biologia marinha e oceanografia. Com uma média de um milhão de visitantes por ano, esta infra-estrutura tornou-se o segundo equipamento mais visitado de Portugal depois do Estádio da Luz. Aliás, em 2012 atingiu os 16 milhões visitantes, constituindo-se como uma das principais referência de cultura, lazer, entretenimento e educação no país.

Edificado pelo arquitecto norte-americano Peter Chermayeff, o Oceanário tem uma área total de 20.000 metros quadrados, com cerca de 7.500.000 litros de água divididos por mais de 30 aquários e 8000 organismos (entre animais e plantas) de 500 espécies diferentes. No seu interior, a principal atracção é o aquário central, com 5.000.000 de litros, representando o Oceano Global, onde coexistem várias espécies de peixes como tubarões, raias, atuns ou pequenos peixes tropicais. É uma imagem espectacular e que transmite uma enorme serenidade ! Adoro estar perto do e é uma sensação incrível ver todos aqueles animais marinhos. Quanto à fotografia que hoje vos trago é referente ao aquário que retrata a fauna e a flora do Oceano Árctico , espaço onde os grandes protagonistas são os pinguins.
Considerado como um dos melhores aquários públicos do mundo já recebeu diversas distinções, como é o caso do Prémio Valmor de Arquitectura (menção honrosa) e do Prémio Chiaja Per Le Scienze . Em 1998, foi nomeado pela revista TIME como um dos 10 melhores Eventos Científicos desse ano. O Oceanário de Lisboa arrecadou ainda uma medalha de prata no Prémio de Mérito Turístico (2006). Uma clara demonstração de que é daqueles lugares obrigatórios a visitar quando se passa por Lisboa!


“Os animais são amigos tão agradáveis: não fazem perguntas, não criticam.” (George Eliot)


Qual é o animal que mais gostam de ver no Oceanário? O que mais vos impressiona neste espaço?

02.Out.13

A dor da separação

Passados três meses, tinha recebido a carta que lhe partiu o coração. Em cima da secretária, estava o pedido de divorcio. Um casamento de uma década desfeito através de umas simples e frias palavras. Não recebera aquela notícia com surpresa, já a esperava há algum tempo, mas perceber que não havia saída daquele pesadelo era uma realidade dura de suportar. Aceitar aquela separação era reconhecer que os últimos dez anos da sua vida não passaram de um fracasso. Desde cedo que tinha tentado agradar aquela mulher de todas as formas possíveis, dando-lhe todo o amor que tinha e concretizando todos os seus caprichos. Tinha vivido para aquele amor. Dedicou-se intensamente aquela relação, mas o único agradecimento que tinha recebido era vários gestos de ingratidão culminados com aquela carta. “O que tinha falhado?”, não deixou de pensar enquanto lia pela centésima vez aquele papel. Acreditava piamente naquele amor e aquele acto tinha sido um golpe demasiado duro para ultrapassar. Não podia acreditar o quão iludido tinha estado durante tanto tempo. Não conseguiu conter que uma lágrima caísse na sua pele já com algumas rugas, estava demasiado fraco para conseguir manter-se afastado daquela tristeza e desilusão. Agora, para que tudo aquilo ficasse selado, apenas precisavam de uma assinatura dele, um pedido para assumir que todos os seus sonhos tinham sido abatidos com aquela separação. Levantou-se da cadeira e foi encher um copo de whisky. Deu um longo trago repentinamente. “Que assim seja!”, afirmou numa voz intensa de desespero, enquanto começava a rubricar aquele papel. O seu casamento tinha terminado oficialmente naquele momento, tal como a sua vontade de sonhar…

[Ficção] 

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